Por que um curso de Escutatória no SUAS?

Escutar não é gentileza, é atuação profissional Hoje quero conversar com vocês sobre escutatória. O assunto central é escuta no contexto do SUAS como ferramenta de trabalho. Essa ideia não surgiu de repente, nem como resposta a uma demanda pontual, mas que vem sendo pensada há bastante tempo, atravessada por encontros, leituras, inquietações e trocas. Tudo começou quando colaborei com um texto para o Caderno do Trabalho Social com Família para o CapacitaSUAS/BA – texto Atuação da(o) psicóloga(o) na política de assistência social: notas sobre trabalho interdisciplinar no TSF (2021). Posteriormente, essa ideia ganhou mais desdobramentos e começou a ganhar forma quando fui convidada para falar sobre ferramentas de intervenção no SUAS no curso de Psicologia da UFRB, por meio do grupo de pesquisa Práxis, a convite de Luane Santos, em 2021, salvo engano. Ao preparar o material, eu revisitei alguns textos, tinha recém reassistido ao filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço (só eu sei consigo entender as conexões que faço com coisas aparentemente isoladas, mas posso me esforçar a contar uma hora). Além do filme, eu tinha lido O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas de Christian Dunker e Cláudio Thebas (2021) publicado pela editora Paidós, e organizei minha fala inspirada e a partir de trechos deles, articulando com outras perspectivas do fazer profissional no SUAS e com aquilo que atravessa o trabalho social. Depois fiz outra fala sobre isso em um outro evento e passei a introduzir reflexões sobre escuta de maneira mais consistente nas minhas falas, mas, no fundo, estava um projeto maior que era falar de maneira mais direta sobre escutatória e preparar algum material mais consistente para ser ofertado em forma de curso. Depois dessas costuras e insights, algo ficou bastante evidente para mim: falamos muito sobre o que fazer no SUAS, mas quase nunca sobre como escutamos para poder atuar/intervir. O tempo foi passando e nada de conseguir tirar do papel essas ideias. Mas tudo tem seu tempo e acredito que esse tempo chegou. E agora não quero deixar passar essa oportunidade de atualizar o blog com um assunto tão potente para o fazer profissional no SUAS. espero que vocês gostem das ideias. Se não gostar, seria gentil de sua parte me mostrar sua justificativa. Fiz questão de contar como essa ideia surgiu porque sou profundamente interessada em como o pensamento se constrói. Ideias não são atos solitários nem lampejos individuais. Elas são acúmulo de encontros, leituras, conversas, escutas e provocações. E, de repente: plim! Estamos produzindo algo que carrega marcas de tudo aquilo que nos atravessou antes. Nada do que fazemos nasce fora da relação. Pensamos porque estamos em relação: com pessoas, com práticas, com (con)textos e com perguntas que nos deslocam. Talvez seja por isso que eu seja tão fã deste blog. Tudo o que escrevi aqui nunca foi escrito no vazio. Sempre foi provocado por comentários, discordâncias, perguntas diretas ou por insights que surgiam a partir de alguma troca. Este espaço sempre foi, para mim, um lugar vivo, em que escrever nunca significou apenas expor uma opinião, mas sim valorizar criações. É por isso que quero abrir este texto lembrando uma filosofia africana que faz muito sentido para mim e para o que vou desenvolver aqui: Ubuntu — “eu sou porque nós somos”. Nada do que penso, escrevo ou proponho existe fora do coletivo. É a partir dessa compreensão relacional do conhecimento e do trabalho que quero falar de escutatória no SUAS. O que é escutatória (e o que ela não é no SUAS!!) Escutatória não é uma palavra minha. Ela vem de uma crônica de Rubem Alves, na qual ele reflete sobre como as pessoas desejam aprender a falar, mas raramente desejam aprender a escutar. Aprende-se oratória, retórica, persuasão; quase nunca se aprende a sustentar o silêncio, a espera e a abertura para o que o outro traz. Para Rubem Alves, a escuta aparece de forma poética e filosófica, associada à delicadeza e à experiência humana. A minha perspectiva, no entanto, não é poética, mas é claro que eu reconheço a importância dessa inspiração. No campo do SUAS, e especialmente a partir da Psicologia, escutar não é apenas uma disposição subjetiva, humanizada como um gesto sensível. A escuta deve ser técnica, ética e é ferramenta de trabalho. Ela organiza a intervenção, orienta decisões, define encaminhamentos, constrói ou rompe vínculos, protege direitos ou os viola. No trabalho social, a escuta não é acessória: ela é central. Quando falo em Escutatória no SUAS, estou falando da escuta como tecnologia viva, atravessada pela história pessoal e profissional de cada trabalhadora(r), pelas condições institucionais, pelos objetivos dos serviços e pelos limites reais da política pública. Estou falando de aprender a escutar para intervir melhor, e não para “humanizar” relações que já deveriam, por princípio, ser humanas. As condições materiais do SUAS e a violência que se produz no cotidiano Para que essa conversa seja honesta, precisamos partir das condições materiais e institucionais em que o SUAS vem sendo operado hoje, principalmente pós retomada da democracia brasileira que esteve por um fio para se romper mais uma vez. Um cenário marcado pela precarização do trabalho, pelo subfinanciamento, pela descontinuidade de serviços e, em muitos territórios, pela não garantia sequer da equipe mínima prevista nas normativas. Falamos de unidades funcionando com equipes incompletas, vínculos precários, alta rotatividade, sobrecarga ou subcarga e cobranças por resultados que não dialogam com processos de trabalhos mais qualitativos numa via por perspectivas analíticas. Essa precarização não é pano de fundo. Ela organiza o cotidiano do trabalho social com famílias e outros serviços no SUAS. Quando não há equipe mínima, quando o financiamento é insuficiente, quando serviços são interrompidos por rotatividade de profissionais, o trabalho passa a ser regido pela administração da escassez e pelos imprevistos (nem tão imprevistos assim!). Isso produz sofrimento ético, desgaste subjetivo e práticas defensivas que, muitas vezes, se convertem em violência institucional contra as próprias pessoas usuárias da política. Aqui neste espaço já escrevi bastante movida por indignação. Indignação
Sigo falando sobre o assédio moral no SUAS – agora de forma ampliada e institucionalizada

Início Sobre o Blog A autora Contato Serviços Supervisão Técnica On-line Sobre o Blog Início Sobre o Blog A autora Contato Serviços Supervisão Técnica On-line Sobre o Blog Olá, pessoal! Antes de tudo, quero manifestar minha alegria em poder continuar trabalhando com um tema tão relevante para as(os) trabalhadoras(es) e gestoras(es): a situação do assédio moral no SUAS. Mas agora, de forma ampliada e institucionalizada, por meio de uma pesquisa conduzida pela Coordenação-Geral de Gestão do Trabalho e da Educação Permanente, do Departamento de Gestão do SUAS (CGGTEP/DGSUAS/SNAS/MDS). Falar de assédio moral é também falar de saúde mental, de condições de trabalho dignas, de relações éticas, de gestão democrática e de cuidado com quem cuida e protege. É enfrentar um problema psicossocial grave que se manifesta nas fissuras do cotidiano, muitas vezes naturalizado, silenciado ou individualizado. Portanto, vamos continuar falando/conhecendo sobre assédio moral no SUAS? Tenho repetido por onde passo, em rodas de conversa e palestras que não podemos nos furtar de falar sobre temas difíceis, espinhosos e incômodos como é o tema de hoje. O assédio moral é um problema complexo, e por isso mesmo nos exige coragem, firmeza e delicadeza para abordá-lo em nosso cotidiano de trabalho. Precisamos olhar de perto, questionar, compreender as camadas de violência e as condições indignas de trabalho que ele encobre. Bora, não tenhamos medo do difícil. Este post é também um chamado especial às(aos) gestoras(es) do SUAS: falar sobre a ocorrência alarmante de assédio moral não é uma questão pessoal, tampouco deve ser personalizada ou reduzida às condutas individuais. Estamos diante de um problema psicossocial profundamente ligado às relações e às condições de trabalho. E o assédio pode ser ao mesmo tempo um fator de risco psicossocial e um dano real à saúde mental de trabalhadoras e trabalhadores. Por isso, compartilho com muito carinho e responsabilidade a realização da pesquisa nacional promovida pela CGGTEP/DGSUAS/SNAS/MDS, como parte da consultoria que estou desenvolvendo no âmbito do Projeto UNESCO 914BRZ3051. Venci na vida, né?! 🙂 O objetivo é: diagnosticar a situação do assédio moral no SUASProduzir documentos de orientação e Formação no escopo de Educação Permanente para prevenção e enfrentamento do problema do Assédio moral no SUAS. A pesquisa será realizada em duas etapas:Etapa quantitativa, por meio do formulário online (https://forms.gle/Jb9angyb8NNq6heRA). Etapa qualitativa, com entrevistas e grupos focais em todas as regiões do País. IMPORTANTE: todas as informações serão tratadas com o mais absoluto sigilo e anonimato. Nenhuma identificação será possível. Convido você a participar e divulgar especialmente para equipes de nível médio, fundamental e das entidades socioassistenciais, que muitas vezes enfrentam essas situações de forma mais silenciosa e invisibilizada. 🔗 Acesse o formulário e participe:https://forms.gle/Jb9angyb8NNq6heRA Por fim, destaco que encarar o problema de frente é o primeiro passo para transformá-lo. Precisamos conhecer os riscos e os danos, sim, mas com a mesma urgência, precisamos conhecer e criar fatores psicossociais de proteção no ambiente de trabalho, mesmo diante das condições tão degradantes que marcam o mundo do trabalho em nossa realidade capitalista. Vejo vocês em breve. Com afeto e saudades,Rozana Fonseca – @psicologianosuasPsicóloga e autora do Blog Psicologia no SUAS Fonte: Blog Rede SUAS
Aos 15 anos, o BPS debuta uma nova jornada: virou newsletter

Newsletter: Publicação periódica enviada por e-mail que reúne informações, atualizações e textos. O objetivo é manter uma escrita mais aprofundada, humanizada e pessoal – algo que não consigo fazer nas redes digitais, como o Instagram – e reforçar as críticas e proposituras que já são minha marca registrada. Minha intenção é engajar e informar colegas psicólogas/os e demais profissionais que quiserem chegar. 15 anos!! Uma década e meia de uma história costurada no exercício da minha profissão. Ainda estudante, eu almejava ser uma psicóloga ativa, interessada e interessante. Hoje, sou uma psicóloga orgulhosa da minha trajetória, mas ainda muito exigente na autocrítica. Eu queria ser inteligente, mas sou apenas esforçada. O fato de ter começado a estudar somente aos oito anos de idade (na zona rural) pode explicar muita coisa; no entanto, agora sei que não é só isso. Mas o fato é que estou sempre tentando reduzir algum atraso, veja que coisa! — Em outra ocasião posso falar mais a respeito. A esta altura, você pode ter percebido um certo pessimismo temperado com uma dose de drama. E você observou bem. Sempre me impressiona como algumas pessoas entregam pouco e, ainda assim, se vangloriam do que fazem. Com a “tiktokrização” do mundo, a superficialidade na abordagem de temas inerentes à Psicologia e ao cotidiano se torna ainda mais evidente. Não tenho coragem de ser medíocre, nem quero — posso até sê-lo sem saber, mas aí já é outra história! Por isso, hesitei em continuar escrevendo para o BPS. Este é apenas um dos motivos que me levaram a diminuir a frequência de publicação. É preciso ser sincera: mesmo com o advento avassalador das redes digitais, o blog continuou recebendo visitas e acessos aos textos e materiais publicados. Ou seja, havia espaço para seguir existindo e alcançando quem também não aprecia mediocridade. Mas eu me irritava cada vez mais ao me deparar com cópias descaradas de meus textos ou dos textos das profissionais colaboradoras que publicaram no blog por um bonito período. De vez em quando, surgem plágios e ideias copiadas sem o menor pudor (houve uma conta que publicou uma imagem que criei exclusivamente para o BPS — eu, na minha “loucura” de edição do blog, chegava a produzir até imagens!). O argumento da pessoa foi que a imagem poderia ter sido gerada por IA e que ela não conhecia o BPS. Medíocre! Ela já havia utilizado trechos de outras imagens e textos do BPS em seus cursos. Dias atrás, inscrevi-me em um curso cujo tema era quase idêntico a um dos meus textos de maior alcance no blog. Entrei desconfiada e saí convicta de que a pessoa lera o texto que escrevi, mas não foi capaz de citá-lo como referência. As pesquisadoras também me irritaram muito por um tempo. Hoje entendo melhor, mas ainda assim é possível diferenciar quem é medíocre de quem é parceira e reconhece o trabalho pioneiro do BPS — um espaço que se mostrou mais relevante para o suporte a profissionais que ingressaram no SUAS do que muitas produções científicas precárias publicadas por aí. Mas, é claro, as revistas científicas não vivem apenas de publicações precárias! E é muito gratificante perceber que determinada pesquisadora se baseou em reflexões do BPS, identificou lacunas de pesquisa e as colocou em prática. Isso é lindo e engrandece o BPS, pois não é à toa que, mesmo sem atualizações há meses, ele ainda é lembrado e acessado por tantas trabalhadoras, professoras e pesquisadoras do SUAS. A seção de lamúrias acabou! Agora quero enaltecer a grandeza deste feito, tanto profissional quanto pessoal. Dois momentos me fizeram acreditar que o BPS era para valer, que havia tomado uma proporção de reconhecimento jamais imaginada. O primeiro foi quando fui convidada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), em 2013, para participar de uma transmissão ao vivo ao lado da profa. Lúcia Afonso e de uma representante do MDS. (No mundo pós-pandemia, lives com as/os ícones da Psicologia e do SUAS são comuns, mas, naquela época, eu procurava vídeos de Ana Bock e de outras referências, e ficava indignada por não encontrar quase nada.) Vale registrar que retomar as produções de Lúcia Afonso, estudar Bader Sawaia e Maria da Graça foi a astúcia mais acertada para eu não me sentir sozinha, nem “menos Psi” por iniciar o trabalho no SUAS. O segundo momento foi quando Marcus Vinícius — isso mesmo, o Matraga — seguiu a página Psicologia no SUAS no Facebook. Aquilo foi a glória, mas também, para não perder o costume, pensei: “Poxa! Se nem Marcus Vinícius tem as respostas, serei eu que as terei? Tá difícil, hein, profs?” (risos envergonhados). O segundo me remete a outro episódio, que integro neste texto como bônus: quando participei da mesa de lançamento do livro de Luane Santos. Naquela época, conhecer uma autora de livros era considerado um feito surreal. Eu havia divulgado o livro no BPS e ele super bombou! Daí em diante, surgiram muitos encontros genuinamente orgânicos e potentes. Quanta beleza cabe em um trabalho produzido com honestidade e ética! Houve também muitos erros, sobretudo de escrita, fruto da minha limitação à época. Ainda assim, nunca escondi que o blog surgiu como uma meta pessoal para melhorar duas áreas da minha vida: a organização e a escrita. A organização ainda não consegui aprimorar: neste momento, meu PC deve ter umas sete cópias da tipificação, além de dezenas de materiais repetidos em múltiplas pastas e unidades de armazenamento. Quanto a escrita, posso dizer que melhorei bastante e sigo avançando. Entre lamúrias e vitórias, tenho muito a dizer ainda; por isso, quero continuar a escrever sobre o que me encanta e espanta ao longo da minha caminhada profissional. Contudo, estou mais amadurecida e pretendo atrair leitoras e leitores mais solidários e engajados; definitivamente, não quero usurpadoras(es). Para você que acompanha meu trabalho pelo Blog Psicologia no SUAS ou que está chegando agora, poderá continuar acompanhando, interagindo e se inspirando com minhas ideias por meio de um novo espaço – o Substack –, que garantirá
Assédio moral na Assistência Social- Dissertação Rozana Fonseca (PPGES/UFSB)

Eis um excelente motivo pra eu tirar a poeira deste amado espaço que já foi intensamente utilizado para divulgar materiais sobre o SUAS, sobre o fazer nos serviços socioassistencias e algumas produções científicas: a publicação da minha dissertação de mestrado desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade pela Universidade Federal do Sul da Bahia (PPGES/UFSB). É emoção pura conseguir desenvolver e divulgar uma pesquisa inédita no campo da assistência social e com um tema tão caro para a vida pessoal e profissional de mais de 400.000 mil trabalhadoras do SUAS. Eu me sinto realizada porque é este blog que me levou a produzir uma dissertação com tamanha envergadura, o alcance nacional só foi possível porque este blog já foi lido pelo Brasil inteiro. A pujança e excelência da dissertação só foi alcançada porque eu tive a grata oportunidade do encontro com uma orientadora tão maravilhosa e proativa que marcou a primeira reunião comigo já mencionando que viu que eu tinha um blog. Obrigada, professora Sandra Nunes!! Temos, assim, uma produção intelectual, que embora seja robusta, cumpre apenas o passo inicial que deve anteceder muitos outros para verdadeiramente conhecermos o fenômeno do assédio moral no contexto do SUAS e das suas condições adversas de trabaho. Assim como, precisamos conhecer e dar visibilidade às consequências dessas expressões do mundo do trabalho, mas também de relações interpessoais e sociais extremamente degradadas. O SUAS não pode mais decidir não falar sobre essa violência; a assistência social não pode mais prometer proteção social através de trabalho indecente! A dissertação Assédio moral na Assistência Social: Um estudo com trabalhadoras do SUAS sobre o fenômeno e sua relação com o trabalho precarizado está disponível no repositório da UFSB – para acesso, clique AQUI Obrigada especial às trabalhadoras/es que participaram da pesquisa! A pesquisa já foi apresentada neste Seminário, clique para assistir!
“A essencialidade da(o) trabalhadora(o) do SUAS” é o tema principal do I Seminário do Fórum dos Trabalhadores do SUAS Contagem

O Seminário será realizado no dia 19 (quarta-feira) de junho de 2024Horário: 8hLocal: PUC Contagem – Rua Rio Comprido, Cinco, Contagem/MG Cumprimento o Fórum Municipal de Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social de Contagem/MG pela realização do evento e também aos demais apoiadores, porque transformar em realidade uma atividade dessa envergadura não é simples, exige esforço coletivo e muito trabalho. Obrigada ao FMTSuas Contagem pelo convite para apoiar este evento tão importante! Desejo sucesso e que seja muito proveitoso. Vejo vocês em breve! 🙂
NÃO DÁ PARA ACREDITAR NO SUAS
SE: Achar que o SUAS é que vai acabar com a pobreza, que o SUAS vai acabar com as desigualdades sociais (raciais), se você achar que o SUAS é um meio complementar à outras políticas que não fazem o que elas deveriam fazer. Se achar que o SUAS é política pra ações que são de políticas de esporte cultura e lazer. Se não endereça ao SUAS o que ele, de fato, encomendou. Estão enviando encomendas para o endereço errado. Acontece que certos carteiros/as do SUAS, de um lado, acreditam que deve atuar banhados/as pela bruma da bondade, do “trabalhar por amor e pela causa da pobreza, por outro, pelas lógicas de destrato com a coisa pública, mantendo sempre uma caixa de correios aberta para impressionar os vizinhos que. Se achar que o SUAS é o único espaço socio-ocupacional público precarizado e marcado por inúmeras disputas de poder. Vocês já pensaram nas condições de trabalho da educação e da saúde? Só para citar essas duas. O ataque não deve ser ao SUAS, deve ser às relações sociais estranhadas que produzem esses tipos de precarização e adversidades. Se achar que o SUAS tem profissionais de nível superior cuja função é interceptar o acesso a benefícios e programas de supostos mentirosos. As farsas para ingressar em respostas materiais a desproteções sociais é problema de um estado cínico que está fazendo malabarismo para servir aos tubarões. Então, a bestagem em continuar fazendo “parecer social” ou inquirições moralistas, averiguações como meio para pessoas terem acesso a um mísero benefício impulsiona o próprio sofrimento – e pior, você nem sabe disso e ainda abraça essa materialidade do fazer “técnico” como a única maneira de justificar tua importância diante de quem pertenceria a outra categoria de gente. A provisão não deve depender de decisão individual ou de equipe para que determinada pessoa acesse ou não um benefício ou programa – a exemplo do Programa Bolsa Família que tem suas regras consensuadas. É de se esperar que o BE, que quando colocado como oferta, já deve haver uma decisão institucional para o seu cumprimento. Portanto, se a gestão delega ações de obstrução como cortina com função de deixar passar só uma penumbra – só alguns raios de luz, o problema não é do SUAS. AGORA, DÁ PARA ACREDITAR NO SUAS SE: Se você acredita que as contradições entre capital e trabalho geram violências cotidianas que impactam vidas velhas e vidas que nascem agora, o SUAS é uma via de propositura de espaços possíveis de convivência e de relações para enfrentar processos que insistem em desumanizar pessoas e em colocá-las num limbo porque não geram valor. E isso é pouco? Para quem está construindo a revolução de amanhã pode ser. Mas, vale destacar que muitos que criticam o SUAS como sendo meio apaziguador das massas não estão construindo a revolução – só estão encastelados na academia. O SUAS é necessário num país que na pandemia foi obrigada a ver o tamanho da existência da fome – situação que nunca foi embora, mesmo que estivesse fora do mapa. Estar fora do mapa não significa que a fome não atinja um número inaceitável de pessoas. A fome não é diretamente respondida pelo SUAS, mas não podemos esquecer que é um problema transversal, assim, as consequências por viver nesta situação também é da assistência social. O SUAS não pode propor acabar com a violência, mas a proteção social é um meio de amparo e minimização das consequências do fenômeno e seus desdobramentos. O SUAS é necessário porque a mobilidade urbana não é para todos/as/es – algumas gentes, sobretudo as pessoas negras, são impedidas de acessar as cidades na sua integridade. Daí entra nossa capacidade de trabalhar a convivência social e comunitária. O pertencimento e a tomada da circulação que lhes é de direito. O SUAS é necessário porque há pessoas, famílias que não têm ou não terão a querência de cuidar de suas crianças, adolescentes ou idosos e por isso, a acolhida é resposta contínua pelo estado, assim como a construção de novas formas de acolher e cuidar. Agora, você pode ter desejos e vontades que não têm a ver com as especificidades do SUAS. Não há nenhum mal nisso, agora, tais especificidades só não deveriam ser confundidas com aquilo que não é o SUAS. Texto inspirado na pergunta recebida no @psicologianosuas (segue lá que todo domingo é dia de caixinha). Obrigada à colega do SUAS pela pergunta e por me mobilizar a escrever mais que um comentário.
Pesquisa em andamento sobre assédio moral no SUAS é destinada também aos trabalhadores de nível fundamental e médio!
Profissionais da Assistência Social de todo o Brasil podem participar pesquisa !!
“O SUAS que temos e o SUAS que queremos” no tema da 13ª Conferência Nacional de Assistência Social – o cansaço da retórica nos discursos de consolidação do SUAS
Oi pessoal, como vocês estão? A despeito de compromissos que me impedem a dedicação neste espaço como antes, sinto-me fazendo das tripas coração para ter motivação de vir aqui escrever. Esses últimos tempos têm me atingido desde as tripas – penso que por aí também, então, em um momento futuro quero vir aqui escrever sobre a queda, não livre, de minha desmotivação para estar aqui e nas redes sociais. Já adianto que não começou em 2018. Estou programando e estimando que consigo aparecer mais vezes por aqui em fevereiro, já que o blog fará aniversário de 13 anos. Vamos ao texto…. O objetivo do texto de hoje é problematizar as reiteradas “largadas” do SUAS/Assistência Social. Eu tenho um jargão que é; o SUAS já nasceu velho. É certo que o cerne das provocações que já realizei foram mais direcionadas às práticas como já escrevi em Velhas práticas no SUAS: uma crítica a partir da divulgação dos fazeres nas redes sociais e já falei em comunicações públicas como na live no SUAS Conversas da Ana Pincolini, O NOVO e o VELHO no SUAS, mas sinto que é o momento de refletir de maneira mais global sobre o sistema, pois, desconfio que esse eterno retorno explica uma insistência em falar de uma certa realidade almejando, em outra ponta, o que será, um dia, o SUAS – “Passa-se a assistência social esperando que disso resulte uma assistência social”. Começo demonstrando que desde 2010 o slogan que destaco no título desse texto tem servido como máxima, relembrem: Esse discurso retórico com um eterno retorno a um estado de busca a um ideal me parece demasiadamente cansativo. Minha sensação é a de que há sempre alguém queimando a largada. Mas quem? Perguntar por isso agora a resposta é certa: Governo do Jair Messias. Mas, e o Michel Temer? E o que antecedeu a crise política de 2014 que se desenrolou com o golpe de 2016? E a Emenda Constitucional nº 95 que impõe o novo regime fiscal que atinge violentamente as políticas sociais? E o contexto histórico-cultural que fundou e disseminou o que seria assistência social? A implantação do SUAS é suficiente para que ele e a assistência social resistam a esse conjunto de ataques? Por isso, a crítica é por acreditar que a retórica do discurso de consolidação estaciona o cansaço, banaliza análises de conjuntura, além de dificultar a travessia das crises. Toda crise, como a da redução sem precedentes no repasse e no financiamento que resultou em quase absoluto desmonte do SUAS, não deveria ser motivo para recuperar e repetir os mesmos lemas – a realidade não é mais a mesma de 15, 8, 4 anos atrás -, mas, poderia ser um disparador para se lançar um SUAS que saiba ler a conjuntura em direção a novas estratégias de tensionamentos e consolidação. Evitando, assim, circular pelos mesmos discursos áridos – permanecendo um novo velho. Resguardando o peso que toda essa crise da assistência social (e de outras políticas sociais) significa, pontuo que é possível dar visibilidade à potência do SUAS, precisamente, em meio a um turbilhão de acontecimentos políticos, econômicos, e de crise humanitária/genocídio como o que ocorre há anos na comunidade indígena yanomami e em outras comunidades indígenas que lutam por demarcação de terras – se intensificou como genocídio deliberado nos últimos 4 anos; e dos milhões que passam fome, o SUAS tem condição de lançar respostas mais assertivas e diretas. O SUAS, através dos serviços socioassistenciais é um dispositivo que impediu, durante a pandemia, que a tragédia fosse maior e que tivesse ainda mais pessoas em desproteção social Brasil à fora. Quando a educação não funcionou, quando a saúde mental também não funcionou, foram os serviços dos CRAS, dos Centros POP, dos CREAS, e das unidades de acolhimentos que acolheram as pessoas. Assim, a problemática do discurso do eterno vir a ser da assistência social, de um SUAS que existe lá no horizonte, acaba tendo efeito rebote, atrapalhando a consolidação cultural e social da Política Nacional e Assistência Social (PNAS), fato que reverbera em um cotidiano de trabalho em que trabalhadoras(es) engajadas(os) (a custo de muito cansaço) fazem das tripas coração para manejar os atendimentos e gestão. Não é coincidência que trabalhadoras(es) do SUAS não foram contemplados com a vacina contra a Covid-19 no início da fase de imunização e nem agora quando o SUS anunciou que a vacina entrará regularmente no calendário de vacinação do governo e que será destinada apenas à alguns grupos de pessoas. Nesse sentido, defendo que já temos O SUAS. O que queremos é que governos cumpram as leis, cumpram as normativas que regem a PNAS; que governos municipais e estaduais estabeleçam o compromisso de manter equipes suficientes para atender as demandas e necessidades de proteção social; que secretários municipais e estaduais estabeleçam pactos de articulação para que não fique à cargo das analistas socioassistenciais a tarefa hercúlea de promover acesso a direitos sociais de diferentes naturezas – tarefa que quando feita de maneira solitária e não institucionalizada certamente falha e falhará, deixando um rastro de frustração e sofrimento nessas profissionais e nas pessoas que precisam do acesso aos direitos. E é evidente, que queremos que o governo federal anterior seja punido pelo desmonte criminoso do SUAS, do SUS, da Educação, dos Direitos Humanos e de outras áreas. Por tudo isso, não é normal que trabalhadoras façam das tripas coração para operacionalizar o SUAS, por isso, é urgente que aprendamos a reivindicar, a não tolerar cortes de gastos como a EC 95, que seja inaceitável que uma equipe de CRAS seja responsável pelos três serviços da Proteção Social Básica e que ainda façam serviços de proteção especial; é impossível que uma equipe do PAEFI seja responsável por todos os Serviços de Proteção Social Especial de Média Complexidade e que muitas vezes ainda responde pela Alta Complexidade. Que seja inaceitável que uma dupla de profissionais seja responsável por todas as modalidades de acolhimento institucional. Por fim, minha chuva de ideias sobre o tema da 13ª
O MDS REESTREOU, MAS E O SUAS?

O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) não existirá com um golpe. Constatação que eleva a luta e a cobrança pela anistia como pautas constantes até as sombras do fascismo se dissiparem a ponto de não mais ameaçarem semeaduras inteiras de um futuro necessário e urgente para o Brasil. Assine a petição: CLICA AQUI Contudo, há um novo governo assegurando movimentos acelerados desde antes mesmo da posse – o restabelecimento da democracia tem pressa! Podemos lembrar dos discursos do Lula após a vitória nas eleições. Assim, defendo que cabe lugar para cobrar divulgações do MDS com ações que acenem para o SUAS em toda a sua grandeza, não acentuando somente o programa de transferência de renda e as articulações com os demais setores para enfrentar a fome – vale ressaltar que isso não é diminuir em nenhum tom a importância do que está sendo feito a respeito dessas pautas. A questão é que o SUAS é muito maior do que o que já foi mostrado, tanto na posse do ministro quanto nos dias seguintes. Meu pesar é que enquanto os demais ministérios correm para recuperar o descaso político e cultural sobre seus campos, a Assistência Social, através do MDS, ainda não comunicou ou fez aparecer o tamanho do SUAS de forma mais categórica. Creio ser importante porque o SUAS é um sistema gigante por duas vias, de um lado, a grandeza pela oferta de proteção social por meio dos serviços socioassistenciais, vislumbrando a integração com os programas e benefícios. Do outro, o sucateamento dos serviços e a desmedida precarização das condições de trabalho e dos vínculos trabalhistas. São mais de 600.00 trabalhadoras(es) do SUAS, mas diante de uma eventual exaltação desse contingente, lanço um questionamento: quantas trabalhadoras o seu município precisaria ter para dar conta de responder às situações de desproteção social? A precarização é tanta que é bem possível que uma parcela ínfima dos municípios saiba o tamanho das desproteções sociais que precisam enfrentar e garantir atendimento em tempo certo. Tais realidades precisam ser expostas e debatidas. Portanto, que o MDS (como é bom escrever MDS novamente!) possa garantir visibilidade e propostas contundentes para que os CRAS, CREAS, CENTRO-POP e demais unidades, não sejam mencionadas na mídia só como endereços para cidadãos buscarem abrigo para assuntos genéricos. A Assistência Social é um dispositivo robusto que precisa ser falado e cuidado na sua concretude. Assista a posse que ocorreu no último dia 02: Para quem assistiu as falas durante a posse:
Visita on-line e intervisão sobre práticas no SUAS: um novo jeito de fazer o BPS
VAGAS FECHADAS para os estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais! No momento, sem previsão de reabertura. Agradeço a compreensão! Encontro VIP com Rozana Fonseca Saiba o que é o Encontro VIP e como realizar a inscrição da sua equipe! O que é o Encontro VIP? É uma nova maneira que encontrei para continuar fazendo o Blog Psicologia no SUAS, pensando numa maneira mais interativa de me manter conectada com a práxis do SUAS Brasil à fora. VIP é a abreviação de Visita on-line e intervisão sobre as práticas no SUAS quediz diretamente sobre a proposta do Encontro. Estou chamando de visita porque será uma maneira de conhecer um pouco a realidade de cada unidade/serviço e dai conseguir conversar sobre as principais questões levantadas pela equipe durante o encontro. Objetivos: Considerando os novos contextos de uso de redes sociais de conteúdo rápido e pouco uso de plataformas como blog, o objetivo do Encontro VIP é criar uma nova maneira de fazer o Blog Psicologia no SUAS, porque eu acredito que estar em conexão com trabalhadoras do SUAS foi a principal motivação para eu criar o blog há 12 anos. Portanto, me atualizo inspirada no uso massivo de plataforma de reuniões on-line e também porque me ocorre que eu já fazia transmissão on-line (hangouts no Youtube) desde quando isso não era comum como foi a partir da pandemia. Agora, a diferença é que quero qualificar mais essa interação e tratar de situações mais especificas de cada cidade. Quais são os ganhos para equipe? Ter a oportunidade de refletir sobre a prática e sobre os principais problemas enfrentados no cotidiano e de ampliar a visão sobre o fazer no SUAS; Promoção de diálogos em grupo na equipe; promoção de conversa entre equipe de analistas(técnicas) e a coordenação; promoção de diálogo entre coordenação e gestão sobre o aprimoramento do trabalho social; Aprimoramento das práticas; Fortalecimento do SUAS de acordo com as especificidades locais. Quais são os ganhos para a mediadora/BPS? Manter o BPS ativo; continuar interagindo com trabalhadoras do SUAS; Ter oportunidade privilegiada de reflexão e construção de saber sobre o fazer no SUAS; Inspiração para escrita de textos ou outras produções sobre o SUAS; Construir parcerias solidárias de mobilização para o fortalecimento e defesa do SUAS, com o acréscimento de questionar sobre qual SUAS e quais as práticas defendemos. PS. No próximo ano vou divulgar minha pesquisa de mestrado e quero muito estar afinadinha com vocês para que me ajudem a alcançar as pessoas que poderão vir a ser participantes da pesquisa. Com irá funcionar? Cada equipe terá um encontro via Google Meet (manhã ou tarde), com duração de 1 h e 30 minutos a 2 horas cada um. A atividade tem um propósito de ouvir e trocar sobre as principais dúvidas sobre os processos de trabalho social com famílias nos serviços do SUAS – da básica, média e alta complexidade – só a título de melhor compreensão, a atividade terá uma natureza parecida com uma “supervisão” em grupo, ou seja, não será realizado encontro com profissional individualmente, somente em equipe ( se não for possível a participação de todas/es, que seja ao menos com mais de 3 profissionais da mesma equipe. Lembrando, isso não é um curso!Como participar? A coordenação da unidade preencherá o formulário com os dados básicos da equipe e escolherá uma das datas disponíveis (manhã ou tarde) e aguardará o contato para agendamento de acordo com a ordem das inscrições e rodízio entre as regiões do País. PS: As apoiadoras ativas do BPS terão prioridade nas primeiras semanas dos Encontros, as quais seguirão os mesmos passos para a inscrição e termos para a realização do encontro. Terá algum custo para a equipe ou para a prefeitura? NÂO. Porém, me permita mencionar que essa atividade não deve ser lida como um trabalho voluntário ou trabalho sem remuneração e nem deve ser entendida como atividade de educação permanente ou de capacitação. Eu não sou contra a venda de serviço, obviamente, acho importante ter como pagar as contas! Só estou disposta a continuar fazendo um trabalho que me permita estar em conexão com outras trabalhadoras para continuar refletindo e questionando, sobretudo, a minha prática e a minha profissão de um jeito solidário e mobilizador. Nestes 12 anos de BPS são incotáveis as horas gratuitas dedicadas ao blog, então, não se preocupem comigo, eu estou ciente do que estou propondo e está dentro do que eu acredito como ação transformadora a partir do status coletivo da minha profissão e sei que os meus ganhos não são necessariamente financeiros, mas eles existem e são muitos. Sobre o uso dos dados do formulário: Os dados do formulário não serão divulgados em hipótese nehuma. O único objetivo é de formalizar a realização da visita on-line e da intervisão através da inscrição. Além de ter valor de autorização e ciência dos termos de realização. AVISO: A partir dos encontros podem surgir inspiração e ideias para escrita de textos ou post com reflexões sobre o fazer no SUAS, porém, informo que as produções seguirão os princípios éticos não expondo dados ou informações que identifiquem a localidade ou sujeitos da informação. Sobre a realização e cancelamentos: Acredito que eu tenha abordado as principais questões, mas, caso você tenha ficado com alguma dúvida me escreva para que eu possa conversar sobre elas com você: rozana@psicologianosuas.com Por último, recomendo que você converse com sua equipe para que ela esteja ciente do formato do Encontro VIP, além de garantir o planejamento das atividades para viabilizar o encontro para o maior número possível de trabalhadoras. Uma linda jornada para nós nesta nova etapa do BPS! Vejo vocês em breve com um lindo tour pelo seu trabalho! Com alegria, Rozana Fonseca Você pode realizar a inscrição aqui mesmo sem sair desta página ou clicar neste link AQUI [googleapps domain=”docs” dir=”forms/d/e/1FAIpQLSdbA3k76rIN3OReCBxj_iBShTYukGpuDiePEikK-lZJ1ikxJA/viewform” query=”embedded=true” width=”640″ height=”3791″ /] Instagram e facebook: @psicologianosuas