A “neutralidade” tem um alto preço e as(os) trabalhadores do SUAS estão pagando caro por ela e às vezes não há com o que pagar – trabalhadores estão morrendo e muita(s) ainda não contam com um horizonte de imunização.
A neutralidade não mata somente trabalhadores do SUAS, porque sabemos que a maioria das vidas perdidas é de pessoas trabalhadoras que não podem garantir o distanciamento social e nem sequer podem usar uma máscara adequada.

A neutralidade não deixa você falar que sabe que se aquelas pessoas ricas, que trouxeram o vírus da Covid-19 para o país, fossem o maior número das mortes, teríamos feito lockdown e outras medidas mais consistentes e a vacinação já estaria muito mais avançada.
Ontem eu fiquei perplexa, mas não surpresa, ao ler uma manchete: “Moradores de rua são vacinados; servidores da Assistência Social, não”.

Qual a vida merece ser salva?

Desde o início da vacinação eu critiquei a postura de algumas instituições oficiais que defendiam vacinas para uma determinada categoria. Na ausência de um plano nacional que garantisse transparência e efetividade, criou-se brechas e atuação em muitas causas individualistas. O cenário de vacinação ficou muito desigual e desencontrado nos municípios e estados.

Mesmo com a desordenarão no plano de vacinação e com a falta de vacina, algumas psicólogas do SUAS vacinaram desde o início do processo de imunização, enquanto que em outras localidades foram somente assistentes sociais que conseguiram entrar em grupo prioritário. Mais ainda, em algumas cidades, todas as pessoas com diploma de alguma profissão classificada como da área de saúde também foram vacinadas. Assim, pessoas que mesmo sem atuar na sua área de formação, receberam vacina contra a Covid-19.
O meu questionamento, obviamente, não é sobre o querer se vacinar. Não dá para colocar em suspenso a corrida pela vacinação de nenhuma pessoa – é a vida que está em risco! A questão que me angustia e revolta é o silêncio quanto a situação das(os) trabalhadoras(res) de nível fundamental médio e sobre a decisão dos órgãos representativos de categorias profissionais não se juntarem para defender e reivindicar vacina para todas(os)… sem exceção. E claro, para todes trabalhadores brasileiros.

Reivindicar vacina para trabalhadores de um determinado campo é legítimo e que bom que as instituições estão se empenhando para que isso ocorra o mais breve possível, mas o ponto central deste texto é que não dá para continuar pedindo vacina sem pedir, sem exigir que não somente Bolsonaro, mas todos os responsáveis pelo descaso com a saúde neste momento de ESPIN sejam punidos. Quem cobrou quando o ministério da saúde ficou meses sem ministro? E quando um ministro militar, sem nenhuma qualificação para o cargo, se estabeleceu na função? E qual função delegada a ele? Deixar morrer, porque deixar morrer é economia. É a pior das economias, porque ela tira de um para aumentar em outro lugar. E este lugar não é o da trabalhadora, é o dos donos do Brasil que sustentam o governo atual.

E não estamos nesse fundo de poço por desgoverno, mas sim por um governo que segue rigorosamente a tarefa de manter rico, os ricos.

Portanto, enquanto o seu, o meu, o nosso lado for o da indiferença e o da despolitização, projetos como este se renovarão de tempos em tempos. E o lado de quem perde – e morre, já sabemos.

4 comentários

  1. Boa noite!
    Exatamente isso, nos calamos, somos indiferentes a dor alheia, somos neutros, por medo de perder o emprego ou desagradar aos “chefe”, li vários cartazes convocando os trabalhadores do SUAS com a mensagem que o SUAS iria parar hoje, dia 15/06/2021, ótimo, mas a quem de fato interessa essa articulação??!!, Alguns gestores fingem nos apoiar mas, são os que nos bastidores nos colocam na linha de frente, são os algozes da política, a maioria tem carro, não faz uso de transporte coletivo, nem alternativos, não fazem visitas, etc. somos milhares de trabalhadores e se não nos posicionarmos iremos sucumbir

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  2. bom dia vcs poderiam me passar uma lista de conteúdos para eu estudar para o concurso publico pretendo fazer ano q vem se abrir

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  3. Desculpa mais este discurso de querer colocar a culpa no governo é cansativo. nossa categoria não faz nada para reivindicar a vacina. Educação e outras categorias conseguiram. Aqui no meu município Divinópolis MG, todos nos trabalhadores do SUAS já fizemos a 1ª dose. independente de ser profissional da saúde ou não, todos. Quando que educação ia receber a vacina disse somos linha de frente também então onde estão nosso direitos. o Nosso Conselho CRESS não mobilizou só sabe dizer que o presente é isso ou aquilo, mas vamos movimentar, vamos nos unir.

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  4. Eu também fico assustada com o silêncio, dos trabalhadores do SUAS do SUS. Precisamos fazer movimentos nas ruas contra este governo Genocida. Um dia ouvir de uma assistente social, “temos que votar em Bolsonaro, só pobre que tem direito!!” Nos da classe média, temos que garantir nossos diretos.” (Sic) confesso que perdi a fala.

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