Eunápolis, 18 de Maio de 2019

Às queridas crianças, adolescentes e adultos (especialmente meninas e mulheres)

Resolvi escrever esta carta motivada pela data de hoje a qual marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e principalmente pelas dezenas de comentários que foram deixados em um vídeo (com mais de um milhão de visualização) sobre violência sexual no Canal do Blog Psicologia no SUAS no Youtube. Fiquei pensando em como poderia ajudar vocês, ou melhor, como conversar com vocês. Optei pela carta através do blog porque posso alcançar mais pessoas. Eu escrevo como mulher e como psicóloga. Como mulher quero dividir com vocês meus episódios de violência sexual porque vi que muitas meninas (meninos também) sofrem caladas e espero que meu depoimento encoraja vocês a falarem, a buscarem ajuda. Como psicóloga vou falar tentando alcançar, além de vocês, um responsável familiar ou alguém a quem vocês mostrarão esta carta porque confia muito nessa pessoa. Como psicóloga já escutei experiências absurdamente graves, dolorosas e traumáticas. Meninas ou mulheres com intenso sofrimento psíquico diante de uma violência sexual por atos libidinosos e meninas/mulheres que lidaram sem desenvolver transtornos mesmo diante de passar anos sendo vítima de estupro. Mas há vários pontos em comum entre todas: sofrimento; culpa; dificuldade de relacionamento; insegurança e sobretudo, o silêncio. Eu fui “salva” ao quebrar o silêncio – é por isso que estou escrevendo, para dizer que é preciso falar, contar para alguém. Eu sei, vocês têm medo, têm medo de alguém não acreditar ou de alguém que vocês gostam muito se machucar, mas é preciso falar – alguém vai acreditar em vocês: tente uma, duas vezes ou mais se precisar, mas FALE, ESCREVA, GRITE! Eu também sei que tem grandes chances de que quem está te violentando é conhecido da sua família, um tio/a, primo/a, padrasto/madrasta, ou o próprio pai, mas sei também que ao guardar todo o sofrimento você vai ficar tão abafado, tão triste que você pode não conseguir viver alegre nos momentos de alegria e nem conseguir entrar, lidar e sair de tantos outros momentos tristes da vida. Às vezes se acumulam tanto que você sofre sem saber porque está sofrendo. O tempo vai passando e você pode até esquecer que foi vítima de violência, mas para muitas pessoas isso significa um mal tão grande que fará você lidar de maneira estranha e problemática com a sua vida e com as pessoas em sua volta. Se vocês estão lendo com atenção, já devem estar interessado em saber porque eu disse acima que FALAR sobre a situação me salvou. Vamos lá, estou pronta para te contar como passei pelas situações de violência sexual.

O que já aconteceu comigo

As primeiras situações de abuso sexual ocorreram quando eu era muito pequena, minha irmã tem as memórias sobre os fatos mais preservadas, mas sei que ao ir para escola éramos surpreendidas por um rapaz que se masturbava enquanto passávamos e segundo ela isso acontecia com frequência com outras garotas e ninguém do distrito fazia ou fez nada. Outra situação ocorreu quando íamos levar almoço para meu pai (zona rural) e um rapaz (colega de trabalho do meu pai) surpreendeu a mim e minha irmã nos expondo os genitais. Corremos de volta para casa e contamos para nossa mãe. Minha mãe acreditou imediatamente na gente, pegou o almoço e obrigou meu pai a se a ver com o rapaz. Enquanto escrevo sobre isso vou me recordando de detalhes e agora sei que ao ver como minha mãe lidou com essa situação, me fez ter coragem de contar a ela sobre a mais grave e marcante violência sexual que sofri e que vou contar depois dessa seguinte que foi por volta de 10 anos, onde eu estava dormindo na casa de um tio e mesmo dormindo na mesma cama com minha prima adulta, eu acordei a noite com alguém me passando a mão (era muito escuro e eu não consegui gritar, mas me mexia e aquilo ia embora, mas retornou e quando me movimentei mais bruscamente fiquei livre o restante da noite) sempre achei que fosse um dos primos meninos, mas relembrando agora, parece que foi minha prima, não parece? Olha como é incrível a nossa capacidade de rememoração! Passados 2 ou 3 anos eu fui vítima novamente. Dessa vez a família toda ficou sabendo. Um primo, adulto, trabalhava com meu pai, foi em minha casa em horário que eu estava sozinha e pediu algo como desculpa para estar comigo, ao entregar o objeto ele agarrou os meus seios e ficou tecendo palavras eróticas e fazendo planos para ficar comigo. Eu xinguei e corri. A única coisa que eu queria fazer era contar para minha mãe. Ele não podia continuar como o cara bacana e assim eu correr riscos na próxima vez que estivesse com ele. Minha mãe chegou em casa e logo contei a ela. E foi incrível que ela me respondeu agradecendo por eu ter contado a ela e que daria um jeito de conversar com ele, mesmo meu pai não querendo. Quando o primo chegou para jantar, minha mãe logo abordou o assunto. Eu ouvi tudo do quarto. Eu estava estarrecida ainda e com muita vergonha. A reação dos meus irmãos já não lembro mais, mas lembro da incredulidade da minha irmã e por incrível que pareça ela foi me perguntar se aquilo realmente aconteceu quanto já éramos adultas – e hoje sei que poderíamos ser muito mais próximas na adolescência se ela tivesse acreditado em mim naquela época. Hoje conversamos sobre isso e estamos muito bem! Minha mãe esculachou meu primo, sei que pediu desculpas e se retirou. Vejam só: a maneira que minha mãe lidou com o abuso que sofri fez toda a diferença – por isso tem que FALAR! (sei que você pode não ter uma mãe como a minha, mas alguém vai acreditar em você e fazer a diferença na maneira como você vai lidar com o problema). Até hoje sinto a sensação da minha mãe me defendendo e acreditando em mim. Foi tão potente que considero que foi isso que me salvou de todas as outras vezes em que fui assediada sexualmente, em todas elas tive que agir sozinha. Mas se eu consegui foi porque minha mãe me fez acreditar e compreender que o corpo de uma mulher pertence a ela, somente a ela. Ainda, antes dos 14 anos, sofri outro abuso com tentativa de beijo a força por um servidor público enquanto me levava para uma consulta e vários outros episódios de assédio sexual no trabalho (em todos os meus trabalhos da adolescência e jovem adulta sofri assédio sexual). Em TODOS eles, em dua casas – fui empregada doméstica dos 15 aos 17, como vendedora numa loja (dos 17 aos 22) e depois como auxiliar de escritório na assessoria jurídica de uma autarquia. Eu considero que fui capaz de romper o medo e me posicionar em todas essas investidas violentadoras, mas só pelo fato de estar contando isso para vocês é a prova de que ser violentada, não importa como foi, qual a gravidade, você vai carregar marcas para o resto da vida. Isso pode não influenciar nas suas emoções na vida adulta, mas sempre haverá aquela sensação de vulnerabilidade e risco diante das relações, sejam no trabalho ou nas ruas (e pior que essa situação de vulnerabilidade acontece também com mulheres que não foram abusadas ou assediadas, acontece por elas serem mulheres – posso escrever sobre isso a vocês em outra oportunidade. Eu me livrei de algumas inquietações e angústias sobre essas experiências na análise (terapia), eu misturava as sensações sobre o que era experiência de aprendizado do que era violência. Aqui marco a importância de procurar atendimento psicológico para conseguirem lidar com a violência e seus danos. E tentando concluir essa carta, quero dizer que entendo sua dificuldade em lidar com as ameaças e o medo de contar, mas posso te garantir que tem pessoas que acreditarão em você. Olha a lista: professora; melhor amiga/o, colega da igreja, vizinho que você gosta, mas se realmente você não confiar em ninguém ligue para o número 100 (Disque 100) para denunciar, também tem o Conselho Tutelar e o CREAS. Mas se você que está lendo esta carta já é adulta e sofre por tudo que já passou, procure um tratamento psicológico. Vá se livrar dessa culpa que não é sua. Se você não conseguiu falar, você tem seus motivos e isso é suficiente para nenhum familiar ou profissional te julgar, mas sim te ajudar.

CONTE, FALE AGORA!

Com afeto,

Rozana Fonseca Psicóloga – CRP03/6262


33 comentários

  1. durante um ano aguentei abuso do meu padrasto ele passava a mão sob meu corpo entrava no banheiro enquanto eu tomava banho, quando eu estava deitada em minha cama ele ia la e passava a mao e ontem contei finalmente sob o assunto a minha mãe e ela nao fez nada so o xingou e nada mais e agr estou com medo de algo acontecer a mim ou as minhas irmas mais novas

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  2. Eu comecei a ser abusada sexualmente quando era muito pequena. Minha mãe me deixo aos cuidados da minha avó materna quando eu tinha 2 anos, numa área rural muito afastada onde extraiam areia. Minha avó tinha que trabalhar o dia inteiro servindo os obreiros que ali trabalhavam. Sinceramente ela não tinha condições de me cuidar. E ela morava com um senhor que também ficava o dia inteiro servindo os outros. Minha avó e seu marido eram os caseiros desse lugar. Não sei o que minha mãe tinha na cabeça ao me deixar num lugar que era cheio de homens. E por que minha avó sabendo que não tinha tempo para cuidar de mim aceito que eu ficasse ali. Em fim, não sei se os abusos começaram quando eu ainda era bebê, porque a lembrança que tenho era como com 4 anos. Lembro que um dos obreiros me levou para perto do rio, num local com a grama alta e ali abusou de mim… Essa é uma lembrança, mas não sei se foi a primeira vez… Tenho a impressão que isso acontecia com frequência. Minha infância inteira foi marcada por abuso sexual… Essa foi a forma que eu entendi que se deviam relacionar homens e mulheres… Inclusive, acredito que talvez vários dos obreiros abusavam de mim, porque lembro que um dia eu tentei fazer sexo com um cachorrinho do sitio que minha avó cuidava… Eu era criança pequena e obviamente, eu estava reproduzindo comportamentos que eu enxergava… Lembro que tinha um obreiro que frequentava a casa de minha avó e como lá não tinha luz elétrica, ele ia no horário da tarde até ficar de noite e aparentava ficar brincando comigo para abusar de mim… Qual era minha atitude? Eu não entendia claramente o que acontecia… Meu cotidiano de criança era fazer sexo com adultos desconhecidos… Eu não tinha a possibilidade de brincar com outras crianças, pois não tinha mais crianças… Eu vivia num entorno de adultos abusadores e de meus avós que eram servis a todo mundo, pois eram pobres, analfabetos, vulneráveis… Não sei se eles perceberam que eu era abusada sexualmente… Minha avó até tentava ficar me observando, mas ela tinha que se ganhar o pão e tinha que servir os outros…. Eu não sentia confiança para falar sobre o que acontecia com ninguém… Não lembro exatamente com quantos anos minha mãe me levou para a capital a morar com ela, mas ela continuava me levando a passar férias onde minha avó… Que tipo de criança eu era? Uma criança completamente sexualizada, que nas férias que passava na casa da avó recebia a visita de um homem adulto com quem praticava sexo… Uma criança que procurava fazer sexo com todos as pessoas do sexo masculino com as que tinha contato… Por que? Porque em lugar de ter brincadeiras, eu tinha exploração sexual… Por que não falava com ninguém sobre isso? Porque os discursos dos adultos que supostamente seriam meus cuidadores eram confusos. Eu comecei a pensar que eu era a culpada pelas coisas que aconteciam…. Além disso, juntando os discursos religiosos da mentalidade circundante do meu entorno, eu comecei me sentir pecadora…Então eu com 11 anos já tinha um historial de inúmeros casos sexuais… Eu comecei ter relações sexuais com meus coleguinhas do colégio, com os vizinhos pedófilos da casa da minha mãe… E como minha mãe também era pobre e tinha que trabalhar incansavelmente não tinha como se ocupar de mim. Nunca senti confiança para falar dessas coisas com minha mãe… Inclusive cresci com muita desconfiança dela… Ela sempre me dizia como eu devia me comportar, o que eu devia fazer para me dar bem nada vida, que tinha que ser uma mulher ideal, estudar, trabalhar, etc… Então o que eu era, não tinha nada a ver com o que ela pretendia que eu fosse, porque eu me sentia como uma mulher que carregava uma cruz que pesava toneladas, levava o peso do mundo nas minhas costas… Era muito sentimento de culpa para mim sozinha… Então, comecei comer compulsivamente… Era muito segredo para mim sozinha… Eu não queria que ninguém soubesse o que tinha acontecido comigo e o que continuava acontecendo… Eu me importava muito com o que pensavam as pessoas sobre mim. Queria ser uma menina normal, queria ser amada de verdade e amar alguém, mas antes disso, queria ser uma menina… Queria nascer de novo, queria não ter esses impulsos sexuais e não me deixar dominar pelos instintos… Era muita coisa para administrar sozinha e como não sabia como fazer isso e não podia eliminar isso de minha história, eu comia e comia e comia… Geralmente quando estava sozinha… Começava comer e não conseguia parar… Que era o que eu comia? Comia minha incompreensão da vida, comia meus pensamentos, comia meus sentimentos, comia todas minhas emoções, comia meus direitos, comia minha autoestima, comia toda minha vida com a esperança de que comendo minha vida pudesse preencher esse vazio infinito que tinha e de repente poder superar todo isso e seguir a vida, e talvez ser feliz… Durante dias, meses, anos, décadas tive episódios de compulsão alimentar que duravam várias horas, geralmente no horário da tarde… Como minha mãe e meu padrasto trabalhavam o dia inteiro e só chegavam às 22:00 eu ficava a tarde inteira, depois de chegar do colégio comendo sem parar na frente da televisão… Nunca me senti cheia, podia comer toneladas de comida e nunca fiquei com a sensação de saciedade. Inclusive, neste momento da minha vida, com quase 40 anos, nunca a comida me enche. Geralmente estou com fome… Os abusos sexuais que começaram desde criança prejudicaram toda minha vida, em todos os sentidos… Estou completamente envelhecida e cansada… Muitas vezes tenho sentido o desejo de não existir mais, porque estou muito cansada da vida… Só consegui falar para alguém dos abusos sexuais quando tinha 18 anos e fui a consulta com psicólogo… Mas, eu não falei de abuso sexual… Eu falei que tinha começado minha vida sexual ainda criança… Foi a psicóloga que teve que me convencer de que eu não tinha iniciado nada, que eu fui obrigada, que eu fui abusada… Eu fiquei tantos anos meu culpando por tudo, como se fosse a maior pecadora do universo, de tal forma que tinha isentado a todas as pessoas do meu entorno de alguma culpabilidade de algo….E meu relacionamento com minha mãe sempre foi conflitivo, agressivo, péssimo… No meu interior sempre a considerei culpada por tudo o que aconteceu comigo. Eu pensava que se ela não era capaz de cuidar de uma filha não devia ter me tido… E ela uma pessoa tão dominante me tratava como uma boneca com a que ela brincava: queria que eu fosse exatamente como ela decidia, que eu usasse as roupas que ela escolhia para mim, que eu atuasse seguindo os comandos que ela me dava. Ela nunca respeito minha individualidade… E sim, dentro dessa individualidade estava incluída essa dor infinita que eu carregava… Eu era uma pessoa que carregava uma cruz que não me deixava me erguer… E ela com suas exigências e lições, apenas me colocava mais peso nas costas… Respeitar o outro significa respeitar também suas dificuldades, sua história, suas tristezas, seus dificuldades de lidar com a vida… Respeitar e amar implica também tolerar e deixar quieto… E também mostrar tanto amor que o outro sinta que pode contar com você de tal forma que pode compartilhar suas maiores desgraças e que você vai compreender e vai respeitar isso… Se não compreender, pelo menos vai escutar…. Algo que me agonia da minha mãe é que o tempo inteiro quer me dizer o que tenho que fazer e como tenho que fazer. Ela sempre está querendo dar milhões de conselhos… Não queiro os conselhos dela, talvez precise mas não queiro, porque minha vida foi rompida quando ainda era muito pequena, esses conselhos que ela me dá não contribuem em nada para consertar a parte da minha vida que precisa com urgência conserto… Estando bem emocionalmente e psicologicamente poderia assimilar melhor toda essa enxurrada de lições morais que ela me dá… E para completar o cansaço que minha mãe me causou, ela queria que eu fosse a sua melhor amiga e ficava me contado as confidencias de seu relacionamento com meu padrasto… Ele a traiu com frequência e ela queria que eu desde criança soubesse de toda a pestilência do ser humano…Eu já sabia, mãe… Só que não tinha confiança para falar para VOCÊ!! Então, eu cresci escutando como os homens são falsos, interesseiros, traidores etc… Além disso, eu já sabia por experiência própria que muitos deles apenas se deixavam levar por seus instintos sexuais e abusavam de crianças inocentes, como aconteceu comigo…

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  3. Eu tenho uma experiência estranha, não lembro se fui abusada namorei não lembro bem a idade mas sempre tive uma sensação estranha depois de 32 anos eu encontrei ele por telefone ,conversámos ele me falou que eu deveria ter 13 anos e ele 14, fiz muitas perguntas pra ele do que eu lembrava como por ex o primeiro beijo lembro bem entre outros carinho ele falou que durou 1 ano e 3 meses só que eu não lembro de muitas coisas isso dói muito hj tenho 45 anos más ao tentar lembrar me causa dor angústia medo, perguntei pra ele se agente fez sexo ele falou que não só que ele me assusta mas ele é sempre bem gentil comigo conversámos bastante só que isso é só com ele que foi meu primeiro amor pra mim o estranho mas ou menos 2 ou 3 anos da minha história que não lembro e isso me causa muita dor sensação de medo as vezes de desesprero sem saber o que houve, ele falou nada de más coisas de jovens apaixonado .Mas pra mim resta???? E vontade de fazer regreção pois meu desespero é muito grande por não saber o que houve com agente que não lembro, ele lembra de tudo me explica da melhor forma super carinhoso comigo. Mas o vazio e terrivel??

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  4. Ola,sou Juan. Sofri assedio durante toda mina infância e adolescência ,por dois tios e alguns outros caras. E um dos dois cara que deveria chamar de “Tio” me ameaçou ,caso eu contasse ou não aceitasse mataria minha mãe, “um tiro na cabeça”, acho que por isso tenho tantos sonhos com tiro na cabeça, inclusive hoje mais não vem ao caso. Hoje estou com 23 anos e nunca contei pra minha família ou amigos que passei por isso. Mais algo me diz que preciso e necessito contar essa parte da minha historia para eles, para de alguma forma isso sair da minha cabeça.
    A é ,isso só teve um fim, porque terminei o colegial e insistir pra morar em outra cidade. Então dos 4 aos 19 passei “por isso” não consigo encontrar uma palavra pra descrever isso!

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    1. Quando eu comecei falar do assunto minha vida começou melhorar, levo anos tentando sarar as feridas e ainda não consigo… mas, se não tivesse falado seria pior …

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  5. Fui abusada sexualmente por bastante tempo na infância pir um irmão, nunca consegui superar e ainda tenho problemas fe comportamento e psicológicos, já estou bem adulta e gostaria de ter atendimento psicológico se possivel.

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  6. Como procurar ajuda psicológica quando vc já está em fase adulta e ainda sofre consequências dos abusos sexuais sofridos na infância?? Me ajudem por favor.

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  7. Olá eu fui assediada digital por um garoto da minha idade 16 anos ,e ele começou a pedir meus Dados pessoais e esse garoto morava no Distrito Federal e depois ele tinha uma facebook sem foto sem nada mais ele era misterioso mais desconfio que não é um garoto.e eu agora estou com medo e essa é a primeira vez que sofri assedio digital

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  8. Anteontem eu fui assediada pelo meu primo,eu contei pra minha mãe e ela não acreditou em mim,ela tá com dó dele pq ele tá chorando e falando que não fez nada,MAS ELE FEZ!!! eu tô desesperada,ela não acredita em mim e eu não sei oq fazer! Tenho 13 e ele 21/22,por favor, alguém me ajuda…

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      1. Oi Juliana, que bacana se colocar disponível para ajudar.
        Você trabalha em algum serviço de proteção a vítimas de violência sexual, como o CREAS?
        Ela poderia entrar em contato com você através de qual endereço/via?

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  9. Muito obrigada Amanda e Ana Maria por compartilhar comigo a história de vcs sinto muito por termos passado por isso e ainda tento entender o que Deus quer nos ensinar através de tanto sofrimento mais tenho tentado viver um dia apos o outro tenho enxaqueca desde criança e hoje exatamente hoje pesquisando acabei descobrindo que estou asim por causa do trauma que passei tenho crises quase todos os dias fiz tratamento mais não resolveu outro dia minha irmã min falou de uma tal doença da alma e sei que isso continua min consumindo mais faz poucos meses que conheci uma irmã filha do meu pai de sangue e estamos nos dando muito bem ontem criei coragem pra contar pra ela e ela min disse que vai min ajudar espero que vcs também encontrem alguém pra desabafar sei que que vai ser uma grande jornada mais espero um dia superar tudo isso beijos meninas espero que fiquem bem

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  10. Tenho a abusoluta certesa do que digo!Fui vitima de abuso sexual em crianca e em jovem pelo meu pai e pelo meu tio,sou filha aprofilhada legalmente…ate hoje nao consigo durmi e sinto me injusticada…estou fora do terrotorio brasileiro,ainda reclamei com minha mae e ela bateu em mim e agrediu me mt…ate hoje nao consigo esquecer quero justica!NAO pedi para me adotarem mais valia ter me deixado com uma familia capaz…Pq isso deixa traumas mas tenho em mim foca metal…o que me sustenta e Deus e n s d Fatima.

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  11. Gratidao Doutora, tenho 32 anos e ainda não consegui sentar para conversar sobre isso com minha mãe. Conseguimos, eu e minha irmã, conversar sobre e isso me deixou ainda pior porque com ela foi muito pior…como lidar com minha mae me pedindo pra passar o fim de semana com meu filho e eu não saber o que dizer porque não, ele não poderia ficar sozinho com o vovô? Esperei essa atitude de minha mãe, mas não foi o que aconteceu. Sei que quando meu irmão descobriu contou para uma tia e a mesma falou com minha mãe… ela só me indagou “mas afinal o que aconteceu” mas na hora me senti tão julgada que preferi fugir da situação…sua mãe foi um exemplo de mãe! Certamente que está sendo muito bem cuidada por Deus!!! Que Deus a abençoe e a todos que estão lendo esse post, que suas feridas sejam cicatrizadas…
    Agradeço pela carta, pelas palavras…

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    1. Bem eu agora estou tentando fala para a minha mãe quê eu estou sendo assediada pelo meu padrasto e está sendo muito difícil e tou com medo quê me julguem eu não tenho culpa… Só queria quê as coisas fossem mais fáceis 😔..

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  12. Muito forte a carta, e otina atitude da sua mãe. Infelizmente acho que isso acontece em menor quantidade, de pessoas da família defenderem a vitima,geralmente a culpam, abafam o caso pelo abusador ser uma pessoa de casa. e vi isso no CRAS, sou técnica psicologa, acompanho uma família que ocorreram alguns abusos sexuais que vieram a tona depois de um abuso a uma menina de 8 anos, que a mãe decidiu não se calar, mobilizou a família maioria ficou contra, ela lutou com outra mulher da família, denunciaram foram ao CRAS, porem esse mês fazem dois anos e A JUSTIÇA NÃO FEZ ABSOLUTAMENTE NADA. Eu fui em delegacia explicar, cobrar, fui ao ministério publico e nada foi feito, não trabalho no CRAS que atende essa familia mas entrei em contato e a resposta sempre é que o caso continua na mesma, pedi urgência, pedi proteção a vitima e a resposta é nada.
    O QUE FAZER DIANTE DESSE DESCASO? A gente estimula a pessoa a denunciar, algo que não é fácil, e no fim só expõe a vitima, onde o caso fica conhecido pela cidade, gerando falatórios e apontamentos “a menina que foi abusada”

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  13. Realmente sua mãe foi uma heroína, eu queria ter essa sorte, sofri abuso a infância inteira e minha mãe não acreditava em mim, uma vez pegou uma cena e foi quando enfim parou de acontecer, ao invés me proteger ela me culpou eu não consigo lidar com isso até hoje e nunca vou perdoar ela

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    1. Tenho 26 anos fui abusada desde muito pequena eu e minha irmã mais a minha irmã logo cresceu e casou e eu fiquei acho que com ela não foi tão terrível como foi comigo as vezes era quase todo dia depois que minha irmã foi embora eu só podia sair se fizesse algo eu só ganhava as coisas se fizesse algo nossa era muito triste mais o mais triste era ter a minha mãe tão perto e mesmo assim ela nunca ter percebido ficar durante o dia trancada no quarto por um tempo com ele e ela não perceber sofrer muito com isso e acho que sofro mais agora já tive depressão e as vezes ela volta por esse motivo não confio em ninguém pra contar tenho vergonha de min expor não tenho coragem de contar pro meu marido acho que ele não saberia digerir isso sou evangélica mais mesmo assim não encontro paz minha vida sexual nem sempre é boa porque sempre min lembro de cenas ruins que passei essa é a primeira vez que falo com alguém a minha irmã sabe mais não falamos nisso nunca acho que isso deve doer nela também mais não tanto comigo estou sempre feliz prós outros mais triste bem triste pra min sofro tanto é nem sei o que fazer😢

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      1. Boa Tarde Joseane , eu tenho 21 anos , eu te entendo perfeitamente eu me sinto assim não sou casada mas eu sempre estou triste , sinto vergonha de mim , não consigo falar e nem me abrir com ninguém eu sofro sozinha. Eu queria superar , contei pra minha mãe com 12 anos de idade e desde os 7 anos meu padrasto abusava de mim, contei pra minha mae depois de muito tempo , mas só contei que ele me estuprou nunca contei detalhes como foi como me senti e ela nunca quis saber , eu so queria contar pra alguem como foi como eu estou me sentindo eu preciso seguir minha vida , sem sempre jogar meu sofrimento para isso. E esse dias fiquei sabendo que ele esta solto fiquei arrasada eu so queria que a justiça fosse feita.
        Começei a namorar com 16 anos de idade , mas depois disso não gostava que nenhum homem coloca-se a mão em mim , com 1 ano e meio tive que contar a ele o motivo que nao me sentia bem em relações sexuais e abrços e etc… Ele ficou abalado chorou achei que iria me entender e me ajudar a superar e principalmente me respeitar , mas com o tempo percebi que so eu sabia o que eu sentia que nao importa-se o que eu falas-e para ele , ele so queria satisfazer as vontades dele , e sempre me sentia mal. Esse ano no começo do ano foi o pior pois ele me forçou e eu me senti a criança de 7 anos que ficava paralisada e não tinha forças para nada , aconteceu comigo faz uns 6 meses e nunca contei pra ninguem , ele mesmo não percebeu que ele me machucou muito e revivi o meu maior pesadelo. Eu tenho muito de acontecer novamente , mas tenho que criar coragem para contar para minha mãe. A cada dia que passa eu tenho uma batalha com meu coração para eu ficar forte e não desmoronar. Tenho fé que deus vai trabalhar no meu coração e eu vo conseguir me abrir e ser feliz porque essa tristeza vai acabar acabando com minha vida! Um abraço beijos

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      2. Joseane,tudo bem?
        Busque ajuda de um profissional,estou com 49 anos e tenho nojo de algumas coisas que acontecem na relação de um casal.Quando eu estava casada não entendi que precisava de ajuda. Passei 17 anos casada e hj estou divorciada por outros motivos..
        Um abraço e Deus abençoe.

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      3. A sua historia e muinto parescida com a minha. A diferença e q na epoca eu e minha irma moravamos com ele na casa dele. Contamos ja com 18 anos alguns acredita outros nao da familia sab. Mas deus sab q tudo q acontesceu com vc e comigo e verdad e ele fara justiça…dói muinto neh….a minha mãe acreditou gracas a DEUS. Eu só to esperando uma oportunidade deu poder pagar um bom advogado pra eu e ela poder fazer ele pagar. Pq no público nao sao muinto agiu NÃO.

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    2. Meu nome e erica com 12 anos de idade o meu primo passou a me assediar varias vezes tentou me beijar a forca falava palavras que eu sintia com medo insegura e o pior foi que a minha familia nao ficou do meu lado eu ouvir muintas palavras que me machucou muinto .o agressor nao foi punido agora eu estou com 17 e continuar me enfernizando hoje eu pensei em suicidio eu nao estou suportando eu nao durmo a noite tenho pesadelo e tambem pra minha familia nao conto se eles nao me apoiaram quando mais precisei e o agressor saiu impuni eu desistir e outro primo comecou a passar a mao em mim e fazer chantagem emocional a eu comecei a desenvolver simdrome do segredo e ate panico foi dificil demais e ate hoje nao superei eu comecei a cortar o braço e conversei com a minha amiga

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      1. Nao se sinta assim nao. Faça como eu peca ajuda pra deus ele é fiel e fara com q eles pagam pelo mal q te fizeram.. deus t ama e eu tbm. Sou angelica. Faça como eu faz d conta q eles nao existem o ignorem. Eu ainda vou tentar por o q me abusou na cadeia se deus quiser. Vc sabia q vc ainda pode recorrer na justica pra fazer eles pagarem? Pois sê vc pode. Eu vou fazer isto tbm. Andei pesquisando e tive a informacao q sim.

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  14. Carta corajosa, Rozana. Parabens pela sensibilidade, clareza e objetividade de se expor e dar dicas preciosas para quem precisar. Parabens para tua mãe que deu o melhor dos exemplos para uma filha. E podes, hoje, testemunhar e ser exemplo para outras. Abç carinhoso.

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