Há funções privativas da psicologia no SUAS?


O título deste post Há funções privativas da psicologia no SUAS? é uma pergunta feita pela leitora Fernanda a respeito da atuação do profissional de psicologia no SUAS e a reposta é NÃO, não há atribuição específica do profissional de psicologia no SUAS. E toda tentativa de afirmar a necessidade de uma “exclusividade”, de delimitar atividades privativas, neste contexto, é questionável e isenta de um conhecimento profundo da Política Nacional de Assistência Social.

 Por que não há uma diferenciação/classificação entre o que compete ao psicólogo e o que compete ao assistente social no SUAS? Porque os profissionais que irão compor a equipe dos serviços socioassistenciais (equipe com formação em Serviço Social e Psicologia – obrigatoriamente) são contratados para exercerem o cargo de Técnico do PAIF, do PAEFI, de programas, beneficiários ou para serem gestores.

 Assim, é o mesmo cargo, e as atribuições serão as mesmas, obviamente considerando que a execução dessas atribuições serão norteadas pelo arcabouço teórico e prático de cada profissão, e, sobretudo pelas habilidades e competências adquiridas através de formações na área de política social. Se as atribuições são as mesmas, mas minha formação é A, como me comunicar com a B? Lançarei uma possibilidade adiante neste texto.

 Diante do exposto, sabemos então que se somos técnicos de nível superior, e que somos convocados para executar uma política pública para cumprir os objetivos, princípios e diretrizes já preconizados, iremos (Psicóloga (o) e Assistente Social) ter atribuições comuns. E você pergunta mais uma vez: então não tem diferença? Claro que tem, são formações distintas, cada profissão com suas teorias e instrumentos de “leitura” e intervenção em um mesmo, ou vários objetos como cidadãos/sujeitos/famílias em estado de pobreza, violência; com precário ou nulo acesso as direitos sociais; com as relações familiares e comunitárias fragilizadas ou rompidas, dentre outros.

 Portanto, somos duas categorias, de áreas afins, que somam suas competências para “responder” aos problemas sociais, aqui sumariamente apresentados. Mas não é uma dialética, e sim um encontro transversal, pois essas duas áreas não devem trabalhar com o propósito de soma, mas sim de construção de novos paradigmas e de novos fazeres entrelaçados com as famílias e com as comunidades.

 Portanto, se não é dialética, não se espera que o assistente social esteja de um lado e o psicólogo de outro, mas sim que os mesmos promovam intervenções que sejam capazes de possibilitar sentido e significado para cada família e comunidade que demandarem o serviço. E que se permitam (trans)locar seus conhecimentos segundo o saber manifestado pelos usuários e público demandante da PNAS.

 Reforço que ao determinar atribuições específicas neste contexto de atuação, estamos fadados a reproduzirmos uma práxis estática e fechada para os atravessamentos dos diferentes saberes e principalmente, desconsiderando todo e qualquer saber que não foram captados pelos bancos acadêmicos.

 Por fim, este ensaio pincela apenas algumas ideias sobre este assunto, obviamente que as mesmas não se esgotam nestas linhas tecidas da maneira menos pretensiosa possível, mas é um começo para avançarmos nesta discussão, uma vez que já temos exemplos significativos de impedimento/limitação da atuação do profissional de psicologia no SUAS, tanto na oferta do serviço quanto na gestão.

 Vale a reflexão, ou não?

 Nota: Post em resposta ao comentário da leitora Fernanda, a qual deixo meus agradecimentos pela participação e pela provocação deste texto! comentário Enviado em 02/07/2013 as 10:08 no Post: O lugar do psicólogo(a) garantido na composição da equipe de referência dos CRAS e CREAS

59 comentários

  1. Ola, Boa Noite como vai? Tenho admirado seu Blog, meus parabéns. Seus materiais são ricos de informações pra quem esta começando agora a conhecer esse universo SUAS. Gostaria de tirar uma duvida: Moro no interior do mato grosso e ocorreram nos últimos dias acontecimentos que prejudicaram o meu serviço no CRAS. Faço parte da equipe técnica e a nova gestão contratou uma auditoria. O auditor me procurou dizendo que como psicologa da prefeitura teria que fazer parte, coordenando e realizando o levantamento do clima organizacional bem como satisfação e desempenho de todos os funcionários ou seja de todas as secretarias. Qual deve ser meu envolvimento com eles, sendo que sou concursada a poucos meses?
    Desde já agradeço a oportunidade e desejo sucesso ao seu trabalho.

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  2. Me parece que os equívocos já começam quando um/a psicóloga responde sobre atribuição de Assistente Social e vice versa!!??? O psicólogo tem competência para fazer consultoria, assessoria em matéria de Serviço Social ou seria esse um exercício ilegal da profissão de assistente social, profissão regulamentada pela lei Federal 8662/93??? Será que as reformas governamentais também acabaram com Lei de contravenções penais???? O que é atribuição privativa de assistente social apenas assistentes sociais podem fazer e aos psicólogos que infringirem a 8662/93 eu só espero que o CRESS passe a denunciá-los formalmente em Delegacia e ao MP pra vê se com isso se para de misturar as coisas!!! NÃO EXISTE PROFISSÃO PSICOSSOCIAL!!! O serviço dos equipamentos do SUAS e alguns da SUS são psicossociais que as políticas instituem ASSISTENTES SOCIAIS e PSICOLOGOS como profissionais da equipe mínima, mas nem por isso eu perco as minhas especificações profissionais!!! Se não precisaria dos dois profissionais ou só psicólogos ou só assistentes sociais resolveriam?? NÃO É ISSO!! TEM LUGAR PARA OS DOIS PROFISSIONAIS! NÃO PRECISA FAZER A MESMA COISA PRA GARANTIR O EMPREGO OU o LUGAR NO SUAS!! É, no mínimo, um grande equivoco dizer que se os dois profissionais não assinarem juntos um documento, não visitarem juntos, não atenderem juntos o serviço do CRAS ou CREAS não será psicossocial, NÃO SERÁ INTERDISCIPLINAR!!!!! Interdisciplinar é estabelecer relações entre duas ou mais disciplinas ou ramos de conhecimento E NÃO TORNAR TODOS OS CONHECIMENTOS UM SO!!! Isso pra mim se chama falta de conhecimento e de competência técnica. Se o CRP denunciasse os Assistentes Sociais que assinam por documentos PSI….., pois esses não tem fundamentação teórica suficiente, nem registro no CRP para dar opinião técnica sobre psicologia, isso já tinha acabado!!! Sabe o que parece??? Que os profissionais não sabem o que fazer, ai fazem tudo junto pra não errar sozinhos!!! São PROFISSIONAIS DIFERENTES, COMPETÊNCIAS DIFERENTES E ATUAÇÕES IMPORTANTÍSSIMAS!!! SÓ NÃO PODEMOS ESQUECER QUE AS PROFISSÕES SÃO REGULAMENTADAS POR LEIS FEDERAIS E NEM O ASSISTENTE SOCIAL NEM O PSICOLOGO ESTÃO ACIMA DA LEI NEM NO SUAS NEM NO SUS!! E PODERÃO SER RESPONSABILIZADOS JURIDICAMENTE PELAS INFRAÇÕES!!!! FICA A DICA!!! O trabalho desses profissionais nas políticas sociais é em prol da sociedade! Vamos parar de olhar para os nossos umbigos e vaidades e fazer o nosso trabalho de forma competente e responsável que é a nossa obrigação!!! Não podemos ser levianos disseminando informações que possam levar ao erro!
    Minha questão é: AFIRMAR QUE NÃO EXISTEM ATRIBUIÇÕES PRIVATIVAS NOS CRAS E CREAS NÃO SERIA FOMENTAR O EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO DE ASSISTENTES SOCIAIS E PSICÓLOGOS NO SUAS??

    ESTOU COLOCANDO ESSA MENSAGEM NOVAMENTE PORQUE ELA SIMPLESMENTE FOI APAGADA SEM DAR O DIREITOS AOS DEMAIS PROFISSIONAIS DE LEREM, CONHECEREM E COMENTAREM!

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    1. Lhe apoio e concordo, sou assistente social e no meu parecer só assina eu aos colegas cabe o espaço de sua percepção no relatório afinal ele sim é mult e inter disciplinar nosso saberes e fazeres não

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  3. Ola, gostei bastante do blog! Porém gostaria de compartilhar uma dúvida, nossos relatórios psicossociais devem ser assinados pela equipe de referência do CRAS certo? Psicologo juntamente com o Assistente Social? Pergunto isso pois fui informada que o Conselho dos Assistentes Sociais (cress) aconselhou a não assinarem nenhum tipo de documento juntamente com o psicólogo! Isso causaria um equívoco ja que o trabalho é multidisciplinar e a família é acompanhada pelos dois técnicos!

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    1. Ao assinar por opinião técnica de outra profissão, seja ela qual for, você estará em exercício ilegal daquela profissão!!! Cada profissional só deve assinar por aquilo que foi feito por ele e é oriundo dos seus conhecimentos!!

      DAS CONTRAVENÇÕES RELATIVAS À ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

          Art. 47. Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício:
      
          Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis.
      

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  4. Olá, Rozana, parabéns pela iniciativa. Tenho acompanhado constantemente o seu site. Tenho uma dúvida..como você comentou anteriormente somos todos técnicos sociais. E quando o assistente social atuante no CREAS trabalha menos e ganha mais do que o psicólogo? Se são as mesmas atribuições , então que os direitos trabalhistas também sejam iguais.

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    1. Pois é, Mirian!
      É preciso mobilizar a categoria para reivindicar isonomia, mas é bom lembrar que os colegas assistentes sociais usufruem de um direito conquistado a partir de lutas e portanto precisamos nos fortalecermos para reverter essa questão que se torna complicada para implementação e qualificação do trabalho.

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    1. Oi Paulo,
      Sua pergunta já está devidamente respondida!! é que para eu não me perder, vou mediando os comentários aos poucos. É melhor demorar do que não responder, não acha?

      Uma abraço

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      1. Talvez eu tenha me explicado mal. Existe a rede e o Crás é um ponto de entrada, as relações estão boas. Sou psicólogo novo co Crás e percebi que a saúde de alguma forma anexou o Crás para suas atividades. Entrei no cras e passei a acompanhar oficinas organizadas pela saúde e não pelo Crás. Quase um trabalho de AT. Também não podemos fazer atendimentos individuais e se fizermos corremos o risco de denúncias, dai me pergunto se é para tanto? Fazer atendimento no Crás é proibido por lei ou só um exagero de zelo no município? sei que não é o objetivo principal do Crás, mas se for feito, é motivo de crucificação?
        E a autonomia do Crás? Somos da saúde? Ou só trabalhamos em conexao? Se não somos da saúde , mas trabalhamos em conjunto, podemos nos responsabilizar pelos casos que acompanhamos? Ou vamos ser tratados como estagiários?
        Percebo dois pesos e duas medidas, quando desejo atender individualmente os usuarios do cras\paciente da saude dizem que não sou da saude e que o Crás só cede o espaço para a saúde, mas eu sou do Crás e estou sendo cedido também? Se estou sendo cedido por que não posso atender? Talvez seja só uma pequena questão que com dialogo se resolva, mas como sou CC, esta gerando um conflito…

        Obrigado pela atenção, VC é muito gentil!

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        1. Oi Paulo,
          Fico feliz por ter retornado aqui… isso é raro rsrs
          Bom, você explicou melhor sim, mas não diminuiu a confusão da situação… Se você é profissional do CRAS você irá desenvolver as ações do PAIF e outros serviços da Proteção Social Básica – é isso que embasará seu argumento no diálogo com sua equipe e com a rede. Realmente é através desse diálogo que vocês construirão a autonomia de vocês. A autonomia não será dada pelos outros, ela já deve estar imbricada em seu posicionamento ético e político frente a esses conflitos e equívocos desse trabalho em conjunto, nos quais vocês é peça fundamental para desfazer os nós, mas manter os laços. Um abraço e bom trabalho.

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  5. Colega Rozana o Crás que trabalho esta ligado em alguns aspectos a saúde. Mas os psicólogos do Crás que fazem parte da equipe minima ficam submetidos em algumas atividades que seriam das psicólogas da saúde. Por exemplo, os pacientes são atendidos individualmente na saúde e quem faz alguns grupos de ludoterapia são os psicólogos do Crás e se forem feitos atendimentos individualizados corre-se o risco de denúncias. Também já ouvi o comentario de que o Crás somente cede o local para a saúde desenvolver suas atividades, mas os psicólogos da equipe minima também são cedidos. Percebo nisso uma falta de autonomia dos profissionais do Crás. Pergunto então até que ponto essa conexão com a rede e saldavel e a partir de que ponto. o Crás deve assumir sua autonomia?

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    1. Oi Paulo,
      Articulação e trabalho intersetorial não significa deixar de atuar de acordo com os objetivos de cada política. Essa situação que você apontou, não é trabalho em rede, mas demonstra desentendimento dos objetivos de cada política, precarização do vínculo de trabalho dos psicólogos e fragilidade na gestão. Eu não entendi a colocação quanto aos atendimentos e riscos de denúncia, uma vez que a Ludoterapia é uma prática da Psicologia clínica para crianças.
      Você pode informar qual é a sua formação e o seu cargo no CRAS?
      Espero que volte aqui para continuarmos…
      um abraço

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  6. Rozana como sempre você arrasa. Texto importantíssimo visto que a equipe no Suas se complementam . Há pouco tempo atrás ouvi de uma assistente social de uma cidade vizinha que psicólogo vai no Cras a passeio e percebi que é uma realidade muito diferente da minha cidade. Na cidade em questão eles não deixam os psicólogos fazer nada, achando que tudo compete ao assistente social.

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    1. Oi Vivi,
      Obrigada pelo retorno!
      Sim, esses dias ouvi que tem muitos psicólogos que acham que são damas de companhia de assistente social nas visitas domiciliares ….é de pasmar, né? mas o posicionamento seguro do psi é que fará o rompimento dessas barreiras e equívocos, porque não adianta o psi ficar no canto com argumentos de que “não o deixam” fazer nada, porque do outro lado ele estará sendo acusado de não saber para que veio – sei que temos muito com o que contribuir com essa “nova” assistência social! todos precisam se abrir para o novo e criar juntos essa nova lógica de atuar com a as consequências da desigualdade social. #coragem #ousadia 😉

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  7. Oi Rosana!!
    parabéns pelo trabalho, estou ha 4 meses no CRAS e as vezes me sinto perdida porque trabalhei 3 anos na saúde. Eu gostaria de saber um pouco mas da atuação no SCFV e nos grupos feito em zona rural.
    Na zona rural estou com um pouco de dificuldade pois não estou tendo a participação da população.

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    1. Oi Joice! seja bem-vinda aqui e no SUAS!
      É preciso investigar porque a população não participa, será que os horários são possíveis para as famílias? será que as crianças não estão desenvolvendo outras atividades, ou até trabalhando? ou o serviço está sendo ofertado em uma localidade com dificuldade de acesso para os moradores? Espero que os demais colegas que tenham experiências com o SCFV na zona rural possam comentar aqui também e contribuir de alguma forma.
      Vamos nos falando…
      Um abraço

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  8. Oi Rozana, na minha atuação como psicologo no CRAS, tenho a seguinte dúvida: O psicólogo tem como responsabilidade realizar cadastros para inclusão de pessoas em programas sociais (calcular renda per capta e outros criteiros de inclusão) ?

    Obrigada.

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      1. Oi Rozana,

        Em relação à pergunta da Cris, mesmo que haja um operador do Cadastro Único responsável pela inclusão das famílias, os psicólogos e assistentes sociais do CRAS podem fazer o cadastro? Eu tive uma informação diferente em uma capacitação sobre SUAS que fiz.

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  9. Gostei muito desse blog, está de parabéns Rozana. Eu atuo em um CCAS junto com assistente social, sempre deu certo e continua dando, nosso trabalho é sempre em conjunto. Como nossa carga horária é de seis horas diárias, procuramos cada uma estar em um horário para o centro não ficar sem técnica, porém o momento que nos encontramos, sempre no atualizamos do que aconteceu sem a presença de um ou de outra. E quando estamos no mesmo horário fazemos atendimentos juntas. Inclusive o centro disponibiliza relatório psicossocial, socioassistencial e multidisciplinar.
    Claro que em algumas vezes, há especificações no trabalho, como matricula podendo ser efetuado apenas pela assistente social, porém eu a ajudo quando necessário e grupos de intervenção são realizado por mim, da mesma forma, a assistente social me ajuda quando necessário. No caso de visitas domiciliares fica de preferência para a AS realizar, mas em casa específicos eu acompanho, ou em casos que eu queira observar na residência, falo com ela e vamos juntas.
    Acredito que estamos no caminho certo!!!!!!

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    1. Oi Lidiane,
      Obrigada pela participação e comentário ao dividir sua experiência conosco.
      Você está de parabéns pelo envolvimento e dedicação ao trabalho. Alguns pontos do seu comentário já foram temas de discussão aqui e com certeza não se esgotou. Comentarei em algum momento sobre alguns pontos. Tomara que continue visitando o Blog para participar do debate.

      Um abraço

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    1. Oi Thiago!obrigada pelo desdobramento que você deu ao post (https://craspsicologia.wordpress.com/2013/07/11/ha-funcoes-privativas-da-psicologia-no-suas/) ! é disso que os profissionais do SUAS precisam, ser provocados e aceitarem sair do lugar.

      Bom, gostei do seu texto e ao terminar a leitura fiquei esperando o final! rsrs acredito que a bandeira mais evidente em suas colocações diz respeito ao despreparo técnico dos profissionais que atuam no SUAS. Sejam os Psicólogos assistentes sociais, pedagogos, sociólogos… não fomos “formados” para atuar nesta política e por isso temos que correr contra o tempo para evitar reproduzir uma atuação pautada no senso comum, ou melhor, para não reproduzir a ideia de que assistência social qualquer um de bom coração e com boa intenção é capaz de fazer. Só tomaria o cuidado ao tratar como trivial o fato dos atendimentos às famílias( como foi colocado), sabemos que estamos numa construção, muito há o que melhorar, mas temos ciência que há um desdobramento e ações com a família dotadas de sentido (principalmente pela família) e pautadas numa postura ética e profissional.
      Gostaria de pontuar que a discussão, principalmente meu posicionamento no Blog aborda muito além da colaboração interpessoal. E lendo seu texto, o trecho que você menciona isso: “Proponho observar a equipe técnica em sua dupla característica: a equipe de técnicos do SUAS e a equipe de profissionais de nível superior do SUAS” observei que há uma confusão, um entendimento diferente acerca do que seria a equipe de referência conforme preconizado na NOB/RH . Não sei se é confusão, acho que não entendi bem essa sua proposta, com certeza uma conversa “ao vivo” iria resolver isso rsrs.
      Bom, vamos nos falando….
      Gostaria de marcar um Hangout para falar com os leitores do Blog, você gostaria de participar? ainda não tem data definida, estou aguardando retorno dos convidados.
      Um abraço e obrigada pelas discussões!
      Rozana Fonseca

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  10. Rozana,

    Acho interessante a suas colocações e dos colegas. Essa ideia de sermos técnicos sociais, estamos inseridos nesta Politica- PNAS e o nosso fazer é construído a cada momento, fazemos parte deste processo de reconstrução. Adoro o trabalho no Suas, e consigo perceber as colocacões dos colegas. Uma coisa percebo, que muitos colegas não conseguem reconhecer que podemos ocupar este lugar, e apenas o Assistente Social que tem o aparato teórico pra atuar ou falar do Suas.
    Não podemos é perder o foco que é a FAMÍLIA /INDIVÍDUOS referenciados….

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  11. Olá.
    Gostaria de compartilhar minha opinião e contar um pouco da minha experiencia de 2 anos no CRAS, onde atualmente trabalho.
    Sou psicólogo e discordo que nós e os assistentes sociais, mesmo no contexto do CRAS, devemos desempenhar as mesmas funções. De fato, ambos somos Técnicos do SUAS, mas um é técnico psicólogo e o outro é técnico assistente social. Se os papeis são os mesmos, não faz sentido haver profissionais diferentes. Trabalhar em equipe não significa todo mundo fazer a mesma coisa, mas planejar ações conjuntas, considerando a particularidade de cada formação, para atender adequadamente a demanda do usuário. Desta forma, uma família pode, sem nenhum problema, ser acompanhada por ambos os profissionais sem que o psicólogo perda sua identidade profissional, assim, preservando-a.
    O próprio usuário já tem isso discriminado, pois ao chegar no CRAS ele procura diretamente o assistente social ou o psicólogo. Caso aja a necessidade, o profissional procurado solicita a participação do outro no mesmo atendimento. No CRAS onde trabalho é assim que fazemos e vem dando certo até o momento. Quando o atendimento envolve apenas a realização de cadastro para concessão de passe-livre, BPC, cesta básica ou algum outro ganho material, eu penso que a atuação é exclusivamente do assistente social. Minha atuação, no CRAS, é mais no acompanhamento dos grupos de convivência (idosos, crianças, adolescentes, gestantes), na realização de algumas visitas domiciliares que necessitem da atuação do psicólogo, além de que também realizo alguns atendimentos individuais (para triagem e encaminhamento por exemplo).

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    1. Oi Antônio! muito bom receber sua participação aqui! como você deve ter lido em algum post, esta não é uma linha que defendo e nem acredito ser a atuação no SUAS, mas toda discussão é válida e só vamos chegar numa ideia mais assertiva e que responda a demanda dos serviços socioassistenciais se fazermos isso que estamos fazendo: debater, sugerir e expor o temos feito.
      Um abraço

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  12. Ola colegas,
    Venho expor como psicanalista minha passagem pelo CREAS, referido à política de assistência e ao acompanhamento dos casos. Primeiro digo que mesmo respondendo na função de psicólogo, cumpre tocar que a demanda ao psi não pode (por questões estruturais) ser “atendida” mas deve (e nunca deixa de ser) respondida. Não se atende à demanda porque não queremos ou somos avarentos, e com isso recusamos a dar o que nos cobram em abundância… Mas por uma “mentira” imanente a demanda que não exige o objeto que “pede”… Essa questão excede o que venho dizer, mas não posso avançar sem constatar isso… A demanda nunca se atende! Mais em função às vagas para o serviço e menos como vocação profissional (já que o que determina nosso lugar é a transferência), adentrei este estranho serviço que é o CREAS… E merece seu destaque já que a tensão básica entre políticas, metas e tipificações precisa ser assumida como trabalho e menos como problema, dando seriedade ao que trazemos aqui. Acho que como muito dos profissionais psi que conversei em atuação neste campo, sentiram um desconforto quanto a sua posição e função no CREAS, também senti. A começar pela distancia (que li nos argumentos acima) importante quanto à regulação por um conjunto de princípios éticos (em psicanálise soaria estranho ser regulada por um conjunto moral, critico, ético ou outro), quantos aos objetivos e metas tanto da política quantos dos dispositivos. De saída, acontece um “dialogo” impossível, mas não por isso menos conversável entre psicanálise e o campo de serviços públicos!
    Me explico concentrando no que já foi tratado aqui, quando pensamos que uma “psicoterapia” se da no espaço de um consultório quase que exclusivamente, temos nesta conta, que ate as paredes (do consultório) fazem a soma e o calculo do que precisa para que uma psicoterapia aconteça… Algo estranho se passa com isso! Pois se as paredes de uma sala aonde um psicólogo e o usuário “tipificam-se” em atendimento psicoterápico, que nos permite dizer que do assistente social também não o seja? A faculdade que cada um fez, será o determinante? As distinções profissionais não se desorientam quando visam a clinica, de outro modo, somente com a visada clinica alguma orientação passa a ser possível, e isso em qualquer trabalho neste campo! A radicalidade disso, e tento dizer com isso, que acredito pouco importa se fazem psicoterapia ou não em um serviço de assistência, se ela aconteça nas dependências de seu espaço… Essa não vem a ser uma questão seria, senão policialesca… A questão central deve ser: Que isso tem a ver com clinica? Pois mesmo que não se reconheça que clinica se faz em um CREAS, que ela deixa de acontecer… Ela acontece, pois o sujeito sempre faz seu barulho, ele se infiltra e quando vemos é no instante exato em que faz ele um “desvio” em nossa meta! Neste sentido, a clinica não se vê subordinada a política, e certamente não se vê constrangida ou proibida por ela. Esta políci(tic)a (caso exista) ignora o que lhe torna possível.
    Uma nota quanto à atualidade que podemos conceber a pratica em consultório iniciada pelo próprio Freud, que fosse um banco de praça (se houvesse condições para isso) uma psicanálise poderia se dar! A apropriação do consultório como modelo das praticas psi em nada tem a ver, com sua inauguração, quando se pensa que em um consultório se da a pratica psi… pois isso nasceu como uma novidade, e para constar continua sendo (tamanho escândalo que pode ser sua presença espacial em um serviço da assistência). Pena ver que alguns poucos se envergonham quando tentar esboçar que o fazem é clinico, diante da grande maioria que abole da pratica na assistência a noção de quem o que fazem é clinica. Por uma clinica sem vergonha! Escutar um paciente em um consultório um pio alem de sua sintomatologia, foi uma inovação para medicina da época, que perde sua atualidade para certa “perfiologia” do que é um trabalho de analise hoje… tomada como perfil do que é o trabalho de todo psi… O que tornaria constrangedor citar uma orientação psicanalítica em um serviço CAPS e CAPSi, que se da em um coletivo e não na exclusividade de um consultório e que mesmo assim, se a clinica exigir não se constrange a se apropriar de um…
    Na outra volta do parafuso, podemos interrogar como um CREAS em atenção em trabalho com moradores de rua pode dispensar sua clinica justamente por se dar fora de um consultório? Dispensando a clinica dispensamos o sujeito… E com isso o trabalho! A meta e objetivo da política se escandaliza quando não trabalha com o sujeito, pois sem ele (que por sinal é suposto) não passa de mudanças materiais para mudanças materiais (e olha que isso parece nem existir) como se mudássemos os membros de uma família por outra, pois alguns deles se desentendem.
    A lição básica da psicanálise pode ser colocada desse modo: Não se recua da clinica sem junto, mandar o sujeito para o ralo! Este é o preço, e que não sem muito custo podemos ver com alguma frequência se recusar a pagar. Não que não saibamos o preço, simplesmente nos recusamos a pagar. De outro modo, se você avança em direção ao sujeito ele avança a você também, mesmo que diga “não” ao que lhe propõe. Com Considero o CREAS um serviço diferenciado no conjunto de organização dentro da assistência social, e me sinto privilegiado em “des-especializar-me” como psicólogo em um serviço tão complexo! Serviços desta complexidade, não podem ser possíveis sem uma visada clinica que necessariamente exige uma “des-epecialização” dos profissionais! Enfim, este foi o que recolhi de meu percurso no CREAS e a ele, muito agradeço.
    Uma coisa que recoloquei no CREAS e deixo aqui, como questão é: Mesmo que o usuário dispense nossos cuidados (aqueles consideramos importantes e indispensáveis para ele), que o mesmo dispense cuidados para si.
    Abcs

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    1. Oi Thiago!
      Fiquei tão feliz ao identificar a linha que norteia seu comentário! muito bom, Obrigada pela oportunidade. Mas, na mesma proporção, fiquei embaraçada ao desfazer essa costura!
      Pois bem, sou adepta da psicanálise e meu contato com essa práxis é responsável pela minha visão de mundo e de sujeito que tenho hoje. Sempre pensei em escrever minhas percepções acerca dos serviços socioassistenciais sob a ótica da psicanálise, e seu comentário me despertou sobre essa ideia e em breve espero poder rascunhar algo – muito obrigada por isso!
      Bom, o embaraço ficou por conta das palavras, do jogo com as mesmas e ideias tecidas maravilhosamente bem, mas ainda não consigo visualizar esta função nos serviços do SUAS, mas vejo como extremamente relevante para as políticas que necessariamente devem receber as demandas de tratamento psíquico. O Sofrimento que nos chega no SUAS é ético-político (longe de um posicionamento cartesiano) por isso nossa atuação visa responsabilizar toda a teia que propiciou este sofrimento, e aí não vejo que nosso instrumento para tal, seja a clínica como apresentada em seu texto. Evitando assim, reproduzir a patologização das questões sociais e culpabilização pelo estado vulnerável que o sujeito vivencia ao acionar ou ser “buscado” pelo serviço.
      Bom, por ora é isso…
      Obrigada pela valiosa e inédita contribuição aqui no Blog!
      Um abraço

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      1. Oi Rozana,

        Primeiramente agradeço a oportunidade de resposta que me confere, e atenciosidade que dá ao que escrevem em seu blog. Sem ele, diálogos inter-estaduais mesmo que breves como este não aconteceriam. Para constar escrevo do Rio de Janeiro.

        Acho ótimo que seu interesse em poder escrever sobre as suas percepções a ótica da psicanálise, e no sentindo inverso acho importante que tratemos também da percepção da psicanálise sobre a ótica da Assistência Social com os riscos que isso pode trazer. A começar pelos mal-entendidos!

        Lendo sua resposta, achei-me meio vago no que pude escrever. Considero importante uma certa insistência de minha parte.

        Queria dizer de saída que não há sofrimento que não seja (para misturar Descartes em nossa costura) Poli(éti)co, e que o que des-patologiza é a própria função sujeito e aí está toda a ética na pólis revisitada. Sujeito não são pessoas, sujeito é o nome em psicanálise de um buraco que se abre em qualquer campo (de saber inclusive) que se queira por totalitário sobre si ou outra coisa. De um modo menos rigoroso, a função sujeito é aquela que comparece em qualquer “pessoa” quando algo que ela se propõe a fazer ou dizer, e não faz ou diz uma outra coisa qualquer e levanta a interrogação “Que diabos eu fiz ou disse?” evocando este “Quem?” suposto (justamente por não referir há algo verificável concretamente como um carro). Quando alguém com Alzheimeir que já completamente tomada pela doença orgânica, lembra do nome de alguém ou cenas que todo saber médico atestasse ser impossível na atual condição em que se encontra, este buraco no saber, este Real é sujeito. O sujeito tem essa cara de milagre (que não sabemos bem se divino ou profano) nesses episódios da vida, assim como o real que tem uma definição de impossível psicanaliticamente, é preciso entender que impossível não quer dizer que não aconteça mas é impossível justamente porque acontece. A cara de salto miraculoso que tem o Real é esta, e sua verdade absurda não é que nunca tocamos no Real, mas que sim temos encontros com o Real. Assim, o sujeito é suposto para todo aquele que fala. Já que naquilo que diz do que faz nem tudo pode se esclarecer, essa sobra é questão de sujeito.

        Outra questão que me chama atenção se no social não emerge um pathos (sofrimento) porque seríamos convocados no campo público? Acho sim, que se há uma “patologização do social” (e não sei se entendemos a mesma coisa por este termo) e não me refiro a um profissional psi diagnosticar como TDAH uma criança para sentencia-la a uma carreira psiquiátrica (diagnostico pelo diagnostico, o que nos indica que caminhamos para a inutilidade do clínico), mas de que só através de sua patologia se faz alguma coisa com ela. A questão da “culpabilização” que cita logo em seguida, precisaria sim de maiores esclarecimentos, sendo já que por nossa condição de sujeito somos sempre responsáveis (sentença máxima de Lacan). Acentuaria que do nosso lado como reprodutor de uma condição que afeta a vulnerabilidade, aí está nosso lugar transferencial que só a clínica esclarece. Quando falamos do “Depoimento sem dano”, para extrair da criança suspeita de abuso sexual um indicador que verifique que ocorreu tal abuso, posso entender que o clínico (perito) insista que o depoimento não produza sua “iatrogenia” somente quando ele deixa de ser clinico para servir como instrumento de verificação de dados que sustentem um parecer. Só com o clínico ali de prontidão reconhece que seus atos e intervenções tem efeitos, como você disse Rozana “reproduzir”. Por isso digo que caminhamos (e aí mora o perigo) para não só um esvaziamento da clínica em todos os dispositivos como do esvaziamento dos clínicos daqueles que exercem está prática. Quando uma máquina puder diagnosticar ou extrair o depoimento e isso bastar teremos aí a cumplicidade contemporânea em sua tentativa de varrer a clínica do mapa. Não é o depoimento que diz do dano, novamente é o sujeito (que por sinal não disse nada e nada que se dirija a ele vai continuar sem dizer), se o depoimento não só não reconhece isso como diz antes e no lugar do sujeito sobre isso, é aí que não há mais clínica. Pela precisão que aqui se coloca vale pontuar esta citação de Lacan: “Uma fala só é fala na medida exata em que alguém nela crê.”

        Quando digo que a clínica tem algo a dizer sobre uma prática, não digo ser a mesma coisa que a clínica tem que ser sempre sobre esta prática e muito menos substituí-la. Algo que a clínica frequenta cotidianamente elucida algo daquela prática que não se diz clínica, pois a clínica frequenta o terreno das questões do sujeito. Questões essas que não dizem de uma suposta “interioridade psicólogica” só acessada pela psicoterapia e por isso reservada a algum formato específico (no caso citei o consultório como espaço quase exclusivo de clínica psi).

        A clínica (que no nome situa-se entre inclinar e desviar) que pontuo, ela é um pouco bandida nesses termos, pois ela se infiltra toda vez que numa discussão de equipe por exemplo, temos uma situação complexa aos extremos numa família que um de seus membros não pode arcar com as de responsabilidade civis por alguma incapacitação de saúde (ou outra que seja) e é preciso levantar elementos de quem será o curador. Mesmo que nas diferentes abordagens para resolução do problema pelas equipes, não se deixa de perguntar (mesmo que não se pergunte ao interessado) qual será o melhor para aquele em questão! De modo algum, alguém pensa em propor um trabalho psicoterápico, análise ou florais ao incapacitado, pois passa longe da questão em jogo. Mas está interrogação que evoca o sujeito “Quem” não é colocada por alguns que tem simpatia pela clínica (entendida aqui como atendimento em consultório, aonde o sujeito poderá acessar os confins da mente), mas a todos que estão debruçados no caso quando trabalham incluindo o sujeito (pois nem todas as práticas incluem o sujeito). Essa visada ao sujeito chamo equivocadamente ou não de clínica. O que nos permite professar o outro lado, que nem todo atendimento em consultório com profissionais psi necessariamente seja clínico.

        Outro exemplo: Estava conversando sobre a questão das escolas e uma dificuldade local, em conciliar o projeto pedagógico com a entrada (projeto de inclusão social) de autistas em sala de aula. Incluir por incluir não resolve o problema e muito menos indica saídas possíveis, não digo que não ache boa uma direção de política pública de Estado, mas que ela exige um trabalho a mais se queres por exemplo ser professor em escolas. Recuar dessa política está equivocadamente distante de avançar o problema, mas nem tanto da tentação de tampona-lo pelas dificuldades que produz. Nem se trata de olhar para o que dizem os professores, e acusa-los de preconceito. Bobagem, há um problema real, social e de sujeitos, como um nó. A impossibilidade de conciliar o projeto pedagógico como ele se dá hoje em dia para os alunos, ainda mais aqueles que escancaram (e não precisam ser autistas) que algo em qualquer projeto da civilização tanto mais fracassa quanto mais insiste é algo que exige um trabalho além do emprego. Enfim, a clínica com autistas esclarece pontos que não cumpre a educação tratar, não se trata das escolas oferecendo tratamento (seja lá qual for, e acho até importante que pelo menos um lugar que não se disponha a trata-los já que explodem-se em milhões de tratamentos, cujo tempo da criança passa preenchido se “tratando”) a autistas, mas que a visada e inclusão do sujeito que um lugar de tratamento (e nem todos fazem isso) sustenta pode servir a Escola. Não sei dizer das consequências dessa inclusão do sujeito em seu ensino, mas me parece a aposta que se impõe: Incluir o sujeito. Escrevendo isso, percebi que incluir o autista na escola em nada diz do sujeito que virá a responder por isso, primariamente porque não pode. Sobre isso, há uma filósofa muito legal chamada Viviane Mosé cujos vídeos ao Café Filosófico são esclarecedores.

        Pela escassez de exemplos que não colocarei justamente para ir diretamente ao ponto. É de uma assunção de determinada posição Poli(éti)ca que cada profissional se vê convocado a responder no social (e ao social) que diz mais que a tanto que a estáticas numéricas de quantos profissionais de cada categoria tem no serviço não responde por essa posição exigida a cada. E claro, que não deixa de ser óbvio que um serviço precisa de profissionais o bastante para realizar seu mandato, digo que esta posição que ponho em relevo não vem junto (acoplada) com a habilitação para ser psicólogo ou assistente social.

        É de uma dificuldade tamanha transmitir o que tento dizer aqui, pois me parece de uma fineza que exige (e talvez só tenha como garantia) o que de cada um pode se dar de si para sustentar uma política que se dirige a sujeitos.

        Novamente Rozana obrigado,

        Espaços como este que criou são de uma importância tamanha que talvez não se possa medir, senão pelas consequências por vir.

        Bjos e até

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  13. Olá Rozana…gostei muito das suas reflexões !!! Sou Psicólogo atuante no SUAS com experiência na Proteção Especial de Média e Alta Complexidade! Acredito que o debate sempre será de caráter construtivo para cada vez mais repensarmos nossa prática… Penso e discuto sempre sobre a noção de “clínica” que de forma geral sempre é percebida como não devendo ocupar espaço na Política de Assistência Social… mas afinal de que clínica estamos falando? Quando pensamos apenas na clínica privatista, individualizante e destinada exclusivamente ao exercício da psicoterapia, realmente compartilho da idéia de que os equipamentos da A.S não são espaços para tal, mas quando reflito sobre a possibilidade de pensarmos o olhar clínico em um sentido inter (trans) disciplinar na direção de intervenções que vão para além das especificidades tanto das disciplinas quanto dos equipamentos em si, poderemos pensar em uma clínica sim em uma perspectiva bem distinta da que comumente se entende….É possível realizar intervenções de caráter social sem ser clínico e também em nossas intervenções clínicas em consultório será possível desconsiderar o contexto sócio-histórico e o indivíduo sendo atravessado por essas relações? Talvez se pararmos para refletirmos sobre estas questões iremos parar de fazer tantas distinções e chegaremos a conclusão de que somos sempre clínicos sim independente do contexto de atuação em que nos encontremos…Também me preocupo com o que foi colocado nas discussões pelos colegas acima de que chegarmos a um ponto pela falta de clareza de todas estas questões de chegarmos a um momento da primazia do senso comum nas discussões em equipe nos serviços de A.S….Espero ter contribuído fomentado esse debate riquíssimo…Forte abraço a todos!!!!

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    1. Oi Alan! que alegria ler seu comentário, muito valiosa sua participação! obrigada.
      Concordo com suas colocações, porque sei que você está colocando uma ideia do que tem se falado quanto uma “clínica do social”, “clínica ampliada”, acredito ser uma construção muito boa, pois, devemos então, conceituar essa nova proposta de clínica. Contudo fico temerosa quanto se isso não parece mais uma reprodução revestida de que só sabemos e podemos fazer clínica, mesmo essa ampliada! mas estou estudando sobre isso e vou pela linha defendida por Lucia Afonso, quando ela diz que podemos utilizar dos instrumentos da clínica. Uma exemplo claro? qual é nosso instrumento precioso e fundamental na clínica? A ESCUTA, e ela pode e deve ser nossa “ferramenta” neste contexto de atuação.
      Um abraço e mais uma vez, obrigada por enriquecer este espaço!

      #o debate continua!

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  14. Ontem eu estava conversando exatamente sobre essa questão com uma colega Psi e defendi que não deve ter essa diferença entre a atuação dos Psicólogo e Assistentes Sociais dentro do CRAS, somo todos Técnicos Sociais e cada um vai contribuir com os embasamento teóricos da sua formação!
    No inicio da minha atuação dentro do CRAS tive várias duvidas e comecei a me questionar se não estava me tornando uma Assistente Social, mas uma Professora da Pós Graduação que fiz em “Trabalhos Sociais com Famílias e Comunidades” conseguiu me mostrar que eu continuava sim Psicóloga, porém, Técnica Social. E hoje não me sinto menos Psicóloga porque domino muito de Bolsa Família, dos Benefícios Eventuais, do SUAS, até porque precisamos desse conhecimento pra ajudar as famílias que estão em situação de vulnerabilidade social!
    No CRAS onde atuo todos os atendimentos são feitos com a presença dos dois Técnicos, o Psicólogo e o Assistente Social e funciona perfeitamente… e na minha opinião, o atendimento se torna mais rico e só assim enxergamos o individuo e sua família como um todo!
    Acho que na verdade ainda existe aquela cobrança que pra ser Psicólogo tem que fazer psicoterapia, atendimento individual…

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    1. Oi Carol!
      Muito obrigada pelo seu comentário! é claro e traz uma contribuição importantíssima, porque enquanto psicólogos não podemos ficar reproduzindo que não sabemos o que fazer e “deixar” espaço para que a gestão ou demais profissionais nos vejam como “auxiliares” nos serviços socioassistenciais. Muito feliz em saber que você ultrapassou essa barreira e nos deixou aqui uma mostra do nosso papel e importância no SUAS!
      Um abraço
      Ah e você nos mostrou ainda a importância da qualificação/especialização na área para melhor compreensão e saber fazer no SUAS!!

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  15. Oi Rozana, tudo bem?

    Vou por outro caminho para discutir a questão. Acredito que só conseguiremos potencializar as análises se houver funções privativas. A ação prática, essa sim, vai depender do entendimento e trabalho comuns.

    Veja: só nos tornamos parte da equipe técnica porque temos treinamento acadêmico. E passamos num concurso que não aceita qualquer profissão, somente aquelas selecionadas. O motivo é que a observação das situações de vulnerabilidade exigem análises científicas diferenciadas. Outro argumento, agora prático: poderia um psicólogo assinar embaixo de um exame baseado numa metodologia sociológica? E o contrário? De jeito nenhum. A ciência só funciona por especializações.

    Porém, os atendimentos com a família devem levar a uma ação concreta, isto é, as diversas análises resultam numa mesma intervenção. Esta sim única, mas baseada nas diferentes análises.

    Diferencio, então, as funções privativas dos profissionais (de nível superior) das funções de equipe. Se tomarmos todo o processo como igual, caímos em observações e ações situadas no senso-comum. E pessoalmente acho que as políticas e diretrizes, pouco claras, dão margem a esta interpretação.

    Espero ter contribuído com a discussão.

    Abraços,
    Thiago

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    1. Oi Thiago,
      Voce falou algo que tenho percebido na minha prática e que tem me incomodado muito, ” cairmos em observações e ações situadas no senso-comum”, eu sinto falta de uma diretriz mais clara sobre a atuação do psicologo na equipe de referência do CRAS.
      Entendo o que a Rosana coloca porém percebo que para o assistente social algumas funções são específicas, por exemplo o atendimento aos benefícios eventuais e nós psicólogos??? O orientador social tem funções definidas e nós psicólogos???
      Acredito no trabalho em equipe e funciona muito bem quando há uma sintonia e interação, mas fica faltando, na prática um direcionamento mais claro do nosso papel na minha opinião.
      Acredito que temos que dicutir mais esse tema.

      Milana

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      1. Oi, Milana, tudo bem?

        Temos que diferenciar a função do profissional. Orientador (ou Educador, nível superior) é função, o profissional é o sociólogo, antropólogo, pedagogo etc. O psicólogo é função, que será ocupada por um psicólogo psicanalista, comportamentalista, gestaltiano etc. Cada técnico oferece sua visão particular do caso atendido, de acordo com sua formação. No meu município as equipes trabalham bem, mas ao deixaram de lado as observações privativas (que seria um primeiro momento do atendimento analítico), caem no senso-comum de uma equipe técnica indiferenciada. E aí surgem as ações simplistas, que qualquer pessoa com bom-senso conseguiria fazer.

        As orientações nacionais deixam esta interpretação subentendida, fazendo apontamentos pouco explícitos (mas fazem). Já quanto ao trabalho em equipe, está tudo lá: recepção, acolhida, atendimento/acompanhamento, análise, avaliação. Esta é a forma, falta o conteúdo.

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        1. Oi Thiago, como não consigui acompanhar/entender direito este seu comentário, só queria pontuar que a psicologia no SUAS é norteada pela práxis da psicologia social, comunitária, grupos, por exemplo e assim, não significa que ao não se utilizar atendimento clínico ( se é o que entendi da sua frase:” (…)mas ao deixaram de lado as observações privativas (que seria um primeiro momento do atendimento analítico (…)) estaremos sem recursos teóricos e práticos para atuação, e este entendimento já é dos próprios profissionais de psicologia que já entenderam que não se faz clínica no SUAS ( veja algumas discussões na Fan page – https://www.facebook.com/PsicologianoSUAS?ref=hl
          Um abraço

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    2. Oi Thiago, sua participação é sempre TOP aqui! obrigada.
      Pois é, esta opinião é bem aceita por muitos colegas e muitos esperam ansiosos por uma cartilha que traga elencadas as funções privativas. Bom, como você e outros leitores já perceberam esta não é a linha que eu defendo – claro que considero as opiniões e sei que o momento é de construção, criação…, contudo não considero possível um trabalho social onde cada um desempenha uma função específica! como que: cada um tem uma função específica, mas na ação prática o trabalho é comum? – isso me fez pensar um trabalho em uma unidade básica de saúde por exemplo, onde tem o médico, o enfermeiro, o técnico de enfermagem, onde tem uma ideia de hierarquia de cargos e funções – mas isso é outro assunto, quero dizer que o trabalho no PAIF, não tem “hierarquia de saber” tem uma equipe técnica para desempenhar a mesma função, considerando o saber de cada uma como relevante e com uma práxis capaz de transformar, de fato, o trabalho da assistência social, que foi atravessado por décadas pela “boa vontade” e pela oferta de serviços – quando fosse possível, por qualquer pessoa de “bom coração” para um trabalho técnico e qualificado e que contribua para uma mudança de paradigma no sistema de governo e Estado e principalmente, o maior desafio, que promova mudança de percepção na sociedade acerca do que é a assistência social.
      Para não sair muito do caminho só quero dizer que, enquanto defendermos as funções privativas vamos fazer mais do mesmo e vamos nos recuar diante de um momento histórico e propício para pensarmos e criarmos possibilidades de intervenção transdisciplinar, até por que ” isso ou aquilo” já não responde às imensas demandas multifacetadas que o “sociedade líquida” apresenta no século XXI e ainda, será que este modelo facetado das ciências, serve para este século?

      Obrigada por me fazer pensar e escrever!
      até mais Thiago,
      Um abraço

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      1. Oi, Rozana, tudo bem? Obrigado pelos elogios, sempre simpática você, por isso seu blog está crescendo….

        Olha, não defendo o isolamento dos profissionais, nem psicoterapia no CRAS, longe disso (veja o argumento do Alan aí em cima). Mas a qualificação do trabalho no SUAS está baseada na formação acadêmica obrigatória dos técnicos de nível superior. Sem essa bagagem, os técnicos trazem somente seu bom-senso (senso-comum melhor organizado). Para mim, isso é pouco…

        Na prática: a equipe atendeu a família (em conjunto ou separadamente), cada profissional faz sua análise baseada em sua área de conhecimento. Em debate, colocam suas observações que fundamentarão uma linha de ação única. Pronto, está aí um Plano de Ação baseado numa visão multidisciplinar.

        Pelos comentários, vejo que a discussão está caindo pela luta política do CRAS: quem manda mais: psicólogo ou assistente social? (Nem falo dos sociólogos, hein, esses não mandam nada…. rs) Uma forma de quebrar com isso é estabelecer a importância do saber profissional (a função privativa) e a importância do trabalho em equipe (plano de ação conjunto, conhecimento da política/benefícios/programas, reuniões, palestras etc.).

        Não sei se fui mais claro agora, espero que sim… grande abraço!

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        1. Oi Thiago, cheguei atrasada neste seu comentário! rsrs
          respondi ao seu post no seu Blog! acho se eu responder esse vamos voltar um pouco, ficarei com a resposta de lá, pois acredito que avançamos com seu post!

          um abraço

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  16. Boa tarde Rozana!
    Obrigada pelos esclarecimentos! Parabéns por proporcionar este espaço de reflexão! Aproveitando a oportunidade, tenho dúvidas a respeito da postura do psicólogo atuando no SUAS ao ser solicitado realizar avaliações para emissão de benefícios eventuais ou outros benefícios a famílias acompanhadas. Podemos assinar documentos liberando estes tipos de benefícios, sendo que foi necessária uma avaliação socioeconômica, que acredito ser competência do assistente social?
    Obrigada mais uma vez,
    Fernanda.

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    1. Oi Fernanda, agradeço pelo retorno e participação!

      “A oferta de Benefícios Eventuais pode ocorrer mediante apresentação de demandas por parte de indivíduos e familiares em situação de vulnerabilidade, ou por identificação dessas situações no atendimento dos usuários nos serviços socioassistenciais e do acompanhamento sociofamiliar no âmbito da Proteção Social Básica (PSB) e Proteção Social Especial (PSE)” Site MDS, portanto a equipe destas unidades é responsável por identificar e encaminhar essa demanda à Secretaria do Município, que é o órgão responsável pela oferta do BE ( Unidades como CRAS e CREAS não ofertam BE!) – e quem compõe a equipe? assistentes sociais e psicólogos e quem mais compor a equipe técnica, têm como atribuições sinalizar a família que necessita ser assistida no seu direito adquirido conforme a LOAS e ser acompanhada. Acompanhada para trabalhar com essa família os motivos que a faz ou fez necessitar o BE e como ela vivencia, percebe essa experiência e principalmente promover a reflexão de que se trata de um direito e não de um favor do governo!
      Bom, por ora é isso, veja mais no site do MDS:http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/beneficiosassistenciais/beneficioseventuais

      Um abraço

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  17. Olá!
    Concordo plenamente com esses “ideais”, mas que na pratica, pelo menos onde atuo, nao ocorre…é muito complicado bater de frente com quem se acha o ponto chave do CRAS…e é muito frustrante tambem…todos os dias tento colocar o olhar da psicologia e atuar em conjunto…umas vezes consigo outras nao…e ainda mais agora com o reordenamento do SCFV onde se contratou o orientador social que acabou por abarcar todos os grupos de convivencia….mas é assim que vejo meu trabalho: matando um leao por dia pra ver se conseguimos vencer a batalha e a guerra…
    abraços a todos
    e obrigada pela “escuta”

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    1. Oi Cláudia, o caminho é esse mesmo… não silenciar diante dos equívocos! precisamos saber nosso lugar para poder reivindicá-lo quando o mesmo nos for negado por pura incompreensão do que são os trabalhos nos serviços socioassistenciais.
      Os SCFV são executados diretamente por orientadores e facilitadores, e um ou mais técnico do CRAS/PAIF irá atuar como técnico de referência deste serviço, veja neste caderno:http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/secretaria-nacional-de-assistencia-social-snas/cadernos/orientacoes-tecnicas-sobre-o-servico-de-convivencia-e-fortalecimento-de-vinculos-para-criancas-e-adolescentes-de-6-a-15-anos-prioridade-para-criancas-e-adolescentes-integrantes-do-programa-de-erradicacao-do-trabalho-infantil/orientacoes-tecnicas-sobre-o-servico-de-convivencia-e-fortalecimento-de-vinculos-para-criancas-e-adolescentes-de-6-a-15-anos-prioridade-para-criancas-e-adolescentes-integrantes-do-programa-de-erradicacao-do-trabalho-infantil
      Vale ressaltar que um dos objetivos do reordenamento do SCFV é justamente para provocar nos Municípios uma oferta deste serviço de acordo com o que já preconiza a Tipificação e as outras orientações do MDS.
      Um abraço e obrigada pela participação!

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  18. Ótimos posicionamentos, Rozana e demais colegas! Também acredito que é por aí…e Telma, se ainda estamos de reserva, estamos fazendo nossa parte e mostramos a que viemos…acredito que as coisas estão mudando! Abçs

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  19. Psicóloga no cras por 9 anos vivi isso durante todo o tempo, mas o pior foi sua chefia sempre te ver como o reserva do time……….pois pra eles o papel do Assistente Social é a chave do PAIF……….

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    1. Pois é Telma, é por ter posicionamentos equivocados desta maneira ( e são muitos) que reforço o quanto nós precisamos nos fortalecer para termos condições de ocupar nosso lugar legítimo no SUAS!

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  20. Muito interessante! Fiz um trabalho sobre este tema e cheguei a mesma conclusão. Não há um espaço individualizado para cada profissional (Psicólogo e Assistente Social), o que os diferencia é o olhar de cada um, caracterizado pelo seu aporte teórico.

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  21. Muito bom! Concordo plenamente. A ficha ainda não caiu para a Psicologia. O trabalho da psicologia no SUAS é um trabalho conjunto, com diálogo, em equipes, em diversas situações e com diversos profissionais em todos os níveis. Temos que destacar o radical “trans” e colocá-lo em prática! Parabéns!

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    1. Ola Claudia, concordo plenamente com sua opinião, comigo acontece a mesma coisa, mas sou teimosa e aos poucos acredito que vamos modificicar a prática antiga e finalmente conseguiremos trabalhar em ” equipe”.
      Eu acredito que a ficha já caiu para muitos psicologos , mas não caiu ainda foi para alguns dos demais membros da equipe que vêem o psicologo como uma ameaça , um intruso que vem para dividir e não para somar, que insistem em continuar vendo no psicólogo apenas com o q ue ouviram falar dele, ou seja, profissional clinico, de consultório ou o psicologo que atende crianças mal educadas e ou sem limites, que são mandadas para ele fazer o “milagre” quando o professor não tem mais o controle nem o domínio da turma e que este, o psicologo, tem que fazer milagres na sua prática para “resolver, ou ” curar” .
      Enfim, eles acreditam que é isso que iremos fazer noCRAS , mas penso que com o tempo, muito trabalho e com o conhecimento prático do psicólogo social/comunitário , esta velha teoria cairá por terra e nós os precursores é que teremos o trabalho mais dificil pois ja aparecem algumas mudanças significativas , uma luz no fim do túnel. Bom trabalho a muita força a todos.

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