Assédio moral na Assistência Social- Dissertação Rozana Fonseca (PPGES/UFSB)

Eis um excelente motivo pra eu tirar a poeira deste amado espaço que já foi intensamente utilizado para divulgar materiais sobre o SUAS, sobre o fazer nos serviços socioassistencias e algumas produções científicas: a publicação da minha dissertação de mestrado desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade pela Universidade Federal do Sul da Bahia (PPGES/UFSB). É emoção pura conseguir desenvolver e divulgar uma pesquisa inédita no campo da assistência social e com um tema tão caro para a vida pessoal e profissional de mais de 400.000 mil trabalhadoras do SUAS. Eu me sinto realizada porque é este blog que me levou a produzir uma dissertação com tamanha envergadura, o alcance nacional só foi possível porque este blog já foi lido pelo Brasil inteiro. A pujança e excelência da dissertação só foi alcançada porque eu tive a grata oportunidade do encontro com uma orientadora tão maravilhosa e proativa que marcou a primeira reunião comigo já mencionando que viu que eu tinha um blog. Obrigada, professora Sandra Nunes!! Temos, assim, uma produção intelectual, que embora seja robusta, cumpre apenas o passo inicial que deve anteceder muitos outros para verdadeiramente conhecermos o fenômeno do assédio moral no contexto do SUAS e das suas condições adversas de trabaho. Assim como, precisamos conhecer e dar visibilidade às consequências dessas expressões do mundo do trabalho, mas também de relações interpessoais e sociais extremamente degradadas. O SUAS não pode mais decidir não falar sobre essa violência; a assistência social não pode mais prometer proteção social através de trabalho indecente! A dissertação Assédio moral na Assistência Social: Um estudo com trabalhadoras do SUAS sobre o fenômeno e sua relação com o trabalho precarizado está disponível no repositório da UFSB – para acesso, clique AQUI Obrigada especial às trabalhadoras/es que participaram da pesquisa! A pesquisa já foi apresentada neste Seminário, clique para assistir!
“A essencialidade da(o) trabalhadora(o) do SUAS” é o tema principal do I Seminário do Fórum dos Trabalhadores do SUAS Contagem

O Seminário será realizado no dia 19 (quarta-feira) de junho de 2024Horário: 8hLocal: PUC Contagem – Rua Rio Comprido, Cinco, Contagem/MG Cumprimento o Fórum Municipal de Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social de Contagem/MG pela realização do evento e também aos demais apoiadores, porque transformar em realidade uma atividade dessa envergadura não é simples, exige esforço coletivo e muito trabalho. Obrigada ao FMTSuas Contagem pelo convite para apoiar este evento tão importante! Desejo sucesso e que seja muito proveitoso. Vejo vocês em breve! 🙂
NÃO DÁ PARA ACREDITAR NO SUAS
SE: Achar que o SUAS é que vai acabar com a pobreza, que o SUAS vai acabar com as desigualdades sociais (raciais), se você achar que o SUAS é um meio complementar à outras políticas que não fazem o que elas deveriam fazer. Se achar que o SUAS é política pra ações que são de políticas de esporte cultura e lazer. Se não endereça ao SUAS o que ele, de fato, encomendou. Estão enviando encomendas para o endereço errado. Acontece que certos carteiros/as do SUAS, de um lado, acreditam que deve atuar banhados/as pela bruma da bondade, do “trabalhar por amor e pela causa da pobreza, por outro, pelas lógicas de destrato com a coisa pública, mantendo sempre uma caixa de correios aberta para impressionar os vizinhos que. Se achar que o SUAS é o único espaço socio-ocupacional público precarizado e marcado por inúmeras disputas de poder. Vocês já pensaram nas condições de trabalho da educação e da saúde? Só para citar essas duas. O ataque não deve ser ao SUAS, deve ser às relações sociais estranhadas que produzem esses tipos de precarização e adversidades. Se achar que o SUAS tem profissionais de nível superior cuja função é interceptar o acesso a benefícios e programas de supostos mentirosos. As farsas para ingressar em respostas materiais a desproteções sociais é problema de um estado cínico que está fazendo malabarismo para servir aos tubarões. Então, a bestagem em continuar fazendo “parecer social” ou inquirições moralistas, averiguações como meio para pessoas terem acesso a um mísero benefício impulsiona o próprio sofrimento – e pior, você nem sabe disso e ainda abraça essa materialidade do fazer “técnico” como a única maneira de justificar tua importância diante de quem pertenceria a outra categoria de gente. A provisão não deve depender de decisão individual ou de equipe para que determinada pessoa acesse ou não um benefício ou programa – a exemplo do Programa Bolsa Família que tem suas regras consensuadas. É de se esperar que o BE, que quando colocado como oferta, já deve haver uma decisão institucional para o seu cumprimento. Portanto, se a gestão delega ações de obstrução como cortina com função de deixar passar só uma penumbra – só alguns raios de luz, o problema não é do SUAS. AGORA, DÁ PARA ACREDITAR NO SUAS SE: Se você acredita que as contradições entre capital e trabalho geram violências cotidianas que impactam vidas velhas e vidas que nascem agora, o SUAS é uma via de propositura de espaços possíveis de convivência e de relações para enfrentar processos que insistem em desumanizar pessoas e em colocá-las num limbo porque não geram valor. E isso é pouco? Para quem está construindo a revolução de amanhã pode ser. Mas, vale destacar que muitos que criticam o SUAS como sendo meio apaziguador das massas não estão construindo a revolução – só estão encastelados na academia. O SUAS é necessário num país que na pandemia foi obrigada a ver o tamanho da existência da fome – situação que nunca foi embora, mesmo que estivesse fora do mapa. Estar fora do mapa não significa que a fome não atinja um número inaceitável de pessoas. A fome não é diretamente respondida pelo SUAS, mas não podemos esquecer que é um problema transversal, assim, as consequências por viver nesta situação também é da assistência social. O SUAS não pode propor acabar com a violência, mas a proteção social é um meio de amparo e minimização das consequências do fenômeno e seus desdobramentos. O SUAS é necessário porque a mobilidade urbana não é para todos/as/es – algumas gentes, sobretudo as pessoas negras, são impedidas de acessar as cidades na sua integridade. Daí entra nossa capacidade de trabalhar a convivência social e comunitária. O pertencimento e a tomada da circulação que lhes é de direito. O SUAS é necessário porque há pessoas, famílias que não têm ou não terão a querência de cuidar de suas crianças, adolescentes ou idosos e por isso, a acolhida é resposta contínua pelo estado, assim como a construção de novas formas de acolher e cuidar. Agora, você pode ter desejos e vontades que não têm a ver com as especificidades do SUAS. Não há nenhum mal nisso, agora, tais especificidades só não deveriam ser confundidas com aquilo que não é o SUAS. Texto inspirado na pergunta recebida no @psicologianosuas (segue lá que todo domingo é dia de caixinha). Obrigada à colega do SUAS pela pergunta e por me mobilizar a escrever mais que um comentário.