Erradicação do Trabalho Infantil: aspectos socioculturais como barreiras


 Trabalho Infantil Blog Psicologia no SUASConsiderando que 12 de Junho é o Dia Mundial e Nacional contra o Trabalho Infantil, eu criei uma LISTA com sugestões de materiais sobre Trabalho Infantil  e para apresentá-la, elaborei um texto com algumas ideias e provocações sobre o Trabalho Infantil, porque entre tantos problemas sociais e desafios que enfrentamos no dia a dia do trabalho no SUAS, este é um deles.

O trabalho infantil é um problema de muitas e complexas dimensões, como: econômica, social, política, histórica e cultural. Compreendo que para se avançar com a erradicação do trabalho infantil, precisamos romper com uma das piores dimensões: a sociocultural. Esta se torna a mais difícil de romper porque envolve educação, formação cidadã e subjetiva dos indivíduos e consequente mente da coletividade.  A desigualdade social, como sabemos, não é objetiva e não pode ser considerada só pelas questões econômicas, porque perpassa pela discrepância no acesso e usufruto de TODOS os Direitos Humanos.

A questão sociocultural,  torna-se uma barreira na implantação e implementação de ações de erradicação do trabalho infantil, quando os operadores/agentes públicos, privados e sociedade civil naturalizam a pobreza e os fenômenos da desigualdade social. Vou exemplificar com dois agentes: Muitos professores, desde o Ensino Fundamental e trabalhadores sociais (com formação de nível médio e superior), reproduzem o discurso que “é melhor trabalhar do que ser arruaceiros ou roubar”, “o trabalho educa e disciplina”, “eu trabalhei e não morri por isso”. Discursos que revelam a reprodução do aspecto cultural e social da naturalização e perpetuação da pobreza, além da incompreensão sobre os riscos mais imediatos aos quais as crianças e os adolescentes ficam expostos, como desproteção, evasão escolar ou baixo “rendimento”, violência sexual, aliciamento para o tráfico, atropelamento, mutilamentos, e de forma ampla, se mostram alheios aos impactos e consequências do trabalho precoce no desenvolvimento físico e psíquico.

O Brasil ainda tem 3,2 milhões de crianças e adolescentes trabalhando (FNPETI) – Dados da PNAD de 2013. No mundo cerca de 168 milhões de crianças estão presas ao trabalho infantil – Dados do relatório World Report on Child Labour 2015 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Divulgado no O GLOBO (10/06/15).

Como implantar ou implementar uma política na qual não se acredita? Se o trabalho infantil não fosse considerado crime, continuaríamos passivos diante deste cenário?

Antes de condenar a família que leva os filhos para feira ou para a plantação de tomate, ou aplaudir um garoto (a) que estuda de manhã e vende picolé a tarde na praça da cidade, deve-se repensar as próprias convicções e lacunas no conhecimento, para ter condições de desfazer esse rastro de violência nossa de cada dia.

Sobre este ponto da violência nossa de cada dia – longe de ser fatalista, mas sobretudo considerando os casos de violência que a proteção social de média e alta complexidade atendem, o ser humano é capaz de cometer atrocidades. Desde os primórdios e formação do que entendemos como sociedade hoje, existe violência entre os seres humanos. Os atos atrozes são imprevisíveis, por isso ficamos tão perplexos diante de crimes cometidos por pessoas consideradas “incapazes” de cometer tal ato. Esta reflexão é que me faz afirmar que o trabalho infantil é a pior forma de violência gerada pela sociedade. O ponto de ligação que tento tecer é que esta violência não é imprevisível, pelo contrário, é justamente o resultado da “canalhice” e incompetência do poder público, privado e desresponsabilização da sociedade civil.

O cenário com tudo isso acima, reforçado com os aspectos socioculturais e históricos sobre o que é ser criança e adolescente, com o que cabe a e na pobreza e acrescentando a inabilidade com o trabalho intersetorial, continuará servindo de palco para a exposição e evidência das piores manifestações da desigualdade social.

Quem foi que disse que as crianças são o futuro do País? eu já parei de reproduzir essa inverdade. E você? o que pensa sobre esse tema?

CliqueACESSE a Lista com sugestões – Trabalho Infantil 

Post atualizado em 13/06/15

5 comentários

  1. boa tarde rosana. você poderia me enviar materiais sobre as atribuições do psicólogo do cras. tenho duvidas sobre que trabalho devo desempenhar no cras que distingue do da assistente social. boa tarde e muito obrigada. Date: Thu, 11 Jun 2015 19:31:24 +0000 To: josenice.cno@hotmail.com

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    1. Oi Josenice!
      Que pergunta,hein? rsrs
      Fiz esta brincadeira porque muitos fazem esta indagação, mas há uma série de questões a serem entendidas antes de buscar esta resposta. O que não consigo transmitir nesta resposta. Enfim, isso é para dizer que não há um documento específico, na minha opinião é bom que não tenha mesmo. Acho que se você ler o Post abaixo, ficará um pouco mais claro sobre o que eu disse sobre pontos a serem desfeitos, desconstruídos, veja aqui:http://wp.me/pPtLP-wA
      Sugiro também:https://craspsicologia.wordpress.com/leitura-cras-e-creas/papel-do-psicologo-no-cras/ – lista com materiais do MDS, dos conselhos – CFP e CFESS, dentre outros

      Um abraço e seja sempre bem-vinda!

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  2. Boa Tarde! Sou Assistente Social e estou produzindo uma monografia do curso de Especialização, e o meu objeto de estudo é a criança, gostaria de saber se você tem material que possa contribuir com esse meu trabalho? Vou defender ” violência domésticacontra crianças”

    ATT. Rosélia Coêlho

    e: Thu, 11 Jun 2015 19:31:31 +0000To: roseliacoelho.11@hotmail.com

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