Funções da coordenação das unidades do SUAS


Problematizar e propor reflexões sobre os “bastidores” das funções do profissional que ocupa o cargo de coordenação nas unidades que ofertam os serviços socioassistenciais são os objetivos deste texto.

As atribuições deste cargo nos Cras, Creas, Centro pop, unidades de Acolhimento Institucional para crianças e adolescentes, estão elencadas em todos os cadernos de orientações técnicas das respectivas unidades – se você não conhece ou quer rever, acesse:Atribuições Coordenador CRAS CREAS Centro POP

Quanto ao cargo e sua ocupação

O cargo de coordenação está previsto na NOB/RH-SUAS 2006, o qual compõe a equipe das unidades e deve ser, assim como os demais trabalhadores, concursados. Este é um ponto central, porque ao regulamentar a composição da equipe, o SUAS aponta as diretrizes para a desprecarização dos vínculos trabalhistas e visa romper com a rotatividade de profissionais, descontinuidade dos serviços e com campos fluídos dotados de interesses meramente políticos e pontuais.

No entanto, passados dez anos do Sistema Único de Assistência Social – SUAS e algumas atualizações na Legislação e nos marcos legais – como Exemplo: Resolução CNAS nº 17/2011 e NOB RH-SUAS comentada, o cenário é ainda carregado da velha política e do despreparo técnico daqueles à frente da Assistência Social nos Municípios.

Acredito que a forma de admissão é a gênese de muitos problemas na composição das equipes. Não pretendo me alongar neste ponto, mas acho imprescindível ilustrar este parágrafo com trechos de duas Leis Municipais (disponíveis na internet) que cria os cargos de coordenação do Cras e Creas:

Recrutamento cras

A qualidade técnica dos serviços ofertados e a persistente caminhada nos trilhos da PNAS e da ética estão também atreladas ao desempenho do coordenador. Como esta compreensão desencadeou este texto, vou me ater mais a estes aspectos, ou seja, às habilidades técnicas e interpessoais do profissional que exerce o cargo de coordenação no SUAS.

Quais são estes profissionais? A Resolução CNAS 17/2011 cita nove categorias que poderão compor a gestão do SUAS: Assistente Social; Psicólogo; Advogado; Administrador; Antropólogo; Contador Economista; Economista Doméstico; Pedagogo; Sociólogo e Terapeuta ocupacional (CNAS, Art.3º) – Por que ainda os Municípios elaboram Editais (quando elaboram e há concurso) e colocam que apenas pedagogos ou administradores, por ex., poderão pleitear a vaga de coordenador, e fica por isso mesmo?

 A gestão do trabalho, se bem implementada, será a grande aliada do gestor ao definir a (s) categoria (s), de acordo com o que já está regulamentado, para cada cargo de gestão na efetivação do SUAS no Município.

Responsabilidades e compromissos qualitativos inerentes ao cargo

Uma porcentagem significativa das fragilidades operacionais, técnicas e interpessoais enfrentadas pelos profissionais do SUAS carecem de intervenções por parte do coordenador – muitas vezes, as consequências de sua falta de habilidade/perfil para o cargo é que agrava a situação no campo de trabalho.

Tenho inúmeros exemplos reveladores dessas situações (contatos via e-mail; supervisões técnicas e outras experiências, como a que relato a seguir:

Em uma palestra realizada no VI Encontro de Gestores Municipais da Assistência social da Bahia, onde eu e mais duas profissionais proferimos sobre “Teorias e práticas no SUAS: reflexões e desafios para a atualidade” experenciei desdobramentos desses problemas. Ao longo do debate, após algumas perguntas, eis que surge uma bem afoita e direta: “os que vocês têm a dizer quando o trabalho não acontece porque as duas profissionais, assistente social e psicóloga, nem se falam”? a reação da plateia foi entre “dar de ombros”, burburinhos e alguns risos, como se dissessem: quem é essa soltando essa pérola aqui? Pra mim, a pergunta dessa profissional tinha todo sentido. Mas a mesa também tratou de adiantar os pontos e dizer bem educadamente que ali não era lugar para tratar dessas questões rotineiras. Pelo andar da hora, foi impossível retomar a palavra e acho que se tivesse a oportunidade eu não teria falado algo significativo, tamanho meu sobressalto pela reação da plateia e da mesa. O que me fez pensar que a proposta da discussão talvez não tivesse alcançado o esperado. Mas o ato de fazer a pergunta pode suscitar alguma solução para aquela profissional, porque refletir sobre o trabalho ela já estava se permitindo fazer! Refleti o quanto aquela pergunta era reveladora das consequências da precarização dos vínculos trabalhistas e das relações de trabalho no dia a dia. Uma pena que ninguém ou poucos, a ESCUTARAM.

A coordenação, além dos desafios teóricos, metodológicos e operacionais/administrativos inerentes ao cargo, a habilidade para gerir pessoas é o maior deles. Não é fácil gerenciar processos de trabalhos que contam com uma diversidade de profissionais, categorias e serviços, além, claro, com as questões políticas.

O sujeito (a pessoa, o indivíduo, o cidadão) é o ponto central dos nossos desafios, tarefas e fragilidades. Eles perpassam tudo: equipe técnica; profissionais das outras unidades; profissionais das demais políticas públicas e outros setores, e os sujeitos destinatários da assistência social.

Não sei se me faço entender, mas quero dizer que o coordenador, estando no cargo através de concurso ou por precarização de vínculo trabalhista, ele terá que se a ver com as inúmeras facetas das relações interpessoais. E tenho certeza que não estou falando bobagem ou cometendo injustiças com profissionais, porque é incontável o número de profissionais se queixando das relações de trabalho (tenho relatos de pessoas adoecidas), e do travamento de vários projetos ou cerceamento da atuação, devido conflitos entre os técnicos de uma mesma unidade ou entre um unidade e outra.

A coordenação é a ponte entre o trabalho técnico e o trabalho da gestão. Ele transita entre vários interesses, reivindicações e por isso é preciso ter posicionamento para escutar e tentar media-los da melhor maneira para um coletivo, possibilitando o andamento ou redirecionamento do trabalho.

Para tentar fechar este texto cheio de pontos que carecem mais desdobramentos, destaco a seguir, alguns aspectos que prejudicam a atuação do coordenador e aponto um caminho possível de ser trilhado para qualquer profissional:

Pontos prejudiciais:

  • Entendimento equivocado sobre cargo e liderança. Um dos equívocos e alienação recorrentes é atrelar um poder ao cargo, tomando-o como condição privilegiada em relação aos demais.  Somos todos proletários!
  • Omissão de informações e centralidade do conhecimento (intenção de manter o cargo, medo de perdê-lo – porque acredita que o cargo é seu). Grande problema da falta de concursos públicos para este cargo. O Conceito de Campo de Bourdieu me ajuda a elucidar essas relações;
  • Autoritarismo;
  • Falta de habilidade para enfrentar problemas/conflitos;
  • Tomar projetos e ações como resultados individuais e não provenientes do trabalho em equipe;
  • Estar onde não se gosta e fazer o que não se gosta;
  • Desconhecimento da PNAS/SUAS;
  • Parcialidade nas relações de trabalho;
  • Tomar o tempo de experiência como conhecimento acabado e o mais adequado;

Trilhas para uma coordenação mais assertiva

  • Entendimento da liderança como circunstancial (Cortella, 2014);
  • Fazer o que gosta – no mínimo sentir apreço pelas lutas e causas pela efetivação da política pública;
  • Escutar e escutar mais um pouco;
  • Dialogar;
  • Autoridade;
  • Sensibilidade;
  • Conhecimentos inerentes ao cargo considerando a PNAS e todos os seus desdobramentos;
  • Entender e repassar que nem todas relações de trabalho serão levadas para a vida pessoal;
  • Imparcialidade nas relações quanto ao direcionamento e mediação de conflitos; as desavenças, aquelas que afetam a execução dos trabalhos, necessariamente, deverão ser pautas e reuniões;
  • Posicionamento suficiente para suportar as frustrações e insatisfações manifestadas pelo grupo;
  • Saber que nunca se sabe o suficiente;

Como colocar tudo isso em prática?

Comece com o mais direto dos tópicos, implantando e mantendo sistematicamente reuniões administrativas e técnicas com toda a equipe, espaço para dialogar e reinventar direções. Os demais pontos vão se mostrando aos poucos e exigindo novos posicionamentos e aprendizagens.

As reuniões periódicas de planejamento com toda a equipe de referência do CRAS, entre profissionais de nível superior e coordenador, deve ser parte do processo de trabalho do CRAS, sendo imprescindível para a garantia da interdisciplinaridade do trabalho da equipe.  Além disso, cabe ao coordenador detectar necessidades de capacitação da equipe, redirecionar, junto com o grupo, objetivos e traçar novas metas a fim de efetivar o CRAS como unidade pública que possibilita o acesso aos direitos socioassistenciais nos territórios.  Estes momentos, que devem ser preferencialmente semanais, são ainda importantes para possibilitar a troca de experiências entre os profissionais. (…) Os profissionais de nível médio também devem participar de reuniões de equipe, principalmente aqueles que desenvolvem funções relacionadas à oferta de serviços de convivência e fortalecimento de vínculos no CRAS. (Caderno de Orientações CRAS/2009, pág 41).

Tenha como meta inspirar as pessoas e com certeza o trabalho ficará muito mais efetivo e fará menos mal à saúde mental dos trabalhadores!

Aguardarei os comentários de vocês e quem sabe não podemos continuar com mais Posts nesta categoria!

Obrigada pela companhia!

66 comentários

  1. Ola bom dia
    Obrigada pelas informacoes lidas neste blog.acabo de ser contratada como codernadora do CRAS .do meu municipio .e voces me tirarao muitas duvidas.
    Obrigada

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  2. Fantástico esse texto. Infelizmente ou felizmente, pois retrata a realidade dos SUAS em muitos municípios, fazendo-nos, refletir e colocarmos em prática – uma luta mais aguerrida na tentativa de modificarmos esta realidade.
    Obrigado Rosana, por tão grande contribuição!

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      1. Olá, Rozana!
        Pegando um gancho na questão quanto a coordenação dos CRAS, em outra oportunidade, se possível é claro, você pode discorrer um pouco sobre a gestão das secretarias municipais de assistência social, principalmente no que tange também, a famigerada precarização? Em tempo: como você vê a questão de alguns municípios que ainda não tem a sua secretaria independente e funciona ainda como departamento subordinado a outra secretaria, como a da saúde, por exemplo?

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  3. Texto excelente! Hoje estou como coordenadora em um CRAS e vivencio muitas dessas situações citadas. Com certeza o maior desafio é gerir os recursos humanos da unidade e todos os conflitos inerentes às relações de trabalho, incluindo a relação entre servidor e serviço público.
    Parabéns pelo conteúdo.

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  4. Ótimo texto.
    Uma informação: Um coordenador de CRAS pode atuar em 2 unidades ao mesmo tempo?
    Foi contratado como coordenador de 1 unidade, mas atua em 2.

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    1. Oi Patrícia,
      Cada unidade deve ter em sua equipe uma coordenadora com CH de 40h (ver NOB-RH/SUAS).

      Com toda certeza essa sua condição precariza a oferta dos serviços e as equipes técnicas sofrem por falta de uma “coordenação” com condições práticas de dar toda a contribuição técnica, logística, administrativa e gestão território – ações imprescindíveis para um bom trabalho.

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  5. Olá!
    Passei em um concurso para (Educadora Social NS) onde só existia esta vaga e a mesma não é reserva, e lá neste município disseram-me que nunca existiu a referida vaga ou seja nunca existiu Educador Social… e ainda que não se sabe o que o referido cargo faz (rsrs é brincadeira) e nem sabem onde vão me colocar; e até agora nada de me chamarem e já foi chamado o (Orientador Social NS). #é só um desabafo. Não sei o que fazer? será que realmente nunca existiu? Fico de pés e mãos atadas. Preciso de um HELP.

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  6. O coordenador recebe mais porque trabalha 08 horas diárias, 40 horas semanais. A equipe técnica só trabalha 06 horas diárias, 30 horas semanais. O coordenador geralmente é o Assistente Social ou Pedagogo se aprovado em concurso publico como preconiza o MDS, ou seja, não obriga, por isso algumas Prefeituras se utilizam desta brecha para permitir cargos comissionados como chefia imediata ou até de técnicos de nível superior que é uma exigência. Na minha concepção, todos deveriam passar pela prova objetiva e de titulos, assim teria-se uma qualidade bem melhor de profissionais nestas atividades. Eu sou pedagogo aprovado em concurso como coordenador e o maior problema nos cras, é a falta de compromisso com o horário, e a assiduidade. O conceito equivocado de que no setor publico pode se tudo, tem sido o objeto de conflito entre a chefia imediata e os técnicos de nível superior. O desconhecimento da legislação do SUAS, e trabalhista, são motivos para atrasos, faltas, etc. Existem psicólogos e assistente social achando que pode acumular cargo, o que a lei não permite.

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  7. Rozana…li, reli e li novamente. Fantástico sua abordagem. Uma linha sucinta e de grande informação. Infelizmente vivenciamos isto em nosso equipamento. Se sobreviveremos eu não sei. Mas a vida continua. Obrigado por fazer parte das soluções. Pierre Souza

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  8. Boa tarde
    O Município que atuo como Assistente Social, está, nesta nova gestão contratando Assistente Social comissionado… seria cabível improbidade administrativa, visto que, a Lei 8.429/92 exemplifica a frustração da licitude de concurso público como improbidade administrativa na modalidade atentatória aos Princípios da Administração Pública?

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    1. Não sei te dizer se há jurisprudência sobre isso, mas penso sim que isso deve ser denunciado a justiça, pois é uma afronta a Constituição! Uma ilegalidade tamanha, que pode servir para corrupção!!!

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  9. Olá! Sou coordenadora do CRAS do meu município, é a primeira experiencia que estou tendo no meio da atuação pratica, tenho algumas duvidas e gostaria de obter algumas respostas? Sobre os projetos e oficinas que são realizado nessa unidade? Pessoal obrigada por cada comentário pois estão sendo de muito proveito pra mim. Obrigada!

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  10. ROZANA, um educador fisico para trabalhar no cras e intercalar com a saude deve ser pago com recursos do cras ou da saude? ou pode ser intercalado meses x o cras paga meses x a saude paga .

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    1. Olá Mayana,

      O Educador Físico não é profissional do SUAS, e não deve trabalhar num CRAS. Deve sim trabalhar na saúde!

      Que atividade o educador físico desenvolve no CRAS? Provavelmente é uma atividade de saúde, e não de assistência social!

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      1. Discordo Marcelo. Em Porto Alegre a assistência absorveu educadores físicos da antiga secretaria e isso só engrandeceu a interdisciplinariedade. Os educadores físicos assim como os pedagogos atuam nos SCFV como coordenadores ou mesmo como educadores e auxiliam na diversidade de ações propostas aos idosos, adolescentes e crianças. Alguns inclusive coordenam equipamentos de CRAS ou POP e fazem isso melhor que muitos outros profissionais. Claro que esperamos deles todo um estudo e entendimento do que hoje é o SUAS. Mas a proximidade da assistência e secretaria do esporte permanece até hoje na cidade.

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        1. Olá Karina,

          Quem defina que o Educador Físico não é um profissional do SUAS é o CNAS através da Resolução CNAS 17-2011 (https://conferencianacional.files.wordpress.com/2013/12/cnas-2011-017-20-06-2011.pdf)

          Mas não tenho conhecimento sobre a profissão para dizer se faz sentido ela fazer parte do SUAS; seria importante um educador físico falar sobre isso. Meu receio é que o SCFV seja transformado num mero contra-turno escolar ou em mera atividades para ocupar o tempo, e não atividades com o objetivo do fortalecimento de vínculos comunitários, próprio da assistência social; que é diferente de uma atividade do esporte.

          Enfim, gostaria de ler mais sobre isso. Se o pessoal de Porto Alegre pudesse escrever ou indicar algo escrito sobre isso, seria bem bacana!

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    1. Olá Mayana,

      O CRAS é uma unidade pública, portanto todos os profissionais devem ser contratado pela prefeitura, por concurso público, como manda a Constituição.

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  11. Bom dia Rosana
    Excelente texto, no momento estou gestora da Política da Assistência Social no município, mas estive por 8 anos trabalhando no CRAS, 5 deles na coordenação. Ao longo do tempo, pude ir descobrindo os caminhos, e realmente o maior dos desafios é o de gerir pessoas. Iniciei este ano reunindo TODOS os trabalhadores do SUAS para uma reflexão sobre Comunicação e Etiqueta profissional, foi um dia todo dedicado ao tema e mostrou-se bastante produtivo. Não conhecia seu blog, mas agora com certeza me tornarei seguidora. Obrigada pela iniciativa de colocar em pauta temas tão necessários ao bom andamento da Política.
    Abraços
    Cleusa Martins

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  12. Bom dia, no município onde atuo foi contratado para a Coordenação cargo comissionado de nível médio. Considerando a NOB RH-SUAS tem algo que possa ser feito? Obrigada!

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    1. Olá Thais,

      Você está falando de coordenação de CRAS? Se for, ele deve ser um técnico de nível superior (dentre as profissões definidas na Resolução CNAS 17-2011) e concursado!
      O que pode ser feito? Depende da realidade do seu município: mostrar a legislação (NOB-RH e Resolução) para gestão, ou no CMAS, ou acionar o Estado e o MDS, e o próprio CNAS para fazer pressão sobre o município. É importante organizar os trabalhadores do SUAS para enfrentar essa precarização, pois sozinha pode haver retaliação.

      Já no meu entendimento, o cargo de coordenador de CRAS é um cargo técnico, e não de chefia, portanto daria até para acionar a justiça, visto que a constituição veda a utilização de cargo comissionado para cargo técnico!

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  13. Olá Rosana,gostaria de saber como são definidos os salários de assistente social e coordenador visto que alguns municípios tem uma diferença, outros são iguais. como chegar nessa conclusão? um coordenador deve ganhar mais?

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    1. Olá Zelia,

      Nesse país (e no capitalismo) não existe nenhuma regulamentação para salário! Ganha mais quem pode mais, e não quem merece mais! Por isso um político ganha muito mais que um professor ou um servidor público!

      Entendo que o coordenador deve ganhar tanto quanto o assistente social, pois entendo que é uma atividade técnica como a do assistente social, com a mesma responsabilidade!
      É claro que também deveria trabalhar o mesmo número de horas! (o que não acontece no nosso país, pois os assistentes sociais conseguiram reduzir a jornada deles para 30h! quem pode mais pode mais! e não quem merece mais)

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  14. Achei legal alguém falar sobre esse assunto, As relações entre gestores e técnicos deixa muito a desejar, muitas vezes o tema fica em segundo plano, e em primeiro a disputa de poder.

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  15. Boa noite Rozana, enquanto estudante do curso de Serviço Social, é bastante proveitoso todos os seus posts, visto que estou na fase de aprendizagem e conhecimento. A parti de agosto iniciarei a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso-TCC. O tema escolhido é O Sistema Único de Assistência Social, com ênfase nos desafios que o meu município vem enfrentando para efetivação do mesmo. Gostaria que se possível me indicasse referências de materiais para elaboração do mesmo. Agradeço!

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  16. O texto é bom, mas peca por pouco mencionar os Trabalhadores do SUAS de nível médio ou inferior. Passando a impressão de que quem decide são os Técnicos, juntamente com a Coordenação. É importante ressaltar que não deve haver hierarquia entre os Técnicos e os Educadores Sociais, por exemplo.

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    1. Olá Alessandra,

      Boa discussão essa colocada por você. Precisamos aprofundá-la. Eu entendo que há papeis diferentes e responsabilidades diferentes entre educadores sociais e os técnicos de nível superior, portanto na hora de tomada de decisão, quem tem a responsabilidade é que deve ter o poder de decisão. Dessa forma, numa decisão que irá afetar a vida de um usuária, entendo que o técnico tem um maior poder de decisão.
      O problema é que muitas vezes vemos técnicos atuando de forma que não é preciso ter formação de nível superior, o educadores sociais atuando de forma que seria necessária um formação de nível superior, sem tê-la! Sendo claro: tem educador social dando palpite na vida de usuário, ao invés de levar para o atendimento técnico, e técnicos fazendo atendimento que se resumem a palpites na vida do usuário!

      Mas gostaria de ouvir seu contraponto!

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  17. Muito bom o texto!
    Grande parte dos problemas apontados podem ser resolvidos se o cargo de Coordenador for efetivo, provido por concurso público e não por indicação do Prefeito.
    Assim, se torna um cargo igual aos outros técnicos (Psicólogo, Assistente Social, etc). Não deve haver hierarquia entre o Coordenador e os outros técnicos, o que muda somente são as atribuições!
    O Coordenador tem como função organizar o serviço, e é claro que com isso irá interferir no trabalho dos outros técnicos, mas não é preciso ser superior (ou chefe) para fazer isso, pelo contrário, a Coordenação só tem chance de ser bem feita se o coordenador não for superior (ou chefe).

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      1. Infelizmente, as orientações do MDS não deixa claro que o coordenador não é chefe nem superior aos outros técnicos. Seria um avanço, se isso fosse escrito claramente.

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        1. Olá Marcelo, o fato de ser provido por concurso público não o torna “igual” aos outros cargos. O que a NOB quis garantir foi a continuidade da gestão dos equipamentos e a redução da influência política, deixando esta para o nível maior de gestão dentro dos órgãos gestores municipais. Cada cargo tem um rol de responsabilidades diferentes. O cargo de psicólogo, assistente social e outros não gerenciais não possuem responsabilidade nenhuma sobre outros servidores, nem tampouco sobre o resultado coletivo do trabalho, sobre as questões financeiras e legais do equipamento. Estas responsabilidades não significa ser superior, quem as faz superior são os nossos valores ao julgá-las. Só para refletir: você abriria mão de sua responsabilidade e autonomia profissional ao emitir um laudo, parecer ou relatório psicológico (estou imaginando que você seja psicólogo)? Quando você fala em horizontalidade na coordenação do CRAS estamos falando disto. Cada coordenador tem a liberdade de empregar o seu estilo gerencial ou de líder, pode ser mais participativo, mas será sua a responsabilidade legal perante o CRAS.

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          1. Olá Divaldo! Que legal sua resposta! Que bom encontrar alguém que queira debater sobre isso! Esse tenha é muito pouco debatido, e pra mim é fundamental para melhor a qualidade dos serviços e da política! Mas é um tema complexo, afinal pensamos muito pouco em gestão e organização de serviços!!!!
            Quanto ao conteúdo, fica difícil saber se vocês entendeu o que eu quis dizer, e se eu também entendi o que vc quis dizer na sua resposta, pois pela internet fica difícil a compreensão.
            O que quis defender é que os “cargos de gestão” devem ser escolhidos de tal forma que não possa haver interferência dos políticos! Hoje em dia, nas políticas públicas brasileiras, quase a totalidade de “cargos de gestão” podem ser escolhidos por políticos! Defendo que esses é um dos principais motivos que levam a gestão pública ser tão ruim! Portanto, veja uma grande inovação do SUAS quando define o cargo de coordenador como uma cargo técnico, querendo a dar entender que não deve ter interferência de políticos! O concurso público, até hoje, é a forma mais usada de “escolher” servidores públicos sem a interferência de políticos (sei que há problemas nos concursos, como serem muito mal feitos!).
            Não nego a responsabilidade do coordenador, mas não a vejo como superior! Se você for ler a NOB-RH e as orientações técnicas do CRAS, CREAS e Centro Pop, em nenhuma coloca o coordenador como um responsabilidade superior que os demais técnicos! A responsabilidade superior (e legal) é do órgão gestor!!!! O coordenador tem uma função de organização do serviço, mas não tem poder de mando! Esse poder é do órgão gestor!!!!
            O que você pensa sobre essas colocações?

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  18. Olá, Rozana! Excelente texto que retrata muito bem as dificuldades na atuação de coordenação e entre as equipe de profissionais nos serviços públicos. O que assusta é a falta de entrosamento entre estes profissionais e realmente a atuação dos profissionais enquanto Equipe!
    Um abraço,
    Maria de Lourdes.

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  19. Bom dia Rozana. Adoro seu blog, estou sempre lendo. Assumi a coordenação do Cras há 02 meses praticamente.A equipe de assistentes sociais é boa somos em 04 profissionais contando com a coordenação mas não temos psicólogo nem educador social então fica faltando o trabalho multidisciplinar além de que o atendimento psicossocial fica só no social. Triste que não ha previsão de concurso principal/e em ano eleitoral. Observo também, inclusive em outros municipios, que a Assistencia Social transformou-se em mãe acolhedora principalmente com outros funcionários publicos que dão problema em outros setores e acabam sendo remanejados para a A. Social, muitas vezes, com perfil inadequado. Mas estamos na luta, implementando aos poucos nossas ações.Infelizmente também observo por parte dos usuários, nas reuniões dos Programas Ação Jovem e Renda Cidadã e até nas inclusões no SCFV do CRAS, baixa procura e pouca participação da real demanda mesmo com a busca ativa pois muitos usuários procuram o CRAS apenas quando o recurso financeiro foi suspenso ou bloqueado e olha que nosso CRAS está implantado há 01 ano em uma área de grande vulnerabilidade pois antes estávamos em um espaço menor. Ai o que acontece, mts participantes dos SCFV realmente não são os que mais precisam pois apos contratação das oficinas (R.H) via licitação e materiais, para não ficar com pouquissimos usuarios, abrimos para a comunidade em geral…. Desculpa a extensão do desabafo. Obrigado.

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    1. Oi José, muito obrigada por deixar seu comentário e por me dar um retorno quanto ao Blog.

      Vocês trata de vários pontos e com certeza eles renderiam bons Posts no Blog! Quanto a equipe, é evidente que precisa reorganizar a composição de acordo com a NOB/RH-SUAS; sobre a assistência formar suas equipes com servidores oriundos de outras secretarias é uma questão que já vi repetir em vários Municípios e é lamentável o critério de transferência desses profissionais. Só reforça aquela ultrapassada concepção de Assistência Social – lugar de ações pontuais, para pobre e sem intervenções técnicas; a participação pouco relevante dos usuários pode ser entendida como desconhecimento e atribuição de pouco valor simbólico às ações da Política de Assistência Social – veja bem, se os executores a tratam com descaso e sem qualidade, por que que a população a reconheceria como espaço significativo e transformador?; por último, entendo que você apresenta uma grande questão para planejamento, gestão do território e estudo acerca do funcionamento do SCFV, quanti e qualitativamente.

      Quem dera se todo desabafo fosse como o seu!! faça-o quando e como quiser!
      Um abraço e bom trabalho

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  20. Adorei o texto, me fez refletir em inúmeras coisas. Gostaria que esse assunto continuasse. Sou psicóloga e trabalha na equipe de gestão da Proteção Social Básica de meu município. Embora não esteja na função de coordenação, em meu dia-a-dia me deparo muito com questões interpessoais e preciso gerir os conflitos que aparecem dessas questões.
    Um grande abraço!

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    1. Oi Rosiane, que bom que você gostou do texto, muito obrigada pelo feedback! Vou pensar em alguns pontos para dar continuidade sim.
      Gerir conflitos e interesses diversos é realmente uma tarefa que exige habilidades e no dia a dia não é nada fácil! seja sempre bem-vinda.
      Outro abraço pra você!

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  21. Sou Assistente Social, fui convocada para a coordenação do nasf, gostaria se possível saber as atribuições dessa coordenação por gentileza.

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  22. Gostei muito deste post, assim como vários outros do blog, tem me ajudado bastante e me feito refletir muito sobre as minhas práticas. Sou psicóloga e estou na coordenação do CRAS, sou efetiva do município. Quando entrei no CRAS não havia coordenação e nós técnicas que fazíamos toda parte administrativa, mas depois de um tempo a assistente social assumiu o cargo de coordenadora. No município que trabalho não tivemos esses problemas citados nos comentários anteriores quanto a coordenação. Contudo concordo com cada palavra da publicação, é desafiador estar neste lugar. Inicialmente meu grande desafio foi a parte administrativa e burocrática que suga muito tempo, mas o mais desafiador com certeza é a liderança, é ser responsável por uma equipe e administrar as relações interpessoais. Temos conseguido organizar o trabalho, realizamos reuniões periódicas, planejamos com a equipe técnica e com os demais do SCFV, do administrativo, com a equipe do Cadunico, até o motorista participa, já que é peça fundamental no transporte dos usuários e da equipe.

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    1. Oi Bárbara, obrigada pelo seu comentário. Fico muito contente em saber que os posts têm ajudado!
      Excelente sua experiência e os avanços, obrigada por compartilhar conosco. O caminho é esse mesmo, porque já é difícil mantendo esta organização, imagina sem isso? um abs e muito sucesso!

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  23. Ótimo texto que creio que reflete muito a realidade dos municípios. Onde trabalho a coordenadora não é nem nomeada, mas sim contratada por uma entidade, faz mais de seis meses que não fazemos uma reunião de equipe, e quando fazemos é somente entre a Assistente Social, Psicóloga e Coordenadora, não envolve os educadores que trabalham com o SCFV. Como a situação de trabalho dela é precarizada, a coordenação faz de tudo para não ser demitida, inclusive já fui chamada a atenção por explicitar direitos aos usuários, direitos esses que o município está negando. Além do mais a impressão que dá é que ela gosta que a equipe esteja fragmentada e desunida para que assim não cobremos do município a garantia dos direitos dos usuários do SUAS, deixando ela exposta.

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    1. Oi Rafaela, fico feliz que o texto foi capaz de evidenciar um pouco esta realidade e que a reflexão sirva para que todos saiam da lugar e se movam por soluções e por um trabalho melhor a todos. Gd abraço e muito obrigada por reforçar a relevância deste texto.

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    2. Lembrando que CRAS, por lei, tem que ser uma unidade pública! Portanto o coordenador tem que ser um servidor público! Não pode ser contratado por uma entidade! Isso é ilegal!!!!

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  24. Parabéns pela matéria todos os profissionais que assumem coordenação dos serviços CRAS, CREAS deveriam ler essa matéria,a importância de se apropriar sobre o SUAS para assumir tal função pois ele é responsável pela mediação do trabalho técnico e gestão. Percebemos que muitas vezes o coordenador se perde com a parte administrativa, burocrática do serviço.

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  25. Definitivamente este blog deveria ser acessado por todos os trabalhadores do SUAS! Sempre muito esclarecedores seus posicionamentos.

    Atualmente o que mais me chama a atenção é com relação a precariedade dos vínculos. No CRAS que trabalho estamos há quase nove meses sem coordenador, eu que sou psicóloga estou de férias, a assistente social teve seu contrato encerrado em dezembro e não foi recontratada. Trocando em miúdos: não há ninguém trabalhando no CRAS durante esse mês! No prédio há apenas a técnica do Bolsa Família, contudo a gestora municipal costuma considerar aquela profissional como parte da equipe e assim não é necessário que a equipe de referência tenha sua própria técnica. Todos os monitores das atividades do SCFV foram demitidos também.
    Diante dessas condições e muitos outros complicadores bate um desânimo, uma frustração de ver que nada do que é feito lá atende ao que um CRAS deveria ofertar, ao que o PAIF deveria ser.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Cássia!
      Muito obrigada pelo seu comentário e depoimento, ele complementou o Post e deu mais utilidade a ele.
      A situação relatada é realmente um cenário lastimável e de um grau inaceitável de descaso político com os serviços da assistência social. Provavelmente, para o MDS, o CRAS e os serviços (PAIF, SCFV) da sua cidade estão funcionando nas melhores condições!!!! O retrocesso já é uma lamentável realidade no SUAS e em outras políticas públicas!
      Conte sempre comigo para o diálogo e troca de experiÊncias (uma maneira de nos fortalecermos e superarmos o essas frustrações)
      Um grande abraço e boas férias!

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