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Série Desafio do diferencial científico-profissional no SUAS


Sobre a Série Desafio do diferencial científico-profissional no SUAS

Hoje inicio uma série referente a desafios que serão lançados no Instagram do Blog (@psicologianosuas) O nome da série é “Desafio do diferencial científico-profissional no SUAS”, onde o objetivo é revelar malfeitos em atendimentos no SUAS com provocação de diálogos para problematização e proposição de mudança de perspectiva para a profissionalização e o aprimoramento do Trabalho Social com Famílias – TSF.

Tenho usado o Instagram do Blog para atualização mais constantes. A interação está tão potente que tem desencadeado várias ideias para textos. E assim, fica definido o formato dessa série: periodicamente será lançado uma situação exemplo (sempre no Instagram e Facebook), onde será solicitado comentários e análises dos colegas e posteriormente vem a ideia final para o texto-resposta.

Por que realizar esta série de Desafios?

O exercício é promover a identificação de conceitos teóricos e técnicos a respeito do atendimento que, claramente, foi inadequado. Provocar sobre a necessidade de se sair do automatismo das ações para conseguir ampará-las em abordagens teóricas e nas recomendações técnicas dos serviços.

Assim, penso que um bom exercício para se manter propositivo, teórica e tecnicamente, é não banalizar a rotina do trabalho. Rotina pode ter conotação pejorativa, não é o caso aqui.

Poderia então falar em processos de trabalho, mas escolho ‘rotina’ porque é onde as armadilhas capturam o profissional. Captura-os nos momentos da pressa, da correria, da iminência ou da necessidade de apagar um incêndio.

Estamos sendo o tempo todo acionados, mas e quanto ao circuito da rotina diária ou agenda anual, estamos abastecidos pelas teorias e técnicas que aprendemos e nos conferiram o lugar de profissionais?

Quantas vezes já ouvi de um profissional de nível médio (motorista, orientador, facilitador) que queria fazer serviço social ou psicologia (confesso que serviço social ganha disparadamente) porque eles poderiam ganhar mais fazendo o mesmo que já faziam! O motorista é porque acha o trabalho social fácil.😱

Essa fala sempre me deixa reflexiva. O técnico de nível médio -TNM querer estudar é maravilhoso, mas o assustador é saber que ele não consegue diferenciar o fazer dele do fazer do profissional de nível superior. O susto não é porque o TNM equipara os fazeres, mas é porque o fazer do TNS não foi capaz de explicitar as diferenças.

Poderia falar mais sobre outros desdobramentos provocados por essa percepção nebulosa no ambiente de trabalho, mas o foco aqui é responder ao desafio problematizando se os profissionais de nível superior estão conseguindo impedir que sejam capturados pelos malfeitos durante a rotina de trabalho.

É comum escutar que os profissionais estão cansados de teorias e orientações técnicas, querem mesmo é saber sobre a prática. Mas como haverá de ter prática crítica e propositiva sem teoria?

Minha hipótese é que muitos acham que estão cansados porque na rotina só conseguem enxergar a demanda bruta e a imposição para enfrentarem, de imediato, as urgências do dia, da semana. É preciso lembrar que elas não são novas!

Olha que interessante: Diante de uma situação urgente (estado de desproteção social persistente), a gestão ou a rede cobra uma intervenção como se a situação fosse uma emergência, ou seja, algo imprevisto e que requer reposta imediata.

Portanto, para as demandas urgentes, as mais comuns na rotina, que as repostas sejam pautadas no conhecimento profissional e no planejamento.

Acredito que com esses argumentos, fixo-os à práxis e ao posicionamento ético-político em toda intervenção profissional no SUAS.

Então, seguindo à minha “resposta” ao desafio proposto, questiono:

Na rotina, na objetividade das ações demandadas, como identificar se se está cumprindo o esperado científica e profissionalmente? Uma importante estratégia é realizar estudos e reuniões técnicas para avaliar as ações e ter assessoramento/supervisão.

Desafio #01 – Conceitos para qualificar o Trabalho Social com Famílias

Vamos então ao desafio discorrendo sobre aos conceitos que considero subjacentes a este atendimento exemplificado, sabidamente, equivocado:

Território e Diagnóstico Socioterritorial

Para que? Conhecer o recorte geográfico e a cobertura de transporte coletivo na área de abrangência do CRAS. Não pontuarei as demais dimensões de território porque o foco do exemplo é a distância geográfica. Trabalho Social com famílias pautadopeloDiagnóstico Socioterritorial, uma vez que é um instrumento capaz de fornecer esse subsídio para intervenções pautadas na realidade do território.  

Plano de Acompanhamento Familiar – PAF

Por que? Família em estado de vulnerabilidade de renda, com demanda para cesta básica deve estar em acompanhamento familiar (salvo se haver recursa). Lembrando que acompanhamento sem plano, provavelmente, está mais para atendimentos pontuais!

Com o PAF em andamento e norteando as ações, a equipe poderia lançar como estratégia os atendimentos domiciliares, considerando a ausência de transporte e precariedade de renda. E provavelmente, com o plano, a situação de insegurança alimentar já teria sido considerada logo nas primeiras intervenções.

Acolhida

Esta acolhida mencionada no exemplo não é a ação essencial do PAIF.

Por quê? Chamei de acolhida para pontuar a confusão que se faz entre a Acolhida, uma ação postulada como uma metodologia de assistência/atendimento e a acolhida que é a maneira como TODOS os membros da equipe recebem os usuários na unidade ou como interagem com os mesmos na comunidade (ter postura atenciosa e empática. É ter genuíno interesse pela pessoa/família que está sendo atendida).

No exemplo, ao apontar que a mulher já era usuária da unidade, subentende-se que a acolhida (como ação do PAIF) já ocorrera. Mas é bom se atentar que a acolhida não acontece uma única vez, está posto sumariamente porque o desafio requer um fechamento mais objetivo – Sugiro a leitura dos conceitos abordados nos cadernos de orientações dos serviços e na PNAS

P.S. Outras avaliações são possíveis para este exemplo apresentado. Portanto, caso queira acrescentar suas análises, saiba que será de extrema valia conhecê-las.

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Atualizado em: 21/07/2019

4 respostas »

  1. Bom dia Rozana, gostaria muito de uma orientação em uma situação hipotética: Coordenadora de CREAS reside em um município pequeno e “cruza” ou conhece usuários, pois bem, familiares quando veem uma situação de possível risco de crianças, entram em contato com ela fora do horário de trabalho e aos finais de semana, a profissional se dirige ao local sozinha, em carro próprio e “intervém” após a “intervenção” manda mensagens em grupo de whatssap do trabalho onde tem outras pessoas que não são técnicos e conta a história e ainda pede “apoio” dos profissionais de referência ( quando a família é acompanhada pelo CREAS). O profissional contactado informa que se deve informar ao Conselho tutelar e que não há o que fazer já que não existe expediente no momento. Ocorre tb intervenções em acolhimento institucional emergencial onde a profissional vai e “convoca” técnicos para ir junto mesmo que seja de madrugada. Gostaria Rozana de apontar está discussão, até onde vai a nossa práxis profissional ? Podemos agir em intervenções que não cabem ao CREAS?

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    • Olá, Flávia! Muito válido este teu comentário. Em meu município, apesar de não ser de pequeno porte, também acontecem situações semelhantes com alguns atores da rede de garantia de direitos. Penso que primeiramente temos que ter em mente qual é o nosso papel e qual nosso limite profissional. O que está amparando esta profissional fora de expediente? Há plantão social para casos assim (no meu há, e também muitas discussões a respeito, mas deixo para outro momento)? O fluxo para situações de violência com crianças e adolescentes deve, no meu entendimento, ser sempre o CT e após se dá a referência/encaminhamento para o equipamento responsável, neste caso, o CREAS. Por mais que sejamos sensíveis as questões dos usuários que nos cercam, somos responsáveis pelas “intervenções atravessadas”; que além de atrapalhar o fluxo, não nos respalda enquanto servidores. Acredito ser pertinente você colocar estas questões para tua gestão e discutir/relembrar o protocolo para casos fora de expediente.

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