Da adesão à participação: repensando nossa relação com as(os) usuárias(os) do SUAS

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Antonio Ronaut
7 anos atrás

Tema pertinente.
Se possível, gostaria de trocar algumas idéias.
De fato, é necessário uma autoanálise constante no sentido de evitar essa postura enquanto profissionais (parecido com o que o psicólogo na clínica deve fazer).
A questão da participação do usuário ainda tem mais complexidades, e os fatores que vejo são a possibilidade de autonomia do usuário, as possibilidades de contexto ao seu redor, o que temos a oferecer (em termos tanto de serviço, escuta, orientação, como em termos materiais como lanche, espaço acolhedor, benefícios eventuais, carro para visitas, etc), bem como as cobranças do Ministério (que contabiliza número de famílias acompanhadas) e a própria volição do usuário.
Tem vezes que eu nem quero sair da minha casa para ver meus amigos! E acho que o usuário deve participar?!
Por vezes me pergunto se o próprio planejamento da Política não vê o usuário nesta lógica: “SE atendermos sua real necessidade, ENTÃO ele vai participar”. A gente acolhe a demanda, escuta ativamente, identifica fragilidades e potencialidades e propoe estratégias junto à família LOGO ela vai aderir ao acompanhamento… Não é tão simples assim (embora o esquema seja necessário).
Creio que temos que continuar tentando e discutindo.

Lívia de Paula
Lívia de Paula
Responder para  Antonio Ronaut
7 anos atrás

Comentário precioso o seu, Antônio. Realmente é de grande complexidade esse assunto. Meu objetivo com o texto foi tecer uma primeira provocação a respeito. Muito obrigada!

celina calça quadrada
celina calça quadrada
7 anos atrás

adorei a abordagem da autora, muito condizente com nossa realidade. percebo isso no meu trabalho, o discurso é conformista, voltado ao umbigo do profissional, que inclusive tem um papel mais parecido com o de juiz do que de trabalhador do SUAS, pois insere-se facilmente no modo julgador e culpabilizador em relação aos usuários. problematizar o termo aderir foi uma ótima forma de evidenciar a logica por trás das intervenções na assistência social.
ha uma diferença gritante entre responsabilizar e culpar, e nao percebo que os profissionais tem esse entendimento. ao meu ver, a responsabilização é uma forma ativa de promover autonomia, enquanto a culpabilização tem como função justificar a miseria, lavar as maos, e negar serviços.

Lívia
Lívia
7 anos atrás

Prezada Celina,

Agradeço o seu comentário. Sua reflexão vai ao encontro das reflexões que me fizeram escrever este texto. Continue nos acompanhando por aqui. Um grande abraço.

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