Sigo falando sobre o assédio moral no SUAS – agora de forma ampliada e institucionalizada

Início Sobre o Blog A autora Contato Serviços Supervisão Técnica On-line Sobre o Blog Início Sobre o Blog A autora Contato Serviços Supervisão Técnica On-line Sobre o Blog Olá, pessoal! Antes de tudo, quero manifestar minha alegria em poder continuar trabalhando com um tema tão relevante para as(os) trabalhadoras(es) e gestoras(es): a situação do assédio moral no SUAS. Mas agora, de forma ampliada e institucionalizada, por meio de uma pesquisa conduzida pela Coordenação-Geral de Gestão do Trabalho e da Educação Permanente, do Departamento de Gestão do SUAS (CGGTEP/DGSUAS/SNAS/MDS). Falar de assédio moral é também falar de saúde mental, de condições de trabalho dignas, de relações éticas, de gestão democrática e de cuidado com quem cuida e protege. É enfrentar um problema psicossocial grave que se manifesta nas fissuras do cotidiano, muitas vezes naturalizado, silenciado ou individualizado. Portanto, vamos continuar falando/conhecendo sobre assédio moral no SUAS? Tenho repetido por onde passo, em rodas de conversa e palestras que não podemos nos furtar de falar sobre temas difíceis, espinhosos e incômodos como é o tema de hoje. O assédio moral é um problema complexo, e por isso mesmo nos exige coragem, firmeza e delicadeza para abordá-lo em nosso cotidiano de trabalho. Precisamos olhar de perto, questionar, compreender as camadas de violência e as condições indignas de trabalho que ele encobre. Bora, não tenhamos medo do difícil. Este post é também um chamado especial às(aos) gestoras(es) do SUAS: falar sobre a ocorrência alarmante de assédio moral não é uma questão pessoal, tampouco deve ser personalizada ou reduzida às condutas individuais. Estamos diante de um problema psicossocial profundamente ligado às relações e às condições de trabalho. E o assédio pode ser ao mesmo tempo um fator de risco psicossocial e um dano real à saúde mental de trabalhadoras e trabalhadores. Por isso, compartilho com muito carinho e responsabilidade a realização da pesquisa nacional promovida pela CGGTEP/DGSUAS/SNAS/MDS, como parte da consultoria que estou desenvolvendo no âmbito do Projeto UNESCO 914BRZ3051. Venci na vida, né?! 🙂 O objetivo é: diagnosticar a situação do assédio moral no SUASProduzir documentos de orientação e Formação no escopo de Educação Permanente para prevenção e enfrentamento do problema do Assédio moral no SUAS. A pesquisa será realizada em duas etapas:Etapa quantitativa, por meio do formulário online (https://forms.gle/Jb9angyb8NNq6heRA). Etapa qualitativa, com entrevistas e grupos focais em todas as regiões do País. IMPORTANTE: todas as informações serão tratadas com o mais absoluto sigilo e anonimato. Nenhuma identificação será possível. Convido você a participar e divulgar especialmente para equipes de nível médio, fundamental e das entidades socioassistenciais, que muitas vezes enfrentam essas situações de forma mais silenciosa e invisibilizada. 🔗 Acesse o formulário e participe:https://forms.gle/Jb9angyb8NNq6heRA Por fim, destaco que encarar o problema de frente é o primeiro passo para transformá-lo. Precisamos conhecer os riscos e os danos, sim, mas com a mesma urgência, precisamos conhecer e criar fatores psicossociais de proteção no ambiente de trabalho, mesmo diante das condições tão degradantes que marcam o mundo do trabalho em nossa realidade capitalista. Vejo vocês em breve. Com afeto e saudades,Rozana Fonseca – @psicologianosuasPsicóloga e autora do Blog Psicologia no SUAS Fonte: Blog Rede SUAS

Linha do Tempo: uma metodologia viva para trabalhar histórias, vínculos e territórios no SUAS

  Antes de apresentar o texto proposto no título, deixa eu falar com vocês, porque quem é vivo, sempre aparece! Ainda bem!! Depois de um bom tempo sem aparecer por aqui, volto com o coração cheio de entusiasmo para compartilhar uma nova contribuição. E é uma contribuição bem aguardada por mim. Sempre admirei o grupo que vou apresentrar à vocês hoje! Os últimos meses foram marcados por projetos, mudanças e desafios na vida profissional e, como acontece com muitas de nós no SUAS, às vezes é preciso se recolher um pouco para reorganizar, refletir e seguir em frente com mais consistência e sentido. Mas a vontade de estar aqui, trocando, nunca desapareceu. E é com alegria que compartilho com vocês uma ferramenta que, espero, poder inspirar, apoiar e fazer sentido na prática na assistência social. E aproveito para dizer que o projeto no Substack continua de pé! Vou escrevendo à medida que for possível, sem pressa, mas com muita vontade de seguir contribuindo. E como prometido: os textos e contribuições de utilidade pública continuarão com acesso 100% livre pelo BPS e pelo Substack, porque compartilhar conhecimento é, também, um ato político e um compromisso com o fortalecimento do SUAS. Aproveito para agradecer ao Coletivo Articulando Redes, em especial, à Márcia Mansur, pela confiança em dividir essa contribuição por meio deste espaço potente e ainda necessário que nunca perde o jeitim especial de juntar gente do SUAS (ainda mais de Minas!!). Tomara que a proposta circule, se espalhe, chegue a muitos territórios e que possa ser adaptada, reaproveitada e fortalecida por cada profissional que encontrar nela uma inspiração ou um ponto de partida. Vamos ao texto: Linha do Tempo: uma metodologia viva para trabalhar histórias, vínculos e territórios no SUAS, Por Márcia Mansur Saadallah – Coletivo Articulando Redes A história de um território é, em essência, a história das pessoas que o habitam. Cada rua, praça e cada cantinho guarda memórias que, quando compartilhadas, fortalecem os laços comunitários e promovem uma compreensão mais profunda do coletivo em que vivemos. Uma maneira criativa e dinâmica de explorar essas histórias é através da construção de uma linha do tempo coletiva. Esse texto apresenta a metodologia Linha do Tempo, uma ferramenta desenvolvida pela professora Márcia Mansur Saadallah, criada para fortalecer o trabalho com narrativas, memórias e vivências territoriais. . Desde a sua criação, a metodologia tem sido aplicada em diferentes contextos e projetos com o propósito de fortalecer vínculos, promover refl exões coletivas e valorizar as vivências locais. Nos últimos oito anos, o Coletivo Articulando Redes1 tem difundido e aprimorado essa prática em parceria com profi ssionais, comunidades e territórios da Proteção Social Básica e Especial do SUAS em Belo Horizonte e região metropolitana. Ao longo deste percurso, a Linha do Tempo tem se mostrado uma potente estratégia para estimular a participação e integração de pequenos grupos. Utilizada em campanhas, eventos, ofi cinas e ações comunitárias, além de formações com profi ssionais da Assistência Social, a Linha do Tempo é uma técnica que possibilita versatilidade na execução para melhor adaptação ao contexto. Pensando nos objetivos da política, especialmente nos objetivos que tange às ações desenvolvidas pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) e no Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), esta técnica visa o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, a promoção da escuta e valorização das histórias de vida das/os usuárias/os. Também favorece a promoção do acesso a direitos e a formação de territórios mais protetivos. Essencialmente pensada para o trabalho com grupos, a partir da partilha de relatos e da reconstrução das trajetórias pessoais, os participantes ampliam sua compreensão sobre suas próprias histórias, além de compartilharem vivências comunitárias e territoriais. Nas experiências do Coletivo Articulando Redes, a Linha do Tempo é o primeiro momento de integração do grupo: é a acolhida, o início da formação de laços, quando cada pessoa ainda não se reconhece parte de um coletivo. Cada participante chega com suas próprias ideias, sentimentos e objetivos para o encontro – memórias que, juntas, começam a compor uma narrativa comum. Para facilitar a compreensão e a replicação da técnica, apresentamos abaixo uma fi cha ilustrada com o passo a passo detalhado de sua aplicação. A partir das histórias individuais, tecidas no chão comum do território, criam=se histórias coletivas. Ao organizar as narrativas e os acontecimentos em uma sequência temporal, começa a ganhar sentido o território vivido pois se encontram na similaridade com a história do outro, no reconhecimento de cenários, nos fatos históricos, nas lutas comunitárias, nas desproteções e riscos, nas proteções e potencialidades, na solidariedade e no comum. Dessa forma, a ferramenta fortalece o sentimento de pertencimento e os vínculos entre os sujeitos, estimulando o diálogo, a troca de saberes e a valorização das histórias de cada indivíduo. Isso permite que compreendam seu papel dentro do grupo ou comunidade, contribuindo para a construção e o fortalecimento de uma identidade coletiva (KOGA, 2011). O uso da Linha do Tempo enquanto uma técnica para trabalhos comunitários também contribui para a formulação de estratégias mais alinhadas às realidades locais. Ao registrar memórias e vivências em determinado espaço, é possível compreender melhor as transformações dos territórios e as necessidades das comunidades, possibilitando intervenções mais efi cazes e colaborativas. Quando um grupo de pessoas se reúne para discutir seus problemas, muitas vezes sentidos como exclusivos de cada um dos indivíduos, descobrem existirem aspectos comuns, decorrentes das próprias condições sociais de vida; o grupo poderá se organizar para uma ação conjunta visando a solução de seus problemas. E aquelas necessidades, que sozinhos eles não podiam satisfazer, passam a ser resolvidas pela cooperação entre eles. (LANE, 2006, p. 69) Sendo assim, acredita-se que esta técnica também possibilita o que se pode chamar de “micro-vigilância”, ou seja, a análise e diagnóstico mais próximo da situação e realidade do território e suas ruas, bairros e vizinhanças para intervenções mais apropriadas aos contextos. A Linha do Tempo pode ser um importante disparador de refl exões que se desdobram em ações e

Aos 15 anos, o BPS debuta uma nova jornada: virou newsletter

Newsletter: Publicação periódica enviada por e-mail que reúne informações, atualizações e textos. O objetivo é manter uma escrita mais aprofundada, humanizada e pessoal – algo que não consigo fazer nas redes digitais, como o Instagram – e reforçar as críticas e proposituras que já são minha marca registrada. Minha intenção é engajar e informar colegas psicólogas/os e demais profissionais que quiserem chegar. 15 anos!! Uma década e meia de uma história costurada no exercício da minha profissão. Ainda estudante, eu almejava ser uma psicóloga ativa, interessada e interessante. Hoje, sou uma psicóloga orgulhosa da minha trajetória, mas ainda muito exigente na autocrítica. Eu queria ser inteligente, mas sou apenas esforçada. O fato de ter começado a estudar somente aos oito anos de idade (na zona rural) pode explicar muita coisa; no entanto, agora sei que não é só isso. Mas o fato é que estou sempre tentando reduzir algum atraso, veja que coisa! — Em outra ocasião posso falar mais a respeito. A esta altura, você pode ter percebido um certo pessimismo temperado com uma dose de drama. E você observou bem. Sempre me impressiona como algumas pessoas entregam pouco e, ainda assim, se vangloriam do que fazem. Com a “tiktokrização” do mundo, a superficialidade na abordagem de temas inerentes à Psicologia e ao cotidiano se torna ainda mais evidente. Não tenho coragem de ser medíocre, nem quero — posso até sê-lo sem saber, mas aí já é outra história! Por isso, hesitei em continuar escrevendo para o BPS. Este é apenas um dos motivos que me levaram a diminuir a frequência de publicação. É preciso ser sincera: mesmo com o advento avassalador das redes digitais, o blog continuou recebendo visitas e acessos aos textos e materiais publicados. Ou seja, havia espaço para seguir existindo e alcançando quem também não aprecia mediocridade. Mas eu me irritava cada vez mais ao me deparar com cópias descaradas de meus textos ou dos textos das profissionais colaboradoras que publicaram no blog por um bonito período. De vez em quando, surgem plágios e ideias copiadas sem o menor pudor (houve uma conta que publicou uma imagem que criei exclusivamente para o BPS — eu, na minha “loucura” de edição do blog, chegava a produzir até imagens!). O argumento da pessoa foi que a imagem poderia ter sido gerada por IA e que ela não conhecia o BPS. Medíocre! Ela já havia utilizado trechos de outras imagens e textos do BPS em seus cursos. Dias atrás, inscrevi-me em um curso cujo tema era quase idêntico a um dos meus textos de maior alcance no blog. Entrei desconfiada e saí convicta de que a pessoa lera o texto que escrevi, mas não foi capaz de citá-lo como referência. As pesquisadoras também me irritaram muito por um tempo. Hoje entendo melhor, mas ainda assim é possível diferenciar quem é medíocre de quem é parceira e reconhece o trabalho pioneiro do BPS — um espaço que se mostrou mais relevante para o suporte a profissionais que ingressaram no SUAS do que muitas produções científicas precárias publicadas por aí. Mas, é claro, as revistas científicas não vivem apenas de publicações precárias! E é muito gratificante perceber que determinada pesquisadora se baseou em reflexões do BPS, identificou lacunas de pesquisa e as colocou em prática. Isso é lindo e engrandece o BPS, pois não é à toa que, mesmo sem atualizações há meses, ele ainda é lembrado e acessado por tantas trabalhadoras, professoras e pesquisadoras do SUAS. A seção de lamúrias acabou! Agora quero enaltecer a grandeza deste feito, tanto profissional quanto pessoal. Dois momentos me fizeram acreditar que o BPS era para valer, que havia tomado uma proporção de reconhecimento jamais imaginada. O primeiro foi quando fui convidada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), em 2013, para participar de uma transmissão ao vivo ao lado da profa. Lúcia Afonso e de uma representante do MDS. (No mundo pós-pandemia, lives com as/os ícones da Psicologia e do SUAS são comuns, mas, naquela época, eu procurava vídeos de Ana Bock e de outras referências, e ficava indignada por não encontrar quase nada.) Vale registrar que retomar as produções de Lúcia Afonso, estudar Bader Sawaia e Maria da Graça foi a astúcia mais acertada para eu não me sentir sozinha, nem “menos Psi” por iniciar o trabalho no SUAS. O segundo momento foi quando Marcus Vinícius — isso mesmo, o Matraga — seguiu a página Psicologia no SUAS no Facebook. Aquilo foi a glória, mas também, para não perder o costume, pensei: “Poxa! Se nem Marcus Vinícius tem as respostas, serei eu que as terei? Tá difícil, hein, profs?” (risos envergonhados). O segundo me remete a outro episódio, que integro neste texto como bônus: quando participei da mesa de lançamento do livro de Luane Santos. Naquela época, conhecer uma autora de livros era considerado um feito surreal. Eu havia divulgado o livro no BPS e ele super bombou! Daí em diante, surgiram muitos encontros genuinamente orgânicos e potentes. Quanta beleza cabe em um trabalho produzido com honestidade e ética! Houve também muitos erros, sobretudo de escrita, fruto da minha limitação à época. Ainda assim, nunca escondi que o blog surgiu como uma meta pessoal para melhorar duas áreas da minha vida: a organização e a escrita. A organização ainda não consegui aprimorar: neste momento, meu PC deve ter umas sete cópias da tipificação, além de dezenas de materiais repetidos em múltiplas pastas e unidades de armazenamento. Quanto a escrita, posso dizer que melhorei bastante e sigo avançando. Entre lamúrias e vitórias, tenho muito a dizer ainda; por isso, quero continuar a escrever sobre o que me encanta e espanta ao longo da minha caminhada profissional. Contudo, estou mais amadurecida e pretendo atrair leitoras e leitores mais solidários e engajados; definitivamente, não quero usurpadoras(es). Para você que acompanha meu trabalho pelo Blog Psicologia no SUAS ou que está chegando agora, poderá continuar acompanhando, interagindo e se inspirando com minhas ideias por meio de um novo espaço – o Substack –, que garantirá

Assédio moral na Assistência Social- Dissertação Rozana Fonseca (PPGES/UFSB)

Eis um excelente motivo pra eu tirar a poeira deste amado espaço que já foi intensamente utilizado para divulgar materiais sobre o SUAS, sobre o fazer nos serviços socioassistencias e algumas produções científicas: a publicação da minha dissertação de mestrado desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade pela Universidade Federal do Sul da Bahia (PPGES/UFSB). É emoção pura conseguir desenvolver e divulgar uma pesquisa inédita no campo da assistência social e com um tema tão caro para a vida pessoal e profissional de mais de 400.000 mil trabalhadoras do SUAS. Eu me sinto realizada porque é este blog que me levou a produzir uma dissertação com tamanha envergadura, o alcance nacional só foi possível porque este blog já foi lido pelo Brasil inteiro. A pujança e excelência da dissertação só foi alcançada porque eu tive a grata oportunidade do encontro com uma orientadora tão maravilhosa e proativa que marcou a primeira reunião comigo já mencionando que viu que eu tinha um blog. Obrigada, professora Sandra Nunes!! Temos, assim, uma produção intelectual, que embora seja robusta, cumpre apenas o passo inicial que deve anteceder muitos outros para verdadeiramente conhecermos o fenômeno do assédio moral no contexto do SUAS e das suas condições adversas de trabaho. Assim como, precisamos conhecer e dar visibilidade às consequências dessas expressões do mundo do trabalho, mas também de relações interpessoais e sociais extremamente degradadas. O SUAS não pode mais decidir não falar sobre essa violência; a assistência social não pode mais prometer proteção social através de trabalho indecente! A dissertação Assédio moral na Assistência Social: Um estudo com trabalhadoras do SUAS sobre o fenômeno e sua relação com o trabalho precarizado está disponível no repositório da UFSB – para acesso, clique AQUI Obrigada especial às trabalhadoras/es que participaram da pesquisa! A pesquisa já foi apresentada neste Seminário, clique para assistir!

“A essencialidade da(o) trabalhadora(o) do SUAS” é o tema principal do I Seminário do Fórum dos Trabalhadores do SUAS Contagem 

O Seminário será realizado no dia 19 (quarta-feira) de junho de 2024Horário: 8hLocal: PUC Contagem – Rua Rio Comprido, Cinco, Contagem/MG Cumprimento o Fórum Municipal de Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social de Contagem/MG pela realização do evento e também aos demais apoiadores, porque transformar em realidade uma atividade dessa envergadura não é simples, exige esforço coletivo e muito trabalho. Obrigada ao FMTSuas Contagem pelo convite para apoiar este evento tão importante! Desejo sucesso e que seja muito proveitoso. Vejo vocês em breve! 🙂

NÃO DÁ PARA ACREDITAR NO SUAS

SE: Achar que o SUAS é que vai acabar com a pobreza, que o SUAS vai acabar com as desigualdades sociais (raciais), se você achar que o SUAS é um meio complementar à outras políticas que não fazem o que elas deveriam fazer. Se achar que o SUAS é política pra ações que são de políticas de esporte cultura e lazer. Se não endereça ao SUAS o que ele, de fato, encomendou. Estão enviando encomendas para o endereço errado. Acontece que certos carteiros/as do SUAS, de um lado, acreditam que deve atuar banhados/as pela bruma da bondade, do “trabalhar por amor e pela causa da pobreza, por outro, pelas lógicas de destrato com a coisa pública, mantendo sempre uma caixa de correios aberta para impressionar os vizinhos que. Se achar que o SUAS é o único espaço socio-ocupacional público precarizado e marcado por inúmeras disputas de poder. Vocês já pensaram nas condições de trabalho da educação e da saúde? Só para citar essas duas. O ataque não deve ser ao SUAS, deve ser às relações sociais estranhadas que produzem esses tipos de precarização e adversidades. Se achar que o SUAS tem profissionais de nível superior cuja função é interceptar o acesso a benefícios e programas de supostos mentirosos. As farsas para ingressar em respostas materiais a desproteções sociais é problema de um estado cínico que está fazendo malabarismo para servir aos tubarões. Então, a bestagem em continuar fazendo “parecer social” ou inquirições moralistas, averiguações como meio para pessoas terem acesso a um mísero benefício impulsiona o próprio sofrimento – e pior, você nem sabe disso e ainda abraça essa materialidade do fazer “técnico” como a única maneira de justificar tua importância diante de quem pertenceria a outra categoria de gente.    A provisão não deve depender de decisão individual ou de equipe para que determinada pessoa acesse ou não um benefício ou programa – a exemplo do Programa Bolsa Família que tem suas regras consensuadas. É de se esperar que o BE, que quando colocado como oferta, já deve haver uma decisão institucional para o seu cumprimento. Portanto, se a gestão delega ações de obstrução como cortina com função de deixar passar só uma penumbra – só alguns raios de luz, o problema não é do SUAS. AGORA, DÁ PARA ACREDITAR NO SUAS SE: Se você acredita que as contradições entre capital e trabalho geram violências cotidianas que impactam vidas velhas e vidas que nascem agora, o SUAS é uma via de propositura de espaços possíveis de convivência e de relações para enfrentar processos que insistem em desumanizar pessoas e em colocá-las num limbo porque não geram valor. E isso é pouco? Para quem está construindo a revolução de amanhã pode ser. Mas, vale destacar que muitos que criticam o SUAS como sendo meio apaziguador das massas não estão construindo a revolução – só estão encastelados na academia. O SUAS é necessário num país que na pandemia foi obrigada a ver o tamanho da existência da fome – situação que nunca foi embora, mesmo que estivesse fora do mapa. Estar fora do mapa não significa que a fome não atinja um número inaceitável de pessoas. A fome não é diretamente respondida pelo SUAS, mas não podemos esquecer que é um problema transversal, assim, as consequências por viver nesta situação também é da assistência social. O SUAS não pode propor acabar com a violência, mas a proteção social é um meio de amparo e minimização das consequências do fenômeno e seus desdobramentos. O SUAS é necessário porque a mobilidade urbana não é para todos/as/es – algumas gentes, sobretudo as pessoas negras, são impedidas de acessar as cidades na sua integridade. Daí entra nossa capacidade de trabalhar a convivência social e comunitária. O pertencimento e a tomada da circulação que lhes é de direito. O SUAS é necessário porque há pessoas, famílias que não têm ou não terão a querência de cuidar de suas crianças, adolescentes ou idosos e por isso, a acolhida é resposta contínua pelo estado, assim como a construção de novas formas de acolher e cuidar. Agora, você pode ter desejos e vontades que não têm a ver com as especificidades do SUAS. Não há nenhum mal nisso, agora, tais especificidades só não deveriam ser confundidas com aquilo que não é o SUAS. Texto inspirado na pergunta recebida no @psicologianosuas (segue lá que todo domingo é dia de caixinha). Obrigada à colega do SUAS pela pergunta e por me mobilizar a escrever mais que um comentário.

Pesquisa sobre assédio moral no trabalho no âmbito do SUAS

Pesquisa de mestrado sobre assédio moral no trabalho na Assistência Social busca participantes voluntárias(os) que sejam trabalhadoras(es) do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A pesquisa é on-line via link do Google Forms e podem participar trabalhadoras(es) do SUAS de todos os cargos e níveis de escolaridade, de todas as regiões do Brasil. Veja como participar: Pesquisadora responsável: Rozana Maria da Fonseca, mestranda do Programa de Pós Graduação em Estado e Sociedade (PPGES) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Pesquisa sob orientação da Profa. Dra. Sandra Adriana Neves Nunes. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP/UFSB) e tem o objetivo de mapear o fenômeno do assédio moral no âmbito da assistência social – Sistema Único de Assistência Social – SUAS, visando investigar as suas relações com fatores sociodemográficos, condições de trabalho e percepção de trabalhadoras(es). Quem pode participar?As(os) voluntárias(os) devem ser trabalhadoras(es) do SUAS de todos os estados do Brasil e de todos os cargos e níveis de escolaridade, como por exemplo: motoristas, seguranças/vigias, serviços gerais, auxiliares administrativos, recepcionistas, orientadores sociais, educadores sociais, agentes sociais, oficineiros, coordenadores, gestores, diretores, técnicos/analistas, supervisores e outros cargos similares. O tempo de atuação no SUAS deve ser de no mínimo 6 meses. Como participar? Basta responder um questionário totalmente on-line por meio do link: Assédio moral no SUAS. A pesquisadora salienta que a participação é anônima e que o sigilo das informações será preservado e que a participante pode interromper sua participação na pesquisa a qualquer momento. A pesquisa conta com duas etapas, sendo possível participar somente da Etapa I.Sua participação é de extrema importância, pois ajudará na construção de conhecimento acerca do fenômeno do assédio moral no trabalho no âmbito do SUAS. Ao clicar no link Assédio moral no SUAS a(o) participante terá acesso ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para a sua aprovação. Após a leitura e seu aceite em participar da pesquisa, o preenchimento do questionário levará, em média, 15 minutos. Quer participar e/ou divulgar a pesquisa? clica aqui Para qualquer esclarecimento, entre em contato pelo e-mail: rozanafonseca@gmail.com Obrigada pelo seu tempo e disponibilidade!

“O SUAS que temos e o SUAS que queremos” no tema da 13ª Conferência Nacional de Assistência Social – o cansaço da retórica nos discursos de consolidação do SUAS

Oi pessoal, como vocês estão? A despeito de compromissos que me impedem a dedicação neste espaço como antes, sinto-me fazendo das tripas coração para ter motivação de vir aqui escrever. Esses últimos tempos têm me atingido desde as tripas – penso que por aí também, então, em um momento futuro quero vir aqui escrever sobre a queda, não livre, de minha desmotivação para estar aqui e nas redes sociais. Já adianto que não começou em 2018. Estou programando e estimando que consigo aparecer mais vezes por aqui em fevereiro, já que o blog fará aniversário de 13 anos. Vamos ao texto…. O objetivo do texto de hoje é problematizar as reiteradas “largadas” do SUAS/Assistência Social. Eu tenho um jargão que é; o SUAS já nasceu velho. É certo que o cerne das provocações que já realizei foram mais direcionadas às práticas como já escrevi em Velhas práticas no SUAS: uma crítica a partir da divulgação dos fazeres nas redes sociais e já falei em comunicações públicas como na live no SUAS Conversas da Ana Pincolini, O NOVO e o VELHO no SUAS, mas sinto que é o momento de refletir de maneira mais global sobre o sistema, pois, desconfio que esse eterno retorno explica uma insistência em falar de uma certa realidade almejando, em outra ponta, o que será, um dia, o SUAS – “Passa-se a assistência social esperando que disso resulte uma assistência social”.   Começo demonstrando que desde 2010 o slogan que destaco no título desse texto tem servido como máxima, relembrem: Esse discurso retórico com um eterno retorno a um estado de busca a um ideal me parece demasiadamente cansativo. Minha sensação é a de que há sempre alguém queimando a largada. Mas quem? Perguntar por isso agora a resposta é certa: Governo do Jair Messias. Mas, e o Michel Temer? E o que antecedeu a crise política de 2014 que se desenrolou com o golpe de 2016?  E a Emenda Constitucional nº 95 que impõe o novo regime fiscal que atinge violentamente as políticas sociais? E o contexto histórico-cultural que fundou e disseminou o que seria assistência social? A implantação do SUAS é suficiente para que ele e a assistência social resistam a esse conjunto de ataques? Por isso, a crítica é por acreditar que a retórica do discurso de consolidação estaciona o cansaço, banaliza análises de conjuntura, além de dificultar a travessia das crises. Toda crise, como a da redução sem precedentes no repasse e no financiamento que resultou em quase absoluto desmonte do SUAS, não deveria ser motivo para recuperar e repetir os mesmos lemas – a realidade não é mais a mesma de 15, 8, 4 anos atrás -, mas, poderia ser um disparador para se lançar um SUAS que saiba ler a conjuntura em direção a novas estratégias de tensionamentos e consolidação. Evitando, assim, circular pelos mesmos discursos áridos – permanecendo um novo velho. Resguardando o peso que toda essa crise da assistência social (e de outras políticas sociais) significa, pontuo que é possível dar visibilidade à potência do SUAS, precisamente, em meio a um turbilhão de acontecimentos políticos, econômicos, e de crise humanitária/genocídio como o que ocorre há anos na comunidade indígena yanomami e em outras comunidades indígenas que lutam por demarcação de terras – se intensificou como genocídio deliberado nos últimos 4 anos; e dos milhões que passam fome, o SUAS tem condição de lançar respostas mais assertivas e diretas. O SUAS, através dos serviços socioassistenciais é um dispositivo que impediu, durante a pandemia, que a tragédia fosse maior e que tivesse ainda mais pessoas em desproteção social Brasil à fora. Quando a educação não funcionou, quando a saúde mental também não funcionou, foram os serviços dos CRAS, dos Centros POP, dos CREAS, e das unidades de acolhimentos que acolheram as pessoas. Assim, a problemática do discurso do eterno vir a ser da assistência social, de um SUAS que existe lá no horizonte, acaba tendo efeito rebote, atrapalhando a consolidação cultural e social da Política Nacional e Assistência Social (PNAS), fato que reverbera em um cotidiano de trabalho em que trabalhadoras(es) engajadas(os) (a custo de muito cansaço) fazem das tripas coração para manejar os atendimentos e gestão. Não é coincidência que trabalhadoras(es) do SUAS não foram contemplados com a vacina contra a Covid-19 no início da fase de imunização e nem agora quando o SUS anunciou que a vacina entrará regularmente no calendário de vacinação do governo e que será destinada apenas à alguns grupos de pessoas. Nesse sentido, defendo que já temos O SUAS. O que queremos é que governos cumpram as leis, cumpram as normativas que regem a PNAS; que governos municipais e estaduais estabeleçam o compromisso de manter equipes suficientes para atender as demandas e necessidades de proteção social; que secretários municipais e estaduais estabeleçam pactos de articulação para que não fique à cargo das analistas socioassistenciais a tarefa hercúlea de promover acesso a direitos sociais de diferentes naturezas – tarefa que quando feita de maneira solitária e não institucionalizada certamente falha e falhará, deixando um rastro de frustração e sofrimento nessas profissionais e nas pessoas que precisam do acesso aos direitos. E é evidente, que queremos que o governo federal anterior seja punido pelo desmonte criminoso do SUAS, do SUS, da Educação, dos Direitos Humanos e de outras áreas. Por tudo isso, não é normal que trabalhadoras façam das tripas coração para operacionalizar o SUAS, por isso, é urgente que aprendamos a reivindicar, a não tolerar cortes de gastos como a EC 95, que seja inaceitável que uma equipe de CRAS seja responsável pelos três serviços da Proteção Social Básica e que ainda façam serviços de proteção especial; é impossível que uma equipe do PAEFI seja responsável por todos os Serviços de Proteção Social Especial de Média Complexidade e que muitas vezes ainda responde pela Alta Complexidade. Que seja inaceitável que uma dupla de profissionais seja responsável por todas as modalidades de acolhimento institucional. Por fim, minha chuva de ideias sobre o tema da 13ª

O MDS REESTREOU, MAS E O SUAS?

O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) não existirá com um golpe. Constatação que eleva a luta e a cobrança pela anistia como pautas constantes até as sombras do fascismo se dissiparem a ponto de não mais ameaçarem semeaduras inteiras de um futuro necessário e urgente para o Brasil. Assine a petição: CLICA AQUI Contudo, há um novo governo assegurando movimentos acelerados desde antes mesmo da posse – o restabelecimento da democracia tem pressa! Podemos lembrar dos discursos do Lula após a vitória nas eleições. Assim, defendo que cabe lugar para cobrar divulgações do MDS com ações que acenem para o SUAS em toda a sua grandeza, não acentuando somente o programa de transferência de renda e as articulações com os demais setores para enfrentar a fome – vale ressaltar que isso não é diminuir em nenhum tom a importância do que está sendo feito a respeito dessas pautas. A questão é que o SUAS é muito maior do que o que já foi mostrado, tanto na posse do ministro quanto nos dias seguintes. Meu pesar é que enquanto os demais ministérios correm para recuperar o descaso político e cultural sobre seus campos, a Assistência Social, através do MDS, ainda não comunicou ou fez aparecer o tamanho do SUAS de forma mais categórica. Creio ser importante porque o SUAS é um sistema gigante por duas vias, de um lado, a grandeza pela oferta de proteção social por meio dos serviços socioassistenciais, vislumbrando a integração com os programas e benefícios. Do outro, o sucateamento dos serviços e a desmedida precarização das condições de trabalho e dos vínculos trabalhistas. São mais de 600.00 trabalhadoras(es) do SUAS, mas diante de uma eventual exaltação desse contingente, lanço um questionamento: quantas trabalhadoras o seu município precisaria ter para dar conta de responder às situações de desproteção social? A precarização é tanta que é bem possível que uma parcela ínfima dos municípios saiba o tamanho das desproteções sociais que precisam enfrentar e garantir atendimento em tempo certo. Tais realidades precisam ser expostas e debatidas.   Portanto, que o MDS (como é bom escrever MDS novamente!) possa garantir visibilidade e propostas contundentes para que os CRAS, CREAS, CENTRO-POP e demais unidades, não sejam mencionadas na mídia só como endereços para cidadãos buscarem abrigo para assuntos genéricos. A Assistência Social é um dispositivo robusto que precisa ser falado e cuidado na sua concretude. Assista a posse que ocorreu no último dia 02: Para quem assistiu as falas durante a posse:

Visita on-line e intervisão sobre práticas no SUAS: um novo jeito de fazer o BPS

VAGAS FECHADAS para os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais! No momento, sem previsão de reabertura. Agradeço a compreensão! Encontro VIP com Rozana Fonseca Saiba o que é o Encontro VIP e como realizar a inscrição da sua equipe! O que é o Encontro VIP? É uma nova maneira que encontrei para continuar fazendo o Blog Psicologia no SUAS, pensando numa maneira mais interativa de me manter conectada com a práxis do SUAS Brasil à fora. VIP é a abreviação de Visita on-line e intervisão sobre as práticas no SUAS quediz diretamente sobre a proposta do Encontro. Estou chamando de visita porque será uma maneira de conhecer um pouco a realidade de cada unidade/serviço e dai conseguir conversar sobre as principais questões levantadas pela equipe durante o encontro.  Objetivos: Considerando os novos contextos de uso de redes sociais de conteúdo rápido e pouco uso de plataformas como blog, o objetivo do Encontro VIP é criar uma nova maneira de fazer o Blog Psicologia no SUAS,  porque eu acredito que estar em conexão com trabalhadoras do SUAS foi a principal motivação para eu criar o blog há 12 anos. Portanto, me atualizo inspirada no uso massivo de plataforma de reuniões on-line e também porque me ocorre que eu já fazia transmissão on-line (hangouts no Youtube) desde quando isso não era comum como foi a partir da pandemia. Agora, a diferença é que quero qualificar mais essa interação e tratar de situações mais especificas de cada cidade.  Quais são os ganhos para equipe? Ter a oportunidade de refletir sobre a prática e sobre os principais problemas enfrentados no cotidiano e de ampliar a visão sobre o fazer no SUAS; Promoção de diálogos em grupo na equipe; promoção de conversa entre equipe de analistas(técnicas) e a coordenação; promoção de diálogo entre coordenação e gestão sobre o aprimoramento do trabalho social; Aprimoramento das práticas; Fortalecimento do SUAS de acordo com as especificidades locais.  Quais são os ganhos para a mediadora/BPS? Manter o BPS ativo; continuar interagindo com trabalhadoras do SUAS; Ter oportunidade privilegiada de reflexão e construção de saber sobre o fazer no SUAS; Inspiração para escrita de textos ou outras produções sobre o SUAS; Construir parcerias solidárias de mobilização para o fortalecimento e defesa do SUAS, com o acréscimento de questionar sobre qual SUAS e quais as práticas defendemos. PS. No próximo ano vou divulgar minha pesquisa de mestrado e quero muito estar afinadinha com vocês para que me ajudem a alcançar as pessoas que poderão vir a ser participantes da pesquisa.  Com irá funcionar? Cada equipe terá um encontro via Google Meet (manhã ou tarde), com duração de 1 h e 30 minutos a 2 horas cada um. A atividade tem um propósito de ouvir e trocar sobre as principais dúvidas sobre os processos de trabalho social com famílias nos serviços do SUAS – da básica, média e alta complexidade – só a título de melhor compreensão, a atividade terá uma natureza parecida com uma “supervisão” em grupo, ou seja, não será realizado encontro com profissional individualmente, somente em equipe ( se não for possível a participação de todas/es, que seja ao menos com mais de 3 profissionais da mesma equipe. Lembrando, isso não é um curso!Como participar? A coordenação da unidade preencherá o formulário com os dados básicos da equipe e escolherá uma das datas disponíveis (manhã ou tarde) e aguardará o contato para agendamento de acordo com a ordem das inscrições e rodízio entre as regiões do País. PS: As apoiadoras ativas do BPS terão prioridade nas primeiras semanas dos Encontros, as quais seguirão os mesmos passos para a inscrição e termos para a realização do encontro. Terá algum custo para a equipe ou para a prefeitura? NÂO. Porém, me permita mencionar que essa atividade não deve ser lida como um trabalho voluntário ou trabalho sem remuneração e nem deve ser entendida como atividade de educação permanente ou de capacitação. Eu não sou contra a venda de serviço, obviamente, acho importante ter como pagar as contas! Só estou disposta a continuar fazendo um trabalho que me permita estar em conexão com outras trabalhadoras para continuar refletindo e questionando, sobretudo,  a minha prática e a minha profissão de um jeito solidário e mobilizador. Nestes 12 anos de BPS são incotáveis as horas gratuitas dedicadas ao blog, então, não se preocupem comigo, eu estou ciente do que estou propondo e está dentro do que eu acredito como ação transformadora a partir do status coletivo da minha profissão e sei que os meus ganhos não são necessariamente financeiros, mas eles existem e são muitos.  Sobre o uso dos dados do formulário: Os dados do formulário não serão divulgados em hipótese nehuma. O único objetivo é de formalizar a realização da visita on-line e da intervisão através da inscrição. Além de ter valor de autorização e ciência dos termos de realização.  AVISO: A partir dos encontros podem surgir inspiração e ideias para escrita de textos ou post com reflexões sobre o fazer no SUAS, porém, informo que as produções seguirão os princípios éticos não expondo dados ou informações que identifiquem a localidade ou sujeitos da informação.  Sobre a realização e cancelamentos:  Acredito que eu tenha abordado as principais questões, mas, caso você tenha ficado com alguma dúvida me escreva para que eu possa conversar sobre elas com você: rozana@psicologianosuas.com Por último, recomendo que você converse com sua equipe para que ela esteja ciente do formato do Encontro VIP, além de garantir o planejamento das atividades para viabilizar o encontro para o maior número possível de trabalhadoras. Uma linda jornada para nós nesta nova etapa do BPS! Vejo vocês em breve com um lindo tour pelo seu trabalho!  Com alegria,  Rozana Fonseca Você pode realizar a inscrição aqui mesmo sem sair desta página ou clicar neste link AQUI [googleapps domain=”docs” dir=”forms/d/e/1FAIpQLSdbA3k76rIN3OReCBxj_iBShTYukGpuDiePEikK-lZJ1ikxJA/viewform” query=”embedded=true” width=”640″ height=”3791″ /] Instagram e facebook: @psicologianosuas

Gusttavo Lima, benefícios, programas socioassistenciais e você

O que tem a ver Tchê, tchê, tchê, tchê Benefício eventual e você Pega a situação. Dinheiro da saúde e educação sendo usado de milhões. Na Assistência Social só alguns tostões Então, não, não seja a pessoa que vai questionar porque a Maria, o José, o Enzo, a Valentina estão requerendo uma fatia de proteção social material pra sobreviver. Um naco sedativo que age como semblante para um esquema de manutenção de mi/bilhões nos bolsos de poucos não precisa de interceptação, mas sim de insurreição. Tatue isso na sua mente: Trabalhadora(o) do SUAS não é zeladora(r) do sono dos milionários e nem dos em ascensão em cargos de poder. Esses poderosos são especialistas em esquemas para aumentar a fortuna (olha os vídeos do sertanejo em questão de 2011 e depois olha os atuais….). É estúpido a gente comparar a vida dele e das gentes que diferente dele não têm direito a moradia, transporte, alimentação, saneamento básico, CULTURA, lazer, esporte…. O dele é direito? Não, né. Da pra ver que a fortuna deles, em relação às pessoas que usam o SUAS, o SUS a educação, não é alheia. Ela foi surrupiada…. E assim, enquanto que a fortuna que era pública passa a ser privada e colocada no status do mérito, o privado da pessoa pobre passa a ser público para ser controlado. Controlado! Por quem? Definitivamente, o problema da Assistência Social não é o aumento dos pedidos de benefícios e programas. O problema da assistência social, que também é da educação, da saúde, da segurança alimentar e nutricional, da cultura …. é porque alguns artistas ficam milionários enquanto que milhões de trabalhadores não têm o que comer ou onde dormir. Chegamos, portanto, na lição de que toda vez que trabalhadores do SUAS ousarem questionar a legitimidade de um pedido de uma pessoa pobre na Assistência Social – muitas vezes porque a gestão “mandou” reduzir a lista dos beneficiários, devem se lembrar do Gustavo Lima e desse monte de milionários e bilionários que “governam” o Brasil. Eles não vão vir ajudar em nada, mas pensar no Tchê, tchê, tchê, tchê pode servir para retomar o quão idiota é essa posição de frentista que insistem em colocar a(o) trabalhadora(r) das políticas públicas.

Implicações do descrédito de familiares à fala de crianças e adolescentes que sofreram violência sexual

A campanha referente ao 18 de maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes tem uma capilaridade significativa e pelo que é possível acompanhar pelas páginas nas redes sociais as atividades de serviços de proteção contemplam, sobretudo, escolas, passeatas e blitz educativa nas ruas que atinge transeuntes. Nas escolas e demais espaços, o foco em geral é educar as crianças e adolescentes a dizerem NÃO a pedidos e comportamentos violadores de suas partes íntimas e aos adultos, posso resumir, que se ensina habilidades para identificação de sinais de violência. Em que pese alguns formatos, nada de errado nestas estratégias, mas quero trazer um questionamento que tem base em duas publicações realizadas aqui no BPS e no Canal Youtube. Minha pergunta é se as discussões das campanhas têm chegado nas mães, nos pais, nas avós e avôs e em quem cuida de crianças e adolescentes no geral.  Basta focar em instituições e em profissionais e, sobretudo, nas potenciais “vítimas”? Como fazer o debate chegar às mães, aos pais, avós e avôs e outres responsáveis? Estas pessoas estão em suas casas, nas tarefas de reprodução social, nas faculdades, nas fábricas, nas indústrias, no comércio e em outros postos de trabalho. Eu acredito que é preciso criar estratégias de comunicação – em seus diversos tipos e veículos. Por que não criar campanhas com objetivos mais ampliados e com menos peso nas crianças e nos adolescentes? As campanhas atuais salientam que crianças e adolescentes saibam reconhecer a hora de dizer NÃO e direcionam ao adulto o roteiro de não fique calado, DENUNCIE. A questão é que muitas crianças e adolescentes saberão que dizer NÃO não será suficiente para parar ou evitar um abuso/violência. Vejam, eis que apresento agora a justificativa à minha proposição. Antes da pessoa adulta denunciar ela precisa acreditar no relato da criança ou adolescente. E sabe quem diz que não é tão fácil assim de serem acreditados? As pessoas, hoje adultas, relatam[i] suas experiências dolorosas por terem suas falas e experiências banalizadas ou silenciadas por quem, mais uma vez, deveria proteger e cuidar. Não só as pessoas adultas apontam isso, em um vídeo do Canal do BPS no Youtube[ii] onde compartilhei o curta “O Segredo”[iii] (está com um milhão e meio de visualizações) milhares de comentários que aparentemente são a maioria de adolescentes expõem que se sentem desamparados por não terem uma pessoa que acredite em seus relatos, deslegitimando seus sofrimentos – no presente ou no passado. A partir dessas interações no vídeo, eu resolvi escrever uma Carta aberta[iv] a essas pessoas com a intenção de conscientizar sobre a importância de falar com algum adulto quantas vezes fossem necessárias sobre o ocorrido, enfatizei que é preciso quebrar o silêncio. Contudo, passados cinco anos da publicação da carta eu continuo recebendo comentários públicos e privados sobre um aspecto da minha carta que me chama muito a atenção. O fato de ter sofrido várias tentativas de violência, não é o destaque dos comentários e consequentemente não é a origem do maior sofrimento de quem me escreveu, o destaque é o quanto eu tive “sorte” de ter uma mãe que acreditou em mim tão logo eu falei sobre as minhas vivências. São por essas pessoas e por acreditar que as campanhas do faça bonito precisam reconhecer que há uma dimensão ainda pouco explorada sobre prevenção e proteção à crianças e adolescentes que sofreram ou sofrem violência sexual que escrevo este texto. É urgente trabalhar com a dimensão da conscientização da pessoa adulta sobre as implicações do NÃO e do SIM que são dados quando lhes são reveladas situações de violência. Os manuais[v] referentes a escuta de crianças e adolescentes reforçam aos profissionais do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente a importância de se acreditar na criança, mas penso que devemos criar peças de comunicação e outros formatos de atividades que falem diretamente com as mães, pais, avós e responsáveis sobre as implicações do crédito ou descrédito ao que é verbalizado – ou comunicado de outras maneiras, sobre a vivência.   Reforço com o relato de que na minha prática como psicóloga no SUAS e no SUS, neste último atendendo pessoas adultas em intenso sofrimento psíquico, as situações mais severas tem a ver com o fato de que essas mulheres se sentem ainda desamparadas pela pessoa adulta com a qual compartilhou na infância a violência sofrida. O sofrimento persistente revela uma prisão ao fato de terem sido desacreditadas, de experenciarem o constrangimento por terem contado algo que ficará pairando no ar sobre a égide do fingimento e do silenciamento imposto por essa/esse outro adulto que deveria cuidar. Também não é raro relatos de que foram impedidas de buscarem “justiça” – por isso, vale inferir que as estatísticas sobre casos de violência sexual não revelam substancialmente a realidade. O segredo é muito comum quando a violência é intrafamiliar, mas é também significativo em outros contextos. Portanto, não me parece suficiente dizer à pessoa adulta que ela precisa denunciar – isso ela já sabe! Precisa mudar a narrativa e conscientizar que uma pessoa tem mais chances de sofrer e até adoecer severamente por não ter tido o apoio de um adulto cuidador do que pela violência sexual sofrida. A clínica é soberana em demonstrar que é possível ressignificar as agressões e a figura do agressor, ou no jargão psicológico, elaborar as marcas de uma violência sexual, mas é muito, muito difícil de lidar ao longo da vida com o desamparo frente ao menosprezo de uma dor ou de uma vivência tão angustiante e ambígua que registra na pessoa uma fenda profunda e indecifrável que a atormentará por anos sem data para cicatrizar. [i] Referência à minha prática clínica no SUS [ii] https://www.youtube.com/watch?v=CvQ8QU9MSPU [iii] Fonte e Disponibilidade no site SaberTV Gênero: Animação, Infantil Ano: 2005 – País: Coréia do Sul [iv] https://psicologianosuas.com/2019/05/19/carta-de-uma-psicologa-a-vitima-de-violencia-sexual/ [v] https://www.childhood.org.br/publicacao/guia-de-referencia-em-escuta-especial-de-criancas-e-adolescentes-em-situacao-de-violencia-sexual-aspectos-teoricos-e-metodologicos.pdf

II Mostra Nacional de Práticas em Psicologia no SUAS – etapa Sudeste

O evento está marcado para os dias 6 e 7 de maio. Programação Dia 6 de maio, sexta-feira 16h – Credenciamento 17h30 – Intervenção Cultural Com Anderson Lobo e Edu Santos 18h – Mesa de abertura 19h – Mesa temática “Gestão de riscos e desastres no SUAS: um diálogo com a Psicologia Ambiental” Palestrantes: Joari Aparecido Soares de Carvalho e Zulmira Bonfim Mediação: Márcia Mansur Dia 7 de maio, sábado 8h – Apresentação de trabalhos (sessões de comunicação oral) 10h – Roda de conversa “SUAS e o movimento de trabalhadoras(es): diálogo com o  FNTSUAS” Convidadas(os): Barbara de Souza Malvestio, Flávia Reis, Leonardo Koury Martins e Vanessa Brito Mediação: Fernanda Magano e Luanda Queiroga 12h –  Intervalo 13h – Rodas de conversa (concomitantes): “Atuação da Psicologia na gestão integral de riscos e desastres” Convidadas: Claudia Simões, Juliana Gomes, Luziana Morais, Maria Carolina Fonseca Roseiro e Renata Miranda. Mediação: Maria Júlia Andrade Vale “Articulações do SUAS com o Sistema de Justiça” Convidadas(os): Daniele Carmona, Fabrício Pereira, João Henrique Borges e Thais Vargas Mediação: Marleide Marques “Atenção à população de rua durante a pandemia da Covid19” Convidadas(os): Claudenice Rodrigues Lopes, Mayara Dantas, Samuel Rodrigues e Vanessa Brito. Mediação: Jéssica Isabel 15h – Intervalo 15h30 – Mesa temática “VÍNCULO, REDE E AFETO: avanços, desafios e construções da Psicologia no SUAS em tempos pandêmicos” Convidadas: Rozana Fonseca e Thaís Miranda; Mediação: Ivani Francisco de Oliveira 17h – Encerramento

Proteção social às pessoas em sofrimento psíquico que usam o serviço dos caps: o que cabe ao SUAS?

Rozana Fonseca* Thiago Santos** O Sistema Único de Assistência Social – SUAS, por meio da Política Nacional de Assistência Social – PNAS, inscreve, radicalmente, o que cabe ao campo da assistência social enquanto política pública, um dever do Estado. Tais marcadores impõem uma ruptura com a lógica de uma política compensatória e auxiliar a outros sistemas, tanto no âmbito do executivo, quanto no do judiciário. O desafio posto foi o de construir serviços, benefícios, projetos e programas que pudessem superar, de vez, o desprestígio da assistência social. Desprestígio alimentado secularmente pelas ações assistencialistas, pela falta de continuidade das ações, pela subalternidade atribuída ao público atendido. Por mais que as ações de caridade (ação social) fossem protagonizadas pelas entidades ligadas à elite, o desfecho sempre foi o de desprezo dessas elites às pessoas pobres e miseráveis. Desde meados dos anos 2000, após longos anos de lutas e de resistências pela efetivação da assistência social como política pública, a população brasileira conta com um sistema que organiza e descentraliza a política de assistência social em todo o território nacional – ressalvando as especificidades locais e regionais, tem-se no país uma rede socioassistencial capaz de prevenir, enfrentar e proteger sujeitos e famílias que vivenciam situações de vulnerabilidade social e de riscos sociais. Não é demais marcar – até porque isso será importante ao longo deste texto -, que muitas dessas vivências são provenientes das relações sociais resultantes de um capitalismo que massacra e empurra cada vez mais, a classe trabalhadora para a pobreza. A luta atual, sabemos, é para evitar um desmonte do que foi duramente fixado no campo normativo e legal, mas é bom não perder de vista a necessidade urgente de debater avanços no modo de processar a rede socioassistencial. Este brevíssimo e provocativo histórico da assistência social, é para introduzir este texto destacando que ao tratar da temática saúde mental no âmbito do SUAS não significa que se está propondo uma discussão e ação para além do que já é proposto no escopo dos objetivos e nas seguranças a serem afiançadas [i]pelo SUAS, a saber: acolhida; convívio ou vivência familiar, comunitária e social; renda; desenvolvimento de autonomia; e apoio e auxílio. (Brasil, 2012). Por conseguinte, convém reforçar que ao reivindicar o debate sobre saúde mental no SUAS[ii], não deve ser entendido como um acréscimo às atribuições das equipes, uma vez que as(os) profissionais já têm uma sobrecarga de trabalho, seja pelas equipes incompletas, ou pelas péssimas condições de trabalho e por ingerências dos setores de gestão. O que se propõe aqui é uma introdução quanto às responsabilidades do SUAS com os sujeitos (e/ou com as famílias) que estão em sofrimento psíquico intenso e que acessam, ou deveriam acessar os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS [iii]e serviços da Rede de Atenção Psicossocial – RAPS[iv]. A proposta é superar a pergunta jargão: o sujeito é de qual política? Não há um sujeito da Política Nacional de Saúde Mental – PNSM, outro da Política Nacional sobre Drogas – PNAD e outro da PNAS. Mas porque o SUAS não eleva seu olhar e sua escuta às pessoas em sofrimento psíquico? – A pergunta inversa deve ser feita também aos CAPS e aos demais dispositivos da RAPS. A integralidade e a intersetorialidade são objetivos e princípios postulados pelas políticas citadas acima. A fim de evidenciar especialmente alguns trechos que versam sobre articulação entre SUS e SUAS, destacamos:  A PNAD[v] traz com um dos objetivos: “Garantir o caráter intersistêmico, intersetorial, interdisciplinar e transversal do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas – SISNAD, por meio de sua articulação com outros sistemas de políticas públicas, tais como o Sistema Único de Saúde – SUS, o Sistema Único de Assistência Social – SUAS, o Sistema Único de Segurança Pública – SUSP, entre outros” (Brasil, 2019). Na PNAS está explícito que compõem os princípios organizativos do SUAS: “articulação intersetorial de competências e ações entre o SUAS e o Sistema Único de Saúde – SUS, por intermédio da rede de serviços complementares para desenvolver ações de acolhida, cuidados e proteções como parte da política de proteção às vítimas de danos, drogadição, violência familiar e sexual, deficiência, fragilidades pessoais e problemas de saúde mental, abandono em qualquer momento do ciclo de vida, associados a vulnerabilidades pessoais, familiares e por ausência temporal ou permanente de autonomia principalmente nas situações de drogadição e, em particular, os drogaditos nas ruas.”(Brasil, 2004). A PNSM[vi] apresenta um conteúdo mais operacional e organizativo, tendo menos foco em princípios e diretrizes, o que pode ser avaliado como decorrente das peculiaridades do contexto histórico e político. Contudo, as portarias subsequentes versam sobre intersetorialidade e por isso, consideramos relevante destacar o seguinte trecho da Portaria nº 3.588[vii], de 21 de dezembro de 2017 sobre o funcionamento no Art. 50-K. Compete às equipes:  (…) V estabelecer articulação com demais serviços do SUS e com o Sistema Único de Assistência Social, de forma a garantir direitos de cidadania, cuidado transdisciplinar e ação intersetorial. (Brasil, 2017). O destaque à relevância da articulação entre as políticas sociais faz-se necessário para evidenciar o quanto esses objetivos e princípios ainda não estão materializados na rotina da gestão e da execução dos serviços. As práticas intersetoriais nem sempre são consistentes, porque elas até funcionam, mas na instabilidade e a partir de relações pessoalizadas, ou seja, não institucionalizadas. As mais duradouras são mesmo carregadas de afetos e compromissos entre pares, contudo isso não se sustenta diante da alta rotatividade de gestores e equipes. Articulação e integralidade não são estratégias simples ou meramente operacional. Seus processos são complexos e podem ser constituídos por dimensões contraditórias e questionáveis ética e tecnicamente. Para problematizar, evocamos o Programa Crack É Possível Vencer, criado em 2010. Este que foi um programa altamente questionável quanto às ações articuladas com assistência social para retirar as pessoas em situação de rua e em uso abusivo de drogas, obrigando-as à internação, ao acolhimento, ou mesmo sendo obrigadas a voltar para suas casas. Numa lastimável ação de um programa que violava Direitos Humanos em nome de cuidado

Escuta especializada na Assistência Social: críticas e alguns apontamentos

Texto[i] com as questões discutidas na LIVE Escuta Protegida – para assistir clique aqui Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.         Sobre a Lei 13.431/2017 (Regulamentada pelo Decreto nº 9.603/2018) A lei da escuta protegida foi aprovada sem alcançar um patamar de consenso aceitável, ela é decorrente do PL nº 3792, de 2015. É sabido que processos legislativos que visam regulamentar políticas públicas, cujas ações perpassam por diferentes órgãos devido a exigência de articulação intersetorial porque deve-se considerar os princípios de integralidade e prioridade absoluta na proteção à criança e ao adolescente, são passíveis de tensões e disputas para tomada de ordenamentos teóricos e metodológicos diversos e até contraditórios no que se refere ao objetivo de proteção à infância. Não é novidade para os órgãos citados nos respectivos marcos legais que a legislação brasileira, no que se refere a proteção integral à criança e ao adolescente, tem notoriedade e reconhecimento nacional e internacional. Contudo, os campos de proteção, promoção e responsabilização do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA) carecem de qualificação das suas ações. Todos eles. Se tem um eixo em que todos esses órgãos se igualam é na ineficiência de implementação de políticas de educação permanente para aprimoramento das ações!   É válido pontuar que ter conhecimento e posicionamento crítico – e até contrário – sobre os recentes marcos legais não deve ser compreendido como desconsideração aos esforços de entidades, sociedade civil e governo para fins de proteção integral à criança e ao adolescente. A questão é que a lei direciona determinadas ações e algumas ficarão de fora porque serão incompatíveis ou demasiadamente contraditórias. A lei traduz escolhas bem conscientes que reverberam visão de família, infância e mundo.  Como trabalhadoras e trabalhadores dos órgãos de proteção nunca deixem de perguntar, a quem e a quais interesses atende determinada lei – ou até mais importante, como os legisladores e operadores das leis têm tratado as demais áreas que visam proteger e garantir o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes? Será compatível reforçar leis que rezam sobre assuntos tratados há 30 anos, mas que não saíram do papel por falta de destinação adequada de recursos orçamentários, falta de implementação de políticas de educação permanente e de compromisso do estado com concursos públicos? Descompromisso público que será agravado com a emenda constitucional 95, cuja aprovação e vigência são escárnios para o campo de ações de prevenção às violências contra crianças e adolescentes. Resgato aqui a distância entre a legislação e ao implementado na prática porque quero pontuar que a lei 13.431/2017 sofreu e sofre várias críticas porque a constituição federal, especialmente no artigo que abre este texto e o Estatuto da Criança e do Adolescente já propõem ações integradas, estas orientadas pelo princípio da prioridade absoluta como dever do Estado. A lei foi intensamente tecida e aprovada por pressão de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) – sabemos que uma OSC com estatura e respeitabilidade internacional pode facilmente imperar seu interesse junto ao ordenamento do Estado. Principalmente quando a conjuntura estatal impõe uma notória fragilidade nas instituições de controle social e de participação popular. Assim, é válido resgatar que os espaços que visam alcançar legislações e políticas públicas que venham, de fato, garantir direitos e beneficiar milhões de interessados, precisam se valer da prerrogativa democrática do amplo debate.    Relação SUAS e órgãos de investigação e responsabilização Faltou debate na elaboração e aprovação da lei 13.431/2017.  Faltou tanto que o Decreto 9.063/2018 que tinha o objetivo de aprová-la, precisou vir com uma redação retificadora. Redação que não muda substancialmente o rumo das críticas, mas traz esclarecimentos importantes, como quando descreve melhor sobre do que se trata a escuta especializada. Para os operadores dos órgãos de proteção, estes que, não raras vezes,  sofrem pressão e ações de cunho autoritários por órgãos de investigação e responsabilização, é fundamental ter ampliado a diferenciação de escuta especializada do procedimento de oitiva denominado depoimento especial, possibilitando maior segurança para um posicionamento ético-político e técnico frente às diversas solicitações equivocadas.   Depoimento especial Art. 22. O depoimento especial é o procedimento de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária com a finalidade de produção de provas. Art. 25. O depoimento especial será regido por protocolo de oitiva. (lei 13.431/2017) Não é objetivo deste texto tratar sobre este procedimento, mas é fundamental que este conceito e prática não sejam confundidos com escuta especializada, como exposto acima. Pontuo que é relevante acompanhar as disputas institucionais e técnicas em relação ao procedimento do depoimento especial realizado hoje pelas nossas colegas psicólogas e assistentes sociais nos tribunais e que tem recebido significativas críticas e sendo pauta nos conselhos de classe e de outras instituições e associações de trabalhadores para romper com a lógica do ônus da prova atribuído à criança e ao adolescente e que atribuem às profissionais treinados com técnicas para fazer emergir a verdade desses sujeitos que estão em tenra idade – como se isso fosse garantido! Para aprofundar sobre a polêmica do depoimento especial, sugiro o evento realizado pelo Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG): “Depoimento especial: um impasse entre a escuta psicológica e a inquirição, confiram na íntegra aqui: https://www.facebook.com/watch/live/?v=1506100502793068&ref=watch_permalink. Vale também conhecer a Recomendação nº 33 do CNJ de 30 de novembro de 2010 – Recomenda aos Tribunais a criação de serviços especializados para escuta de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência nos processos judiciais. Depoimento especial. Conheça o  Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense Escuta especializada Art. 7º Os órgãos, os programas, os serviços e os equipamentos das políticas setoriais que integram os

Assistência Social como um dispositivo de atenção psicossocial

Quem acompanhou o último Post Orientações a trabalhadoras/es e gestoras/es do SUAS – Cartilha Fiocruz já sabe sobre o Curso de Atualização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Covid-19 que foi ofertado pela Fiocruz e sobre a Cartilha lançada para atender a demandas das(os) participantes do curso em relação ao SUAS e a outros temas que foram ganhando força ao longo dos 16 módulos. Contudo, uma outra cartilha foi se desenhando a partir dos apontamentos que não foram possíveis ser contemplados na primeira publicação, e esta, especialmente, posso dizer que o afeto é maior porque tem contribuiçoes mais significativas minhas e porque pude participar do processo um pouco mais direto desde o início, juntamente com pessoas queridas que também estiveram na primeira cartilha para ajudar a escrever sobre o SUAS. Eu escolhi retratar no título deste Post, assim como fiz na aula aberta sobre o SUAS (você pode assistir aqui), o que considero de mais marcante nesta produção, a integração do SUAS ao IASC como um dispositivo de atenção psicossocial. INTEGRAÇÃO DO SUAS NAS DIRETRIZES DO IASC SOBRE SAÚDEMENTAL E ATENÇÃO PSICOSSOCIAL EM EMERGÊNCIAS HUMANITÁRIAS A Política Nacional de Assistência Social (PNAS) pode ser agregadacomo um dispositivo de atenção psicossocial às diretrizes do IASC sobreSaúde Mental e Atenção Psicossocial em Emergências Humanitárias.Espera-se, assim, que essa incorporação possa potencializar e darvisibilidade à capacidade de resposta à situação de pandemia noBrasil, evitando a sobreposição de ações e a descaracterização dosobjetivos da política pública de assistência social. A proteção socialpreconizada pelo SUAS encontra afinidade com o direcionamento doIASC, ao apontar que nas camadas da pirâmide, as principais tarefassão identificar, mobilizar e fortalecer habilidades e capacidades deindivíduos, famílias, comunidades e sociedades locais, ressaltando aimportância dos diferentes sistemas de atenção (IASC, 2020). Cartilha Fiocruz “SUAS na Covid-19: proteção social a grupos vulnerabilizados” – pág. 5 Juntamente com esta questão, entendeu-se a necessidade de aprofundar a discussão e a atenção para as temáticas dos grupos vulnerabilizados como população negra, população LGBTI+, pessoas com deficiência e os povos e as comunidades tradicionais. Assim, várias pesquisadoras e colaboradoras se debruçaram para esta que foi a cartilha de número 20 do curso! Espero que ajude as trabalhadoras/res e gestoras/res na construção de ações mais integradas e que as mesmas estejam mais em conformidade com as necessidades apontadas pelos e com os grupos que estejam demandando atendimento ou acompanhamento pela assistência social. Agradeço a Débora Noal pela oportunidade de participar de um trabalho desta relevância e a todas pesquisadoras e colaboradoras por esta jornada e construção conjunta! 🙂 Clique aqui para baixar a cartilha: SUAS e Covid-19: proteção social a grupos vulnerabilizados, Fiocruz, 2020 Para acesso a todas as cartilhas do curso, clique aqui

Funções da coordenação das unidades do SUAS

VERSÃO REVISTA, CORRIGIDA E ATUALIZADA EM JANEIRO DE 2021 [i] Problematizar e propor reflexões sobre os “bastidores” das funções do profissional que ocupa o cargo de coordenação nas unidades que ofertam os serviços socioassistenciais são os objetivos deste texto. As atribuições deste cargo nos CRAS, CREAS, Centro pop, unidades de Acolhimento Institucional para crianças e adolescentes, idosos e os demais públicos, estão elencadas em todos os cadernos de orientações técnicas das respectivas unidades – se você não conhece ou quer rever, veja o anexo deste texto. Quanto ao cargo e sua ocupação O cargo de coordenação está previsto na Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social – NOB/RH-SUAS 2006. A(o) profissional que exerce esse cargo compõe a equipe das unidades e deve ser, assim como os demais trabalhadores, concursada(o). Este é um ponto central, porque ao regulamentar a composição da equipe, o SUAS aponta as diretrizes para a desprecarização dos vínculos trabalhistas e visa romper com a rotatividade de profissionais, descontinuidade dos serviços e com campos fluídos dotados de interesses meramente políticos e pontuais. No entanto, passados dez anos do Sistema Único de Assistência Social – SUAS e algumas atualizações na Legislação e nos marcos legais – como Exemplo: Resolução CNAS nº 17/2011 e NOB/RH-SUAS comentada, o cenário é ainda carregado da velha política e do despreparo técnico daqueles à frente da Assistência Social nos Municípios. Acredito que a forma de admissão é a gênese de muitos problemas na composição das equipes. Não pretendo me alongar neste ponto, mas acho interessante ilustrar este parágrafo com trechos de duas Leis Municipais (disponíveis na internet) que cria, equivocadamente, os cargos de coordenação do CRAS E CREAS: O profissional que coordena uma unidade na rede socioassistencial é equipe técnica! Eu estou evidenciando aqui, sobretudo, os aspectos éticos e os desafios quanto ao relacionamento interpessoal para que seja trabalhado o surgimento e manutenção do trabalho ético político das equipes do SUAS, e mais uma vez, a coordenação não é cargo político, é técnico. Assim, quero recorrer a trechos da NOB/RH-SUAS Anotada e Comentada que foi elaborada pela Stela Ferreira em 2011. AS equipes de referência para os Centros de Referência da Assistência Social – CRAS [válido também para as demais unidades socioassistenciais] devem contar sempre com um coordenador, devendo o mesmo, independentemente do porte do município, ter o seguinte perfil profissional: ser um técnico de nível superior, concursado, com experiência em trabalhos comunitários e gestão de programas, projetos, serviços e benefícios socioassistenciais. Considerando que as equipes de referência são compostas por diferentes categorias profissionais, do ponto de vista da gestão do trabalho, a coordenação do CRAS [válido também para as demais unidades socioassistenciais] fomenta o trabalho articulado entre os profissionais, estimulando a troca de conhecimentos e a produção de novos saberes. Ao mesmo tempo, reconhece as necessidades de capacitação e formação continuada da equipe que coordena com vistas a superar dificuldades e melhorar a qualidade dos serviços. (NOB/RH-SUAS Anotada e Comentada, pág.31). A qualidade técnica dos serviços ofertados e a persistente caminhada nos trilhos da Política Nacional de Assistência Social e ao da ética, estão atreladas ao desempenho do coordenador, e como esta compreensão desencadeou este texto, vou me ater mais a estes aspectos, ou seja, às habilidades técnicas e interpessoais do profissional que exerce o cargo de coordenação no SUAS. De quais formações podem ser estes profissionais? A Resolução CNAS 17/2011 cita nove categorias que poderão compor a gestão do SUAS: Assistente Social; Psicólogo; Advogado; Administrador; Antropólogo; Contador Economista; Economista Doméstico; Pedagogo; Sociólogo e Terapeuta ocupacional (CNAS, Art.3º) – recorrer a esta resolução evitará que gestores elaborem Editais (quando elaboram e há concurso ou processo seletivo temporário) e estabeleçam que apenas pedagogos ou administradores, por ex., poderão pleitear a vaga de coordenador.  A gestão do trabalho, se bem implementada, será a grande aliada do gestor ao definir a (s) categoria (s) necessárias para as demandas locais, de acordo com o que já está regulamentado, para cada cargo de gestão na efetivação do SUAS no Município. Responsabilidades e compromissos qualitativos inerentes ao cargo Uma porcentagem significativa das fragilidades operacionais, técnicas e interpessoais enfrentadas pelos profissionais do SUAS carecem de intervenções por parte do coordenador – muitas vezes, as consequências de sua falta de habilidade/perfil para o cargo é que agrava a situação no campo de trabalho. Tenho inúmeros exemplos reveladores dessas situações (contatos via e-mail; supervisões técnicas e outras experiências, como a que relato a seguir: Em uma palestra realizada no VI Encontro de Gestores Municipais da Assistência social da Bahia, onde eu e mais duas profissionais proferimos sobre “Teorias e práticas no SUAS: reflexões e desafios para a atualidade”[iii] experenciei desdobramentos desses problemas. Ao longo do debate, após algumas perguntas, eis que surge uma bem afoita e direta: “os que vocês têm a dizer quando o trabalho não acontece porque as duas profissionais, assistente social e psicóloga, nem se falam”? a reação da plateia foi entre “dar de ombros”, burburinhos e alguns risos, como se dissessem: quem é essa soltando essa pérola aqui? Eu entendi que a pergunta dessa profissional tinha todo sentido. Mas a mesa também tratou de adiantar os pontos e dizer bem educadamente que ali não era lugar para tratar dessas questões rotineiras. Pelo andar da hora, foi impossível retomar a palavra e acho que se tivesse a oportunidade eu não teria falado algo significativo, tamanho meu sobressalto pela reação da plateia e da mesa. O que me fez pensar que a proposta da discussão talvez não tivesse alcançado o esperado. Mas o ato de fazer a pergunta pode suscitar alguma solução para aquela profissional, porque refletir sobre o trabalho ela já estava se permitindo fazer! Refleti o quanto aquela pergunta era reveladora das consequências da precarização dos vínculos trabalhistas e das relações de trabalho no dia a dia. Uma pena que ela não foi escutada e nem teve a fala valorizada. Este exemplo ajuda na reflexão e acentua que a coordenação, além dos desafios teóricos, metodológicos e operacionais/administrativos inerentes ao cargo, a habilidade para gerir pessoas

Manual de redação de documentos no SUAS: resenha

Resenha do livro: Palavras em Busca de Direitos: Um Manual de redação de documentos técnicos do Sistema Único de Assistência Social para psicólogas e psicólogos, de autoria de Érika de Oliveira Lino dos Santos, 2024. Não é exagero dizer que a produção de relatórios no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) está entre as maiores angústias e desafios para psicólogas(os) no SUAS. É nesse cenário que o livro Palavras em Busca de Direitos: Um Manual de redação de documentos técnicos do Sistema Único de Assistência Social para psicólogas e psicólogos, de autoria de Érika de Oliveira Lino dos Santos, apresenta-se como um guia precioso para quem deseja aprimorar esta tarefa. É um curso materializado em texto. Com uma linguagem fluida e propositalmente “falada”, a autora estabelece uma interlocução direta com a(o) leitora(r), deixando o conteúdo de fácil entendimento. Eu terminei a leitura e me perguntei: se alguém ainda fizer errado depois disso tudo aqui, podemos desistir? Erika é certeira ao enfatizar que um documento não é um fim em si mesmo, mas o reflexo de um processo de trabalho. Ou seja, se não tem registro e nem planejamento adequado dos atendimentos e acompanhamento, o relatório vira quase uma “invenção” descritiva. E isso, além de antiético, é perigoso. Acredito que por isso,  o livro reserva umas partes fundamentais: orientações minuciosas sobre o registro de atendimentos em prontuários e a construção do Plano de Atendimento Familiar (PAF). Erika enfatiza, com a propriedade de quem conhece o cotidiano das unidades, que a qualidade da redação técnica é indissociável da qualidade do acompanhamento. Se o controle e a consciência ética do que é realizado no dia a dia estão bem estabelecidos, a elaboração do relatório torna-se um desdobramento natural, prático e assertivo. É, portanto, um guia “à prova de erros” para profissionais que iniciaram sua trajetória no SUAS e que buscam parâmetros seguros para sua atuação. Um ponto de ruptura essencial que a autora promove é o afastamento de qualquer lógica punitivista ou fiscalizatória na escrita. Isso é muito importante, porque relatório não existe para criminalizar a pobreza ou julgar as dinâmicas familiares sob uma ótica moralista ou punitivista. Pelo contrário, como o próprio título sugere, as palavras ali contidas devem ser ferramentas para ampliar o acesso a direitos. O documento técnico assume seu papel de instrumento de viabilização da proteção social, ao traduzir as necessidades da família em requisições fundamentadas de direitos e provisões do Estado. Vale destacar que, mesmo quando se destina a comunicar suspeitas de violências, o documento não pode ele próprio operar de forma violenta, expondo, julgando ou constrangendo, por meio de violências simbólicas, morais ou institucionais, as famílias e as pessoas a quem deveria proteger. Portanto, não tenho dúvidas de que o livro irá ajudar você a aprimorar sua compreensão quanto a finalidade e produção de relatórios e documentos. Como disse, o livro cumpre o objetivo proposto, é muito prático. Fico, porém, na expectativa por um próximo volume no qual a autora pudesse explorar sobre a importância de que os relatórios sejam fundamentados cientificamente. Há um cuidado no livro em ancorar a redação de documentos técnicos nas normativas da profissão e do SUAS, contudo, senti que há caminho para uma próxima parte que aprofundasse sobre a importância de argumentos técnicos científicos nos documentos, ou seja, quais as perspectivas teóricas embasam o que é escrito ou o que não é escrito. Sobre isso, já envio toda torcida aqui para Erika escrever o volume 2, quem sabe! Reforço isso porque, a meu ver, um dos grandes problemas quanto a qualidade de relatórios no âmbito do SUAS é a prevalência da descrição exagerada e até antiética em detrimento da análise técnica aprofundada. Certamente é um problema com raízes na precarização e nos processos de trabalho e em lacunas da formação acadêmica. Por isso, acredito que o rigor das análises, é o caminho urgente para ultrapassar  o descritivismo que opera direta e indiretamente como exposição de pessoas e famílias sem nenhuma função de ampliar acessos a direitos, pelo contrário, age como uma ferramenta intimidadora e inviabilizadora de vínculos das famílias com os serviços. Enfrentar isso é um dos maiores méritos do trabalho da Erika com este livro! Por fim, recomendo a leitura do livro e o acompanhamento do trabalho de Érika Lino em sua página no Instagram (@derepentesuas). Em tempos de produção de conteúdo em massa e superficial, ela se destaca pelo cuidado de suas reflexões. Como bem sintetizou uma amiga, Érika consegue escrever o que ainda não tínhamos conseguido formular para a nossa prática. O livro foi publicado de forma independente, pela editora Clube de Autores em 2024, e pode ser adquirido diretamente no site da editora ou na Amazon, eBook Kindle. Agradeço imensamente à Erika pela oportunidade de ler e ter o seu livro. Tomando gancho no que ela escreveu na dedicaria, digo que este livro é uma luz no caminho de muitas colegas recém chegadas no SUAS ou quem ainda está perdida(o) com os documentos na rotina do trabalho no SUAS.

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O CURSO SOBRE ESCUTA COMO FERRAMENTA DE TRABALHO NO SUAS

Oi, pessoal!Como vocês sabem, estou na Assistência social há muitos anos e, até hoje, ainda não tinha criado um curso (por vários motivos!). Mas chegou o momento. Digo que chegou porque estou muito segura da proposta que construí e acredito que ela dialoga diretamente com as necessidades das colegas que atuam no SUAS. O curso sobre escuta como ferramenta de trabalho é uma tentativa de responder a muitas perguntas que sempre escuto, como: O que faz a Psicologia no SUAS? (o curso também se estende aos demais profissionais) O que eu faço no SUAS? Tem valor no meu trabalho? Por que ele não é reconhecido como deveria? Por que não consigo ver o que eu faço? Como o que eu faço impacta a vida de quem atendo? São perguntas como essas que busco responder no Curso e estou certa de que vocês vão criar novas perspectivas do trabalho social com famílias. Será um curso online (ao vivo), com carga horária de 10 horas. 📌👁️‍🗨️Informações e inscrição: Neste link Agradeço quem puder divulgar também! 😘 INSCREVA-SE AQUI

DA ABORDAGEM MORALISTA OU PRODUTIVISTA À ESCUTA COMO TECNOLOGIA SOCIAL

Rubem Alves escreveu que “(…) nossa incapacidade de ouvir é uma forma de arrogância”. Essa provocação tem uma centralidade na dimensão moral da escuta e para o quanto ouvir exige deslocamento de si, suspensão do próprio saber e abertura ao outro. É uma leitura interessante, sobretudo para desnaturalizar práticas marcadas pelo julgamento e pelo uso de poder. No entanto, quando deslocamos essa reflexão para o campo do trabalho social, especialmente no SUAS, é preciso ir além da chave moral. No cotidiano profissional, a incapacidade de escutar não deve ser vista apenas como expressão de arrogância individual. Ela é, sobretudo, consequência de formações insuficientes, de pouco ou ausência de Educação Permanente e de processos de trabalho mal estruturados, que não reconhecem a escuta como ferramenta de atuação. Do ponto de vista da escuta como tecnologia social, a dificuldade de escutar é produzida institucionalmente. Resulta de modelos de gestão excessivamente medidos por números, de rotinas orientadas pela urgência e pelo improviso, e de arranjos de trabalho que transformam o encontro com as pessoas usuárias em procedimento, e não em atuação transformadora. Escutar mal, nesse contexto, não é um desvio individual e isolado, é produto de formação frágil e de processos de trabalho que não atendem a realidade das demandas. Por isso, no campo das políticas públicas, mais especificamente no SUAS, precisamos nomear a escuta em sua dimensão técnica e política – a dimensão ética é importante, mas ela não pode muito (ou quase nada) sozinha. Escuta não é improviso, nem atributo pessoal. Escuta se aprende, se sustenta e se organiza como trabalho. Reconhecê-la assim é condição para reduzir violências institucionais, qualificar práticas e devolver às trabalhadoras e aos trabalhadores maior controle sobre o próprio fazer profissional. Quer aprender a ESCUTAR a partir dessa perspectiva? https://www.even3.com.br/escutatoria-no-suas-698478/

Por que um curso de Escutatória no SUAS?

Escutar não é gentileza, é atuação profissional Hoje quero conversar com vocês sobre escutatória. O assunto central é escuta no contexto do SUAS como ferramenta de trabalho. Essa ideia não surgiu de repente, nem como resposta a uma demanda pontual, mas que vem sendo pensada há bastante tempo, atravessada por encontros, leituras, inquietações e trocas. Tudo começou quando colaborei com um texto para o Caderno do Trabalho Social com Família para o CapacitaSUAS/BA – texto Atuação da(o) psicóloga(o) na política de assistência social: notas sobre trabalho interdisciplinar no TSF (2021). Posteriormente, essa ideia ganhou mais desdobramentos e começou a ganhar forma quando fui convidada para falar sobre ferramentas de intervenção no SUAS no curso de Psicologia da UFRB, por meio do grupo de pesquisa Práxis, a convite de Luane Santos, em 2021, salvo engano. Ao preparar o material, eu revisitei alguns textos, tinha recém reassistido ao filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço (só eu sei consigo entender as conexões que faço com coisas aparentemente isoladas, mas posso me esforçar a contar uma hora). Além do filme, eu tinha lido O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas de Christian Dunker e Cláudio Thebas (2021) publicado pela editora Paidós, e organizei minha fala inspirada e a partir de trechos deles, articulando com outras perspectivas do fazer profissional no SUAS e com aquilo que atravessa o trabalho social. Depois fiz outra fala sobre isso em um outro evento e passei a introduzir reflexões sobre escuta de maneira mais consistente nas minhas falas, mas, no fundo, estava um projeto maior que era falar de maneira mais direta sobre escutatória e preparar algum material mais consistente para ser ofertado em forma de curso. Depois dessas costuras e insights, algo ficou bastante evidente para mim: falamos muito sobre o que fazer no SUAS, mas quase nunca sobre como escutamos para poder atuar/intervir. O tempo foi passando e nada de conseguir tirar do papel essas ideias. Mas tudo tem seu tempo e acredito que esse tempo chegou. E agora não quero deixar passar essa oportunidade de atualizar o blog com um assunto tão potente para o fazer profissional no SUAS. espero que vocês gostem das ideias. Se não gostar, seria gentil de sua parte me mostrar sua justificativa.   Fiz questão de contar como essa ideia surgiu porque sou profundamente interessada em como o pensamento se constrói. Ideias não são atos solitários nem lampejos individuais. Elas são acúmulo de encontros, leituras, conversas, escutas e provocações. E, de repente:  plim!  Estamos produzindo algo que carrega marcas de tudo aquilo que nos atravessou antes. Nada do que fazemos nasce fora da relação. Pensamos porque estamos em relação: com pessoas, com práticas, com (con)textos e com perguntas que nos deslocam. Talvez seja por isso que eu seja tão fã deste blog. Tudo o que escrevi aqui nunca foi escrito no vazio. Sempre foi provocado por comentários, discordâncias, perguntas diretas ou por insights que surgiam a partir de alguma troca. Este espaço sempre foi, para mim, um lugar vivo, em que escrever nunca significou apenas expor uma opinião, mas sim valorizar criações. É por isso que quero abrir este texto lembrando uma filosofia africana que faz muito sentido para mim e para o que vou desenvolver aqui: Ubuntu — “eu sou porque nós somos”. Nada do que penso, escrevo ou proponho existe fora do coletivo. É a partir dessa compreensão relacional do conhecimento e do trabalho que quero falar de escutatória no SUAS. O que é escutatória (e o que ela não é no SUAS!!) Escutatória não é uma palavra minha. Ela vem de uma crônica de Rubem Alves, na qual ele reflete sobre como as pessoas desejam aprender a falar, mas raramente desejam aprender a escutar. Aprende-se oratória, retórica, persuasão; quase nunca se aprende a sustentar o silêncio, a espera e a abertura para o que o outro traz. Para Rubem Alves, a escuta aparece de forma poética e filosófica, associada à delicadeza e à experiência humana. A minha perspectiva, no entanto, não é poética, mas é claro que eu reconheço a importância dessa inspiração. No campo do SUAS, e especialmente a partir da Psicologia, escutar não é apenas uma disposição subjetiva, humanizada como um gesto sensível. A escuta deve ser técnica, ética e é ferramenta de trabalho. Ela organiza a intervenção, orienta decisões, define encaminhamentos, constrói ou rompe vínculos, protege direitos ou os viola. No trabalho social, a escuta não é acessória: ela é central. Quando falo em Escutatória no SUAS, estou falando da escuta como tecnologia viva, atravessada pela história pessoal e profissional de cada trabalhadora(r), pelas condições institucionais, pelos objetivos dos serviços e pelos limites reais da política pública. Estou falando de aprender a escutar para intervir melhor, e não para “humanizar” relações que já deveriam, por princípio, ser humanas. As condições materiais do SUAS e a violência que se produz no cotidiano Para que essa conversa seja honesta, precisamos partir das condições materiais e institucionais em que o SUAS vem sendo operado hoje, principalmente pós retomada da democracia brasileira que esteve por um fio para se romper mais uma vez. Um cenário marcado pela precarização do trabalho, pelo subfinanciamento, pela descontinuidade de serviços e, em muitos territórios, pela não garantia sequer da equipe mínima prevista nas normativas. Falamos de unidades funcionando com equipes incompletas, vínculos precários, alta rotatividade, sobrecarga ou subcarga e cobranças por resultados que não dialogam com processos de trabalhos mais qualitativos numa via por perspectivas analíticas. Essa precarização não é pano de fundo. Ela organiza o cotidiano do trabalho social com famílias e outros serviços no SUAS. Quando não há equipe mínima, quando o financiamento é insuficiente, quando serviços são interrompidos por rotatividade de profissionais, o trabalho passa a ser regido pela administração da escassez e pelos imprevistos (nem tão imprevistos assim!). Isso produz sofrimento ético, desgaste subjetivo e práticas defensivas que, muitas vezes, se convertem em violência institucional contra as próprias pessoas usuárias da política. Aqui neste espaço já escrevi bastante movida por indignação. Indignação

Participe da pesquisa: Violência vivida por profissionais da Assistência Social

Passando aqui para compartilhar um convite da pesquisadora Gabrielli Sobral Dias, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), sob orientação da Profa. Dra. Sandra Neves Nunes para participação na pesquisa intitulada Violência vivida por profissionais da Assistência Social quando reproduzidas por usuários dos serviços: fatores de risco psicossociais e associação com variáveis sociodemográficas e sócio-ocupacionais. O estudo tem como objetivo investigar a prevalência de violência relacionada ao trabalho e os fatores de risco psicossociais associados à violência sofrida por profissionais do Sistema Único de Assistência Social – SUAS – quando exercida por usuários dos serviços. Além disso, busca-se examinar as influências de variáveis sociodemográficas e sócio-ocupacionais sobre as distintas formas de violência e sobre os fatores de risco psicossociais relativos às violências sofridas. Para participar, é só entrar neste link e preencher o formulário da pesquisa: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScWuzyUvkiXe_aXfh9E2E0cnXx2-yaCS80j3JsDc4GXk008Pw/viewform?usp=header

Convite para participação na pesquisa: Violência vivida por profissionais da Assistência Social

Olá, trabalhadoras(es) do SUAS! Passando aqui para compartilhar um convite da pesquisadora Gabrielli Sobral Dias, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), sob orientação da Profa. Dra. Sandra Neves Nunes para participação na pesquisa intitulada Violência vivida por profissionais da Assistência Social quando reproduzidas por usuários dos serviços: fatores de risco psicossociais e associação com variáveis sociodemográficas e sócio-ocupacionais. O estudo tem como objetivo investigar a prevalência de violência relacionada ao trabalho e os fatores de risco psicossociais associados à violência sofrida por profissionais do Sistema Único de Assistência Social – SUAS – quando exercida por usuários dos serviços. Além disso, busca-se examinar as influências de variáveis sociodemográficas e sócio-ocupacionais sobre as distintas formas de violência e sobre os fatores de risco psicossociais relativos às violências sofridas. Para participar, é só entrar neste link e preencher o formulário da pesquisa: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScWuzyUvkiXe_aXfh9E2E0cnXx2-yaCS80j3JsDc4GXk008Pw/viewform?usp=header